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Filme americano – Cap 76

O resto da quinta foi cinza e cheio de sorrisos não dados. Beca chegou em casa e foi direto para o quarto. Seu pai já havia falado várias vezes que não queria que aquele namoro com Nina atrapalhasse suas notas no colégio e ela, cada vez mais, corria contra o tempo para não deixar a matéria acumular. Resolveu que iria adiantar todos os seus trabalhos naquela tarde para que ficasse tranquila no treino de sexta. Ela estava feliz em voltar para o campo, mas não o suficiente para conseguir apagar da mente as lágrimas que escorriam no rosto de Nina. Faziam poucas horas, mas já doía como algo que nunca iria passar.

Nina chegou em casa e estava um silêncio mortal. Seu irmão ainda estava no colégio integral e seus pais no trabalho. Apenas a diarista que ia lá para cuidar da limpeza e fazer comida estava em casa, mas ela passava mais tempo ouvindo forró e sertanejo no seu fone do que interagindo com as pessoas. Nina agradeceu por isso e se trancou no quarto. Ela estava no último ano e existia uma pressão de todas as partes para a prova de vestibular. Ela não fazia ideia do que iria fazer na faculdade e secretamente já havia decidido que passaria o ano seguinte viajando de mochilão. Mais clichê impossível, ela sabia, mas era seu sonho desde muito tempo. Agora ela pensava se seria possível passar tanto tempo longe de Beca. Ela não sabia mais nada relacionado a Beca depois daquela tarde. Nem abriu a mochila e se jogou em sua cama com o fone de ouvido bem alto.

Diogo chegou em casa no final da tarde e se assustou em como a cozinha estava arrumada. Chegou a imaginar que Beca não estava em casa, mas se assustou novamente quando abriu a porta do quarto e viu a filha estudando e seu quarto todo arrumado

– Quem é você e o que você fez com a minha filha? – brincou o professor
– Oi, pai. É que eu estava de cabeça cheia e acabei arrumando tudo – Beca falou enquanto olhava para o pai com cara de cansado
– Está tudo bem, minha filha? Quer conversar? – Diogo sabia que nessas horas colo de mãe é a melhor coisa, mas ele se fazia presente
– Não tem muito o que falar, pai. Eu e Nina discutimos hoje, aí estou meio mais ou menos… – Beca falou e foi sincera: não tinha palavras
– Se quiser conselhos de alguém sem experiência em relacionamentos, é só me avisar! – Diogo queria fazer de tudo pra suprir a falta de mãe nessas horas
– Obrigada, pai, mas por enquanto to colocando os pensamentos em ordem só
– Vou esquentar o jantar e te grito, tá?
– Tá bom!

A mãe de Nina foi a primeira a chegar em casa junto com o pequeno. Ela logo colocou ele para o banho e foi até o quarto de Nina. Após bater duas vezes na porta, sem resposta, resolveu entrar calmamente. Imaginou que se Beca estivesse lá, ela teria ouvido alguma coisa. Assim que a porta abriu, viu Nina deitada na cama, dormindo e com o fone de ouvido ao lado, percebeu que a filha tinha passado a tarde toda ali. Lentamente encostou no braço de Nina a acordando.

– Filha? Porque está dormindo a essa hora? Vai acabar não dormindo a noite! – a mãe de Nina falou quase sussurrando
– Putz, mãe, perdi completamente a hora! Tava escutando música e apaguei né – Nina olhou pela janela e viu a claridade lá fora acabando
– E pelo visto não estudou nada hoje!
– Não…eu discuti com a Beca mais cedo e acabei não conseguindo me concentrar… – Nina já estava sentada na cama e de cabeça baixa
– Precisamos conversar sobre isso, filha! Agora vou tirar seu irmão do banho enquanto você arruma a mesa do jantar pra nós. Seu pai já deve estar chegando

Beca jantou com Diogo em silêncio. O professor falou sobre a situação administrativa do colégio e como ele discordava de algumas direções pedagógicas que o diretor vinha tomando. Ele podia confiar na filha para contar essas coisas, mas de qualquer forma, naquela noite, ela não estava escutando nada.

Nina ouvi ao longe a voz do seu irmão pequeno e os risos de sua mãe. Seu pai estava no banho para depois jantarem todos juntos. A mesa já estava posta e agora ela estava esquentando a comida que a diarista havia deixado pronta na geladeira. Enquanto isso, pensava em Beca e em tudo que queria falar para ela nessas longas horas de silêncio.

Beca estava com vontade de arrumar tudo, para ver se no processo arrumava seus pensamentos também, e deixou o pai ir descansar enquanto organizava a louça e arrumava a cozinha. Ela precisava ocupar a cabeça para que as horas sem falar com Nina passassem rápido.

Nina estava sem sono algum, já que tinha dormido a tarde toda. Ficou arrumando a louça e a colocando na lava louça enquanto sua mãe levava o pequeno pirralho para dormir e seu pai adiantava alguns relatórios que iria apresentar no dia seguinte. Não demorou muito para que ela fosse a única acordada da casa. Ela não parava de imaginar em tudo que poderia ter falado com Beca nas longas horas de silêncio entre as duas.

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