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Filme Americano – Cap 119

Narrador
Nina sentiu seu mundo parar. Ali, no meio de toda a gritaria após a vitória do seu time, ela só tinha ouvidos para seus próprios batimentos. Os olhos de Beca a levavam para a dimensão só delas e seu corpo, assim como seu cérebro, ainda reagia de forma estranha a notícia que acabara de receber. Será que era isso que sua namorada estava escondendo por tanto tempo? Será que as ligações e os emails escondidos tinham a ver com isso? Como ela fez tudo sem que ninguém soubesse? Será que as meninas sabiam ou o Diogo?
– Amor, não desmaia! Me responde! – a voz de Beca tirou Nina do transe que ela havia entrado
– Repete que eu não entendi direito… – o sussurro de voz de Nina não combinava com a barulheira que as cercavam, mas foi a única coisa que a falta de ar dela permitiu que dissesse
– Eu consegui um intercâmbio em uma escola perto da sua e ainda vou poder jogar futebol lá…ano que vem não vamos nos separar! – Beca repetiu, mas dessa vez com palavras lentas e um pouco mais de calma, talvez sua namorada não tivesse entendido na primeira vez.
– Amor, você é completamente maluca! Mas eu nunca amei tanto a sua maluquice!
Nina agarrou Beca pelo pescoço e pulou em seu colo. As duas giraram no meio da quadra e pareciam não ligar para os olhares que vinham recebendo. Até mesmo o time de guerreiras prestava atenção naquela interação. Elas não haviam escutado nada da conversa, por isso acreditavam que aquilo tudo era apenas felicidade pela vitória no jogo e por isso, não demorou para que elas se aproximassem do casal, as abraçassem e comemorassem juntas. Reuniram as mãos no meio do pequeno circulo que formavam e gritavam guerreiras! bem alto, o suficiente para fazer o pequeno ginásio se calar por um segundo e depois explodir em palmas e celebrações. Parecia que elas estavam indo para a final como favoritas mesmo.
Os dias passaram rápidos demais. Nina se focava em estudar para terminar o colégio com a média alta, como havia prometido a seus pais e a sua namorada. Beca se dedicava ainda mais, pois ainda tinha esperanças de tentar mais um pouco da bolsa de estudos e para isso teria que ser perfeita no futebol e nas notas. Era impossível mentir e dizer que ela não se preocupava com o fato de que não dominava a língua inglesa completamente e por isso vinha fazendo cursos grátis que encontrava na internet. Ela sabia que essa poderia ser a sua chance de ouro. Aquele momento de filme americano que só surge uma única vez e que pode mudar o roteiro de sua vida para sempre. Ela faria de tudo para que sua comédia romântica, ou o que quer que sua vida se transformasse, tivesse um final feliz. Elas mereciam esse final, ela e Nina.
Cami e Regina pareciam estar se importando cada vez menos com a opinião das pessoas. Estava ficando ainda mais comum ver Regina esperando a namorada na saída da escola. Pelo que as meninas descobriram depois, era caminho para a casa dela passar por ali depois da escola e por isso, acabava juntando o útil ao agradável. Assim como era comum perceber os olhares que julgavam direcionados para a ex-rainha dos corredores do Colégio Santo Amaro. O que era ainda mais perceptível era o quanto Cami se tornou uma pessoa risonha, feliz e cheia de vida. Ela vinha passando alguns momentos perto do time de guerreiras e uma possível amizade vinha surgindo de pouco em pouco. Como naquela sexta feira, a penúltima antes da final do campeonato, que elas tinham treino em poucos minutos e estavam reunidas na lanchonete.
– Meninas, ano que vem como vai ficar o time? – Juliana perguntou assim que o assunto acabou
Beca e Nina ainda não haviam contado sobre a viagem delas e só pretendiam fazer isso depois da final. Não queriam desestabilizar o time logo antes do grande jogo. Era importante demais que elas estivessem no melhor momento e ainda mais unidas para que fossem campeãs. Seria a primeira vez que um time estreante chegava na final com chances reais de ganhar. Elas queriam escrever o nome delas na história do Santo Amaro e na história daquela cidade. Era o mínimo que mereciam após tanto esforço e após tantos altos e baixos naquele ano.
– Até onde sabemos, eu e Beca seremos as únicas restantes, né? – Carla falou fazendo um bico com os lábios
– Meninas, não vamos pensar nisso agora, precisamos focar na final e arrasar com aquelas… – Cami salvou o momento já que Beca e Nina começaram a trocar olhares sem saber como interromper o assunto
– Sem xingamentos antes, Cami. Deixa todo esse vocabulário chulo para o momento do jogo! – Juca comentou e todas riram, deixando o clima mais leve e já se encaminhando para o campo. Negão já as esperava.
O treino foi ainda mais pesado do que elas esperavam. Negão disse que elas estavam em perfeita forma física e tática, mas queria treinar um pouco mais, por isso, propôs que armassem um jogo delas contra o time dos meninos no recreio da próxima quarta. Assim, elas teriam a chance de colocar em prática algumas jogadas antes da grande final. Sem pensar duas vezes, todas elas aceitaram o desafio e começaram a se vangloriar de que os meninos não eram páreo para elas. Internamente, Beca gostou da ideia de acabar com Jogui mais uma vez e na frente de toda a escola. Talvez ela ainda precisasse de mais uma vingança sutil contra o menino.
Assim que Negão liberou as meninas, Carla e Juca ainda ficaram um tempo andando pelo campo enquanto todas as meninas iam para o vestiário.
– Estou com saudades de você! A gente mal consegue se beijar aqui na escola – Juca falou enquanto entrelaçava sua mão na de Carla
– Você está querendo terminar? – Carla vinha pensando constantemente nisso. Acreditava que Juca não seria capaz de aguentar a pressão e a distância
Na mesma hora, Juca parou de andar, virou de frente para namorada e pôs as mãos em seu rosto para que seus olhos se encontrassem e se focassem.
– Da onde você tirou isso? – a voz calma de Juca, levemente rouca fez Carla suspirar fundo
– Você não tem motivos para aguentar essa pressão toda, além do mais, eu sou só uma criança manipulada pelos pais… – os olhos de Carla foram parar no pé de Juca
– Ei, olha pra mim – Juca falou e Carla obedeceu, já com lágrimas se formando – você é o motivo para tudo isso. Estar com você não é só corpo e sexo, é saber que você é minha o tanto quanto eu sou sua. Você é minha? – Juca perguntou vendo uma lágrima solitária insistir em fugir dos olhos de Carla
– Claro que sou. Eu nem sabia que eu poderia ser de alguém até…até você aparecer! – Carla falou se controlando para não chorar ainda mais
– Então é só isso que basta, minha criança! Eu posso estar com saudades do seu corpo, dos seus beijos e dos seus toques, mas não tem problema algum se eu sei que você é minha!
Juca escorregou as mãos até a cintura de Carla e a beijou com toda a saudade que vinha tendo. Deixou que seus lábios se encontrassem e suas línguas se reconhecessem como da primeira vez. Ela nunca havia se sentido dessa forma por alguém, mas parece que aquela singela menina, calma e cheia de inseguranças mexia com todas as suas bases e a deixava ainda mais entregue. Carla fez ela descobrir que o amor era uma coisa boa e que deixava as pessoas serem suas melhores versões. O amor valia a pena. Foi isso que Juca descobriu desde o primeiro momento que flagrou os olhos de Carla perdidos nos seus. Tudo valia a pena pelo amor.
Carla não cansava de pensar em como faria para fazer seus pais aceitaram o namoro com Juca. Diariamente ela tinha briga com eles porque todas as vezes que perguntavam sobre o relacionamento ela afirmava que continuava firme e forte e eles relembravam do quanto aquilo era errado e podia atrapalhar a vida dela. Nas últimas vezes, ela passou a discutir com eles, responder e por fim, chorar até cansar e cair no sono. Eles insistiam de que aquele comportamento rebelde era influência de Juca e Carla reforçava que aquilo não era rebeldia, era apenas uma luta por direitos. A menina começou a considerar mudar de cidade por causa dos pais, talvez tentar entrar em uma faculdade antes do tempo normal em algum lugar bem longe dali. Talvez ela quisesse que Juca fosse junto com ela ou talvez ela esperava que com essa ameaça seus pais amolecessem. Eram muitas perguntas e muitos talvez em sua mente. A única certeza que parecia acender em todos os momentos era de que ela permanecia querendo Juca ao seu lado. Dessa certeza ela não desistiria nunca.
Depois do treino daquela sexta, assim que todas se despediram na entrada do colégio, Beca e Nina seguiram para a casa da mais nova. Diogo daria aulas extras o resto da tarde e elas estavam com saudade de um tempo só delas. Beca estava cada vez mais empolgada com a viagem e Nina ainda vinha pesquisando formas de convencer os pais a ficar um ano ao invés de seis meses no Estados Unidos. Talvez ela tentasse algo relacionado ao futebol, mas tinha noção de que não era um pequeno prodígio como sua namorada e talvez ela não se destacasse tanto quando chegasse lá, por isso, já estava pesquisando oportunidades e havia ficado bem interessada em um curso de técnica de goleira que ela havia visto. Talvez fosse um caminho a seguir depois dos seis meses iniciais, ela ainda vinha pensando nisso.
– Está com fome? – Beca perguntou assim que entraram em seu quarto
– Estou, mas antes vem cá, quero te mostrar uma coisa – Nina deixou a mochila no canto de sempre, pegou o celular e esperou sua namorada sentada na cama
Assim que Beca se aproximou da menina, seu braço foi puxado e ela caiu deitada em cima do corpo de Nina, que agora ria e havia deixado o celular de lado.
– Era isso que você queria me mostrar? – Beca perguntou acariciando as bochechas ainda vermelhas de Nina
– Queria te mostrar que estou com fome sim, mas de você – os lábios de Nina não foram gentis ao procurar os de Beca.
Elas sentiram os corpos esquentarem instantaneamente. Beca sabia que Nina estava com saudades de sexo e para ser bem sincera, ela também estava com saudades de sentir a pele de sua namorada esquentar em contato com a sua, por isso, não demoraram em tirar as roupas e enroscarem as pernas e braços como só elas sabiam fazer. Nina beijava o pescoço de Beca com dedicação enquanto a mais nova deixava sua mão acariciar o bico do seio de sua namorada. Ela apertava com mais força quando sentia os dentes de Nina marcarem sua pele em reação ao estímulo. Era como se soubessem exatamente o que poderiam causar uma na outra e gostassem disso.
Não demorou muito para que Nina escorregasse sua mão pela lateral do corpo de Beca e chegasse ao meio de suas pernas descobrindo uma fenda melada, quente e pronta para receber dois dedos, sem pestanejar, Nina atendeu aos pedidos que pareciam vir dali e começou a penetrar Beca com pouca velocidade. Apesar da saudade e do fogo que a consumia, ela não pretendia acabar com aquele momento tão rapidamente. Os gemidos de Beca sussurrados em seu ouvido a deixavam com mais vontade de fazê-la sentir prazer. Colocou mais um dedo e sentiu as pernas de sua namorada fraquejarem levemente. Sorriu com a reação que causou e passou a acelerar seus movimentos enquanto mantinha seus lábios grudados nos seios dela. Beca não resistia aos estímulos em vários lugares ao mesmo tempo.
Completamente entregue, Beca apenas tinha forças para respirar e gemer conforme sentia aquele prazer que começava entre suas pernas, se alastrar por todo seu corpo. Era como se ela estivesse sendo arrastada no colo até a beira de um precipício que ela já conhecia e estava mais do que satisfeita de mergulhar mais uma vez. Ela conhecia aquela sensação que o corpo de Nina causava nela e estava ansiosa para o salto final. Sua namorada trocou de posição deixando ela por baixo. Nina, que assistia as feições de Beca mudarem conforme o orgasmo se aproximava, se dedicava ao movimento de entrada e saída que fazia com a mão e aos beijos e lambidas que dava nos seios de Beca. Percebendo que ela estava próximo do orgasmo, arrastou seu corpo, sem desgrudar os lábios da pele da menina, até que sua boca encontrasse sua mão no meio das pernas da namorada. Assim que sentiu seus dedos serem pressionados, mostrando que ela estava perto, Nina não demorou mais um segundo para chupar com vontade o clitóris já inchado de Beca. E com apenas o toque dos lábios naquele local tão sensível, Beca se derreteu em um orgasmo delicioso na boca de Nina que se satisfez com o sabor que ela mais gostava no mundo, o sabor de Beca que só ela conhecia.
O salto do precipício veio como uma libertação para Beca. Era como se ela tivesse saltado, criado asas e voado. Talvez esta seja a sensação de estar com Nina. Sensação de voar, de pular, de ter asas. De ser livre e ser dela ao mesmo tempo.