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Filme Americano – Epílogo

Estados Unidos
Narrador
Beca estava cansada, não via a hora de chegar em seu pequeno quarto, que era tambem seu apartamento, abraçar sua namorada, deitar na cama que nem era tão grande assim e dormir até o dia seguinte, onde tudo começaria de novo. Assim que ela abriu a porta, ouviu a risada baixa de Nina, a menina que a havia feito ir para o outro lado do mundo e que tinha o poder sobre todos os seus sorriso, ou melhor, quase todos, tinham alguns poucos reservados para a sensação de poder fazer aquilo que mais amava: jogar futebol.
“Como assim eles aceitaram? Então está tudo bem entre vocês todos?” A voz de Nina conversando com alguém fez Beca entrar em silêncio no quarto e assim que ela viu sua namorada deitada na cama, com a cara quase dentro do celular, ela imaginou que a menina estava conversando com suas amigas que haviam ficado no Brasil. Não esperou muito, apenas jogou a mochila no canto do quarto e esticou seu corpo até empurrar o de Nina um pouco e dividir o pequeno espaço que a câmera focalizava, agora, mostrando o casal junto.
– Que bom que você chegou, amiga! – O rosto de Carla se iluminou do outro lado da tela
– Desculpa a demora, estava em uma aula extra e acabei demorando! – Beca falou logo depois de dar um beijo rápido nos lábios de sua namorada
– Estávamos agora mesmo contando as novidades dos meus amados sogrinhos para a Nina! – Juca também disputava pelo espaco da camera ao lado de Carla
– Então podem contando de novo porque eu não estava aqui antes – Beca falou e Nina apenas sorria com a interação de todas
– Meu casal preferido, como vocês estão? – a voz alta de Juliana chegou antes do que sua imagem tentando empurrar Juca para ocupar tambem um espaco na camera
– Então quer dizer que elas são seu casal preferido, cunhadinha? – Carla falou e Juca começou a rir, filmando a pequena discussão das duas
– Calma, cunhadinha, eu amo voces tambem, mas é que elas estão longe né… – Juliana se justificou e logo as tres se espremeram para aparecerem na camera juntas
– Então, as novidades, me contem! – Beca relembrou o motivo da ligação
– Resumindo, meus pais estão aceitando meu namoro com a Juca, inclusive irei dormir aqui hoje e não precisarei mentir, apenas falei a verdade e foi isso! – Carla falou com um sorriso de iluminar quarteirões no rosto
– Que notícia maravilhosa, amiga! Também né, campeã de futebol e melhor média da escola, eles não tinham nem como discutir com você! – Beca falou relembrando os feitos da amiga no ano anterior
– E voces, amigas? Como estão as coisas nos states? – Juliana perguntou logo em seguida
– Estamos ótimas! Eu e Beca estamos no time da escola. Temos treinos todos os dias e estamos suando bastante para nos igualarmos ao preparo físico das meninas daqui. Eu estou fazendo alguns cursos preparatórios na area de educação física enquanto a Beca ainda esta frequentando algumas aulas que equivalem as metérias do terceiro ano, talvez ainda consigamos uma vaga na faculdade aqui por causa do futebol… – Nina falou enquanto mordia os lábios inferiores mostrando o nervosismo que a atingia toda vez que falava sobre aquele assunto.
– Estamos muito felizes de ver que vocês estão se dando bem aí! Não vemos a hora de ficarem famosas para podermos jogar na cara de todo mundo que nós somos as melhores amigas do casal mais foda do circuito Brasil Estados Unidos! – Juliana falou elevando o tom da voz e fazendo gestos com as mãos que fez todas rirem
– Amiga, espero que suas previsões estejam certas, mas até lá, se controle, ok? – Nina falou enquanto puxava Beca para seu colo
– Amores da minha vida, vou sair agora com meu novo boy, amo voces, se cuidem e façam bastante sexo! Adeus! – Beca e Nina não tiveram tempo de se despedir de Juliana, ela apenas sumiu da camera e elas ouviram a porta bater logo em seguida
– Minha irmã continua a mesma, mas já é a terceira vez que ela sai com esse mesmo menino, talvez ela apareça namorando em breve! – Juca comentou puxando Carla para a cama e levantando o celular
– Juliana namorando? Essa nós estamos pagando pra ver – foi a vez de Beca implicar
– Meninas, aproveitem bastante tudo que está acontecendo com vocês. Vocês merecem tudo de melhor e mesmo com a saudade, nós sabemos que vocês estão felizes – Carla falou e seus olhos marejados acabou deixando todas as meninas emocionadas
– Amiga, não fala assim que a gente não aguenta… – Beca respondeu já enxugando uma lágrima que escapava
– Ei, não chorem, o que meu amor falou é verdade, voces fazem falta, mas a felicidade de vocês é o que mais importa então apenas sejam felizes que nós estaremos felizes também! – Juca complementou beijando a testa de Carla e sorrindo abertamente para a camera
– Nós amamos voces e sentimos falta de voces, mas pode deixar que faremos de tudo para tirar o melhor de tudo que aprendemos aqui todos os dias. Sejam felizes aí e nós estaremos sendo felizes aqui. – Nina falou e depois de um pouco mais de palavras carinhosas e risadas, elas desligaram a ligação, mas não levantaram de suas posições.
Nina
Minha linda namorada sempre ficava emotiva quando falava com as meninas. Eu sabia que ela sentia muita falta delas e de certa forma eu me sentia culpada por ter trazido ela para o outro lado do mundo sozinha. Ou melhor, sozinha não, mas só comigo, né.
– Amor, você está feliz? – Perguntei enquanto ela continuava olhando para o teto respirando calmamente
– Ei, que pergunta é essa? É claro que eu estou feliz! – Ela virou o corpo e agora me encarava com aquele olhar que engolia minha alma sem eu ao menos me dar conta
– Só quero ter certeza de que estamos fazendo a coisa certa, no caminho certo – falei dividindo meus pensamentos
– Certo e errado é um conceito móvel, amor. Estamos sendo felizes juntas e correndo atrás dos nossos sonhos. Neste momento, é o que devemos fazer, então, é certo. Ok?
– Nuca vou me conformar em como voce é tão mais inteligente do que eu
– Não tem nada a ver com inteligência, apenas com pontos de vista
– Eu te amo
– Eu te amo mais
Eu nunca me cansaria de sentir aqueles lábios molhados, molharem os meus. O gosto do seu hálito ainda me fazia suspirar profundamente no meio de nossos beijos. O cheiro natural de seu corpo me fazia arrepiar e um calor começava nos meus pés quando nossas peles resolviam dividir o mesmo espaço. Não demorou muito e nossos corpos já desafiavam leis da física enquanto faziam de tudo para não se desgrudar.
Ao mesmo tempo que nossos corações pareciam acelerar, o beijo ficava mais lento, porém ainda mais profundo. As línguas brigavam e lutavam por espaço, as mãos apertavam e permaneciam mais tempo no mesmo lugar e meu corpo ardia de tesão. Nossos beijos e toques pareciam ficar ainda mais intensos se comparados as primeiras vezes que tivemos. É como se aquela paixão típica dos recentes casais não acabasse nunca quando aplicada ao nosso caso. Antes que eu me desse conta, as mãos delicadas, mas ao mesmo tempo certeiras, de minha namorada, já estavam retirando minha camiseta enquanto seus lábios sugavam a pele do meu pescoço. Eu até pensei em pedir para que ela parasse, mas não tive forcas para transformar essa vontade em sons reais já que quando eu menos esperava, os lábios macios que antes marcavam meu pescoço sugaram o bico do meu seio, me deixando sem ar e sem forças. Não consegui mais manter o apoio nos braços e deixei que meu corpo desabasse em cima do corpo de Beca. Senti o sorriso que se formou em seus lábios ao perceber que tinha tirado minhas forças. Ela tirava minhas forças, mas em todos os momentos era o meu apoio.
Sabendo que eu estava sem forças, não foi difícil para que Beca virasse as posições, me deitasse com as costas na cama e arrastasse seu corpo para cima do meu. Com os meus seios de fora e molhados pelos beijos que ela havia dado, senti um arrepio passar pelo meu corpo quando ela lambeu a minha barriga. Eu gemi baixo, aquele gemido que não tem a intenção de sair, mas que não consegue resistir ao tesão. Ela continuava a sorrir, aquele sorriso de canto de boca de quem está controlando a situação. Ela sempre controlava a situação quando o assunto era me deixar na beira do precipício.
Os beijos na minha barriga subiram, ela ainda deixou seus lábios brincarem um pouco mais nos meus seios, me deixando ainda mais próxima da beira do precipício, antes de voltar a molhar meus lábios com seus próprios. As línguas voltaram a se encontrar como se estivessem com saudades uma da outra. Não deixaram que o ar passasse por elas, apenas disputavam o espaço das bocas. Me deixavam ainda mais quente, ainda mais próxima do precipício. Amor, eu não estou mais aguentando, eu falei com o pouco de ar que ainda me restava. A calça de moletom que eu usava já me incomodava devido a umidade extrema que eu sentia escorrer pela minha virilha. Beca sabia que ela me deixava assim quando me maltratava e pelo sorriso em seu rosto ao me ouvir implorar, ela gostava dessa situação. Sem precisar implorar mais, senti os dedos habilidosos da minha namorada puxarem o elástico da minha calça para constatar que eu não usava calcinha por baixo. Adoro quando te encontro assim me esperando, ela sussurrou bem próximo ao meu ouvido e eu gemi sem conseguir controlar o som que saía de dentro de mim. Seu corpo arrastou pelo meu, levando consigo toda peça de roupa que havia pelo caminho, que no caso, era apenas a calça que eu usava para dormir.
Ao tirar a peça do meu corpo, ela ficou de pé na beirada da cama e também tirou todas as roupas que ainda a vestiam. Eu gostava de ser a pessoa a lhe despir, mas naquele momento eu não seria capaz de exigir nada. Apenas a assisti, engatinhar de volta para a cama. Seus olhos pregados nos meus, me aquecia o corpo mais do que eu era capaz de imaginar ser possível. Suas mãos apertavam e suas unhas arranhavam minha pele conforme ela ia beijando e lambendo minhas coxas. Eu sabia o que viria a seguir e a espera pelo momento sem saber quando ele viria, me deixava ansiosa, arrepiada. Molhada.
Talvez algum filósofo ou estudioso do ser humano já tenha feito algum estudo relacionando o orgasmo ao uso de drogas. Ao sentir a língua de Beca encostar na superfície sensível e molhada entre as minhas pernas, meus olhos apareceram abrir mais do que seria possível. O teto ganhou formas e cores que antes não estavam ali. Meu corpo se enrijeceu e meus neurônios se conectaram em uma velocidade até então desconhecida. O movimento seguinte fez meus lábios se abrirem e minha garganta emitir um gemido agudo, como se algo estivesse me massageando por todo o corpo, Beca havia grudado seus lábios em meu nervo pulsando enquanto seu dedo massageava a entrada molhada do meu corpo.
A velocidade das lambidas aumentaram em uma sincronia perfeita com o movimento que os dedos de Beca entravam e saiam de mim. Enquanto isso meu corpo experimentava novas sensações e eu cheguei a ter certeza de que até alucinações me atingiram em meio aquele orgasmo que vinha sendo construído no meu ventre. Os gemidos saiam sem permissão de dentro de mim e eu murmurava palavras soltas, sem sentido, apenas pedindo para que ela continuasse e ao mesmo tempo pedindo para que ela não terminasse nunca. Talvez usar drogas seja algo parecido com ter um orgasmo intenso com a boca de sua amada namorada em seu clitóris. Talvez alucinações sejam um sinal de que seu corpo está em um novo limite antes desconhecido. Talvez seus neurônios estejam funcionando tão rapidamente que seu corpo não sabe muito bem como reagir e por isso as sensações novas e estranhas aconteçam.
E antes que eu pudesse conseguir entender o que estava acontecendo com o meu corpo, meu coração parou por alguns poucos segundos e logo em seguida, retomou um ritmo acelerado, batendo forte como se fosse explodir dentro do meu peito, ao mesmo tempo em que ele parecia bater em todas as extremidades do meu corpo, principalmente dentro da boca de Beca, que continuava sugando todo o líquido que saía de dentro de mim. Gotículas de suor começaram a se formar em minha testa devido a diferença de temperatura do meu corpo e minhas pernas pareciam não mais existir no meu corpo, apenas ossos, carne e pele pesavam naquele local.
– Está tudo bem, meu amor? – o sorriso sarcástico de Beca me fez sorrir também
– Você sempre acaba comigo quando faz esse oral maravilhoso – respondi buscando forças para emitir tais palavras
–  Que bom que você gostou, porque eu pretendo acabar com você muitas e muitas vezes ainda – ela falava enquanto beijava lentamente minha mandíbula e meu pescoço
– Acho que nunca vou me acostumar com o fato de ter você todos os dias e todas as noites na minha cama
– Então que tal comemorarmos esse fato tomando um banho delicioso juntas?
E mesmo sem estar cem por cento recuperada, me levantei junto com ela, me arrastei até o nosso pequeno chuveiro e com a água quente escorrendo pelo corpo, beijei aqueles lábios que eu tanto amava e deixei que minha mão escorregasse até o meio das pernas da minha menina. Eu faria de tudo para mostrar pra ela o quanto estava feliz de tê-la ao meu lado. Tudo mesmo.
Cami
As coisas pareciam mudar e ao mesmo tempo não saírem do lugar. Cá estou eu, no meio de um almoço dos amigos da empresa do meu pai, onde claramente eu não faço diferença alguma. Ele e minha mãe adoram passar essa imagem de família perfeita e sempre me trazem para os restaurantes chiques e irritantes que gostam de frequentar. Enquanto isso, em pleno sábado a noite, minha linda e amada namorada está sozinha no cinema porque eu acabei furando o compromisso que tinha com ela. E se você está se perguntando porque diabos eu não largo tudo aqui e corro pra lá, é simples a resposta. Eles ameaçaram me mudar de escola caso eu me tornasse rebelde novamente. E eu não posso me dar ao luxo de que isso aconteça. Já basta tudo que eu perdi por ter repetido o terceiro ano, ao menos os consegui convence de não me trancarem em casa e nem me tirarem o celular. Acredito que eu vá ficar na mesma turma da Carla, ao menos alguém que ainda fala comigo naquele local.
Pelo menos fora dele, tem a Juca e a Juliana que mesmo com a faculdade sempre aparecem lá pela escola ou sempre nos encontramos na quadra perto da casa delas para jogarmos futebol. Infelizmente o time do Santo Amaro foi um encontro de uma temporada só, mas o que nos impede de continuarmos brilhando e espalhando nossas perfeitas jogadas por aí, não é mesmo? Nós quatro estamos pensando em adicionar a Regina no time e começar a jogar em campeonatos de bairro. Só nos falta uma goleira agora, já que a Nina resolveu ser famosa nos Estados Unidos né. Mas elas estão felizes e é apenas isso que importa.
– Pai, você acha que nós vamos demorar aqui, ainda? – eu perguntei baixinho entre uma conversa e outra dele
– Não sei – ele me respondeu sem muita vontade, acabei desistindo
– Mãe, será que eu podia pegar um Uber e encontrar com a Regina? – Comecei a me preparar para o sermão
– Ainda nisso? – Ao falar dessa forma ela se referia ao fato de eu ainda estar namorando uma menina. Eles haviam descoberto após uma vizinha fofoqueira bater com a língua nos dentes para eles. Não aceitaram muito bem, mas eles tambem não tinham vontade de discutir, apenas deixaram as coisas acontecerem, mas nunca esconderam seu descontentamento com a situação
– Sim mãe, ainda nisso…e então, posso? – Diferente do meu pai, ela ao menos olhou nos meus olhos, mesmo que por poucos segundos. Talvez tenha sido o suficiente para ver o tédio estampado na minha testa
– Vai logo! Mas sai em silêncio para não chamar atenção – verdade, eu não poderia ser a filha que chama atenção ao sair no meio de um jantar de negócios.
Foda-se também, apenas levantei da minha cadeira sem fazer barulho, dei um sorriso na direção do meu pai, que me respondeu com um leve aceno de cabeça, olhei novamente para minha mãe, mas ela ja estava entretida em uma conversa chata com as outras mulheres da mesa. Foda-se novamente, eu ia atrás do que me fazia feliz.
Durante todo o trajeto do Uber eu fui falando com a Regina. Continuei com a desculpa de que ainda estaria no jantar com meus pais e de que não sabia que horas conseguiria sair de lá, eu queria fazer uma surpresa pra ela. Talvez quando a gente ama alguém, esse lado meio brega e totalmente clichê se faz mais presente e nós adoramos esses comportamento totalmente previsíveis. Só de pensar que ela ficaria feliz em me ver lá sem esperar, mesmo que fosse para uma simples sessão de cinema, eu sorria bobamente no banco detrás do carro.
– Chegamos, menina sorridente – o senhor que dirigia o carro me falou
– Obrigada, senhor simpático – eu respondi genínamente feliz
Amor, a sessão já vai começar, seu ingresso está no seu email caso voce consiga chegar. Eu sabia que a Reg estava arrasada por ter que ir sozinha no filme. Desculpa por isso, amor. Ainda estou presa aqui. Respondi enquanto passeava meus olhos pela fila do cinema, procurando por ela. E lá está. Com um vestido florido, uma sapatilha amarela nos pés, que eu amava, e seus cabelos soltos e esvoaçantes. Entre todos naquele shopping, ela se destacaria facilmente. Em uma mão, o enorme pote de pipoca, claramente para duas pessoas, na outra, o celular, objeto que prendia toda sua atenção. Tudo bem, são seus pais, eu entendo. Ela respondeu e respirou fundo. Se bem que seria um desperdício deixar você assim tão linda sozinha no filme. Respondi e de longe pude ver o sorriso que se formou em seus lábios. Meu peito disparava só de ver aquele sorriso. Deixa de ser boba, voce nem sabe como eu estou! Ela deu a resposta que eu esperava! Você sabe que eu amo quando você usa vestidos, principalmente no cinema, né? Me faz pensar em besteiras… Eu já havia me aproximado e agora estava a poucos metros dela. Era como se meu corpo não conseguisse se controlar para ficar ainda mais perto dela. Ela leu minha mensagem e com uma expressão de dúvida no rosto, ela levantou o olhar, pegando o meu de supetão, tanto que me faltou o ar.
– Então voce veio? – ela falou assim que cheguei mais perto
– Eu não gostaria que minha namorada estivesse tão linda sozinha no cinema em pleno sábado a noite – eu respondi quase em um sussurro, estávamos tão próximas que não precisava falar mais alto do que isso
– Sua namorada não sabe nem o que dizer nesse momento
– Apenas diga que me ama
– Apenas continue sendo você que continuarei te amando
Juca
Por alguns momentos eu pensei em desistir da Carla. Quando a gente passava dias sem se ver, principalmente depois do fim das aulas que não tínhamos mais a escola como desculpa. Talvez tudo isso tenha sido uma espécie de prova para mim mesma. Eu lembro como há alguns anos atrás eu não estava nem aí para ninguém. Eu fugia de tudo que tinha a ver com o coração, não estava disposta a me machucar novamente e no caminho, tenho certeza que acabei machucando outras pessoas por causa disso. Mas aí, aquela menina simples, cheia de delicadeza e cheia de sorrisos meigos apareceu. Ela era fofa, tinha sempre um ombro amigo para emprestar e palavras de incentivo para todo mundo a sua volta. Como resistir a um ser humano que colocar a felicidade dos outros na frente da sua própria? Ela me conquistou dos pés à cabeça. Ela me fez pensar em amar novamente, ela me convenceu a ser uma pessoa melhor, não só para ela, mas para mim mesma também. Ela foi aos poucos invadindo minha vida e quando eu me dei conta, até o ar que eu respirava tinha um quê de Carla misturado. Em pouco tempo ela se tornou meu maior vício, aquele vício que eu não cansaria nunca de ter.
O chuveiro acabou de desligar e cá estou eu, com um monte de planos na cabeça para nós duas e nem sei por onde começar. Talvez eu deveria dizer que eu a amo e que ela é tudo pra mim, que eu quero passar o resto dos meus dias ao seu lado, mas eu não sei se vou acabar a assustando…lá vem ela. Vestida com uma das minhas camisetas que ficam enorme nela, um short de pijama por baixo e os cabelos molhados do banho. Eu poderia dizer que nunca vi nada tão belo na vida, mas aí eu estaria mentindo, porque na hora que ela sorri ao me ver deitada na cama, se torna a imagem dos céus para mim.
– Está tudo bem amor? – Eu devo estar encarando com uma cara estranha
– Está sim, apenas apreciando a maravilha que é ter você aqui saindo do meu banheiro, cheirosa e pronta para dormir ao meu lado
– Eu poderia repetir esse ritual todas as noites e seria a pessoa mais feliz do mundo – ela falou enquanto se arrastava na cama e encaixava seu corpo em cima do meu.
– Você tem certeza do que está falando? – Sussurrei implorando eternamente para que ela soubesse o que estava falando
– Juca, eu te amo e eu não sou do tipo de pessoa que fica pulando de galho em galho, eu quero ficar com voce sim, e para sempre se for possível…desculpa se estou te assustando… – a calei com um beijo molhado
– Eu estava pesquisando algumas coisas… – acho que preciso conversar com ela sobre isso
– Conte-me sobre isso
– Eu descobri que existe um curso em Educação Física focado em atletas do futebol feminino, e eu gostei muito das possibilidades que esse curso abre pra mim
– Que maravilha, amor! E qual é o impedimento de você tentar essa especialização? – ela perguntou com um sorriso tão genuíno que me fez derreter por dentro
– Bom, primeiro, eu preciso ter cursado pelo menos um ano do curso normal, ou seja, só ano que vem que poderei começar, e o segundo impedimento é que ele fica nos Estados Unidos
– Uau. – a expressão dela era de confusão – acho que voce tem que correr atrás do que ama e esse curso parece ser perfeito pra voce – ela continuou falando, mas acho que ela não entendeu o que eu quis dizer
– Ei, Ca, respira, eu quero que você venha comigo para os Estados Unidos. Com as suas notas, voce vai conseguir cursar engenharia em qualquer lugar do mundo…além do mais, a gente pode tentar ir para a mesma cidade das meninas…
– Seríamos nós quatro juntas de novo… – ela complementou com um novo brilho nos olhos
– Acredito que seríamos nós cinco, até porque a ideia do curso foi da Ju e ela que deu a ideia de irmos todas nós
O beijo que eu recebi em seguida era como uma confirmação de que todos os planos que eu estava sonhando para gente poderiam se tornar reais. Talvez o fato de tenhamos ido dormir quando o sol já despontava no horizonte, exaustas de fazer amor tenha sido a prova de que eu estava com a pessoa certa.
Narrador
Duas semanas haviam se passado desde que Carla dormira na casa de Juca com a permissão de seus pais. Desde então, a situação apenas melhorava. Eles inclusive deixaram que Juca jantasse com eles e até mesmo gostaram da conversa da menina. No final das contas, ela não parecia ser tão irresponsável assim e tinha um plano de vida e de carreira muito bem definido. Eles poderiam gostar dela em algum momento.
Beca e Nina chegaram juntas no quarto que dividiam depois de um treino exaustivo. Beca tinha conquistado sua vaga no time titular e Nina estava prestes a ser escalada como primeira goleira, bastava apenas mais um treino bom como aquele e ela ganharia a vaga. As duas estavam suadas e já iam se preparando para o banho quando os celulares tocaram juntos. Se entreolharam e riram quando perceberam que era uma chamada em grupo com todas as Guerreiras originais.
– Reunião de emergência? – Beca perguntou assim que todas já estavam conectadas
– Guerreiras, temos uma novidade – foi a vez de Juliana falar
– O que foi meninas? Está tudo bem por aí? – foi a vez de Nina falar
– Está tudo ótimo, nós queríamos fazer um comunicado importante – Carla falou bem séria
– Falem logo, estou tendo um ataque do coração aqui – Beca falou impaciente
– No final desse ano, o nosso time estará completo novamente. Se preparem que nós estamos chegando! – Juca deu a notícia e a felicidade e o choque eram notáveis no rosto das meninas.
O time de Guerreiras estaria junto novamente.