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Filme americano – Cap 25

O domingo estava passando tranquilamente para todos. Joguí tomou café da manhã com Murilo e Beca mas depois foi pra casa. Disse que tinha prometido a sua mãe que iria almoçar com eles hoje. O menino ainda insistiu para que Beca o acompanhasse, mas ela inventou uma desculpa qualquer relacionada a trabalhos e escola e disse que ficaria para a próxima. A verdade é que ela precisava dormir um pouco e colocar a cabeça no lugar. Sua conversa no telefone com Nina tinha ido até o sol nascer e ela precisava se recuperar do cansaço.

Já na casa de Nina, Alex acordou a namorada com café na cama, beijos e muito amor logo cedo.

– Com quem você estava no telefone até tarde? – Alex perguntou enquanto abraçava o corpo nu de Nina para junto do seu
– Era a Beca. Ela queria me contar da primeira vez dela com o Joguí! – Nina contou despretensiosamente
– Ah, que bonitinha. Mas acho que ela gosta de você, sabia? – Alex arriscou a piada rindo
– É lógico que ela gosta de mim! Eu sou irresistível
– Irresistível e minha, que fique bem claro
– Só sua, completamente sua, inteiramente sua, apaixonadamente sua…toda sua!

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Nina repetia isso sempre que Alex demonstrava ciúmes dela e sempre pareceu extremamente verdadeira essa frase, mas dessa vez foi diferente. Nina conseguiu falar todas as palavras, mas é como se dentro dela algum sussurro bem distante a avisasse da falta de veracidade daquele sentimento. Ela não conseguiu entender direito, apenas ignorou, beijo Alex com todo o amor que tinha e aproveitou alguns minutos a mais na cama com a sua namorada.

– Beca, está tudo bem com você? – Diogo perguntou ao ver a filha encarando a janela antes de almoçarem
– Oi, pai. Está sim! – Beca queria contar o que tinha feito para o pais, mas não sabia como
– Você e o Joguí brigaram? Algo do tipo? – Diogo continuou arriscando
– Não, pai. Muito pelo contrário, estamos bem
– E tem algo que você quer me contar relacionado a “estarem muito bem”? – Diogo percebeu que havia algo no ar
– Até tem, pai. Mas eu não sei como te contar
– Vamos brincar de adivinhações então? – Diogo fazia isso com Beca quando ela era criança
– Acho que é uma ótima ideia
– Ele não dormiu no sofá essa noite, certo ou errado?
– Errado! Ele dormiu no sofá
– Ele não passou a noite toda no sofá, certo ou errado?
– Certo! Ele não passou a noite toda no sofá
– Antes de dormir ele passou um tempo no seu quarto, certo ou errado? – Beca já estava se escondendo no sofá
– Certo. Ele ficou lá no quarto antes de vir dormir no sofá
– E vocês transaram. Certo?
– Você me odeia, pai? – Diogo deu uma gargalhada com a pergunta da filha
– Para eu te odiar precisa de muito mais do que isso, Beca! Eu só fico preocupado…vocês estão se cuidando, não é?
– Estamos! Com certeza!
– E você não foi obrigada a fazer nada que não queria, certo?
– De jeito nenhum! Ele é super fofo comigo e na verdade tudo foi meio que ideia minha mesmo…
– Então é isso, Beca. Em algum momento isso iria acontecer para você e eu fico feliz de você me contar tão rápido
– Você é meu pai, né…eu precisava dividir isso com você
– Eu sei como a sua mãe faz falta nessas horas…deve ser mais fácil conversar sobre essas coisas com outra mulher, não é?
– Pai, minha mãe faz falta todos os dias e minutos…mas isso não quer dizer nada…você está desempenhando muito bem o papel de pai compreensivo!
– Tenho treinado todos esses anos para isso e fico feliz de estar funcionando

Os dois riram e seguiram para a mesa do almoço. Diogo tinha feito um macarrão com salsicha: rápido, gostoso, prático e preferência nacional naquela casa.

– Pai, quando você percebeu que amava a minha mãe? – Beca perguntou durante o almoço
– Acho que foi o dia que ela precisou viajar com seus avós e passou uns quatro dias longe. Na época não tinha celular e só nos falamos uma vez nesses quatro dias, eu quase enlouqueci.
– Então quando amamos não conseguimos ficar longe, é isso?
– Nós até conseguimos…mas é uma saudade imensa a todo minuto…é uma necessidade do abraço, do calor, do toque, do cheiro da pessoa…é como se o ar estivesse rarefeito durante todo o tempo que a pessoa está longe
– Você ainda ama a mamãe?
– A vida nos ensina muitas coisas, Beca…eu amo a sua mãe mais do que tudo…mas aprendi a não deixar que essa saudade arrebatador acabasse com a minha vida…afinal de contas eu precisava ser um pai super compreensivo para você

Os olhos de Beca e Diogo se encheram de lágrimas. Sempre que o assunto era a mãe de Beca, eles ficavam sensíveis e emocionados. Era como se a saudade dela nunca passasse. Beca lavou a louça enquanto Diogo arrumava a cozinha e a mesa. Deixaram tudo limpo e seguiram para seus afazeres. Diogo corrigindo provas e Beca foi direto para o computador. No seu celular tinham umas cinco mensagens não lidas e a menina foi correndo para o aparelho cheia de esperança. Eram todas de Joguí e nenhuma de Nina. Ela imaginou que a amiga deveria estar curtindo o domingo com Alex. Respondeu ao namorado e começou a pensar nas palavras que seu pai disse. Seu coração apertou fundo e aquela saudade de que ele tanto falava se mostrou presente em seu peito.

 

Ai, Beca, assim você mexe com os nossos corações, né? E o Diogo? Pai mais lindo e fofo do mundo!

Autora_mari Veiga