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Filme Americano – Cap 112

Carla
 
Eu não deveria confiar em Beca da próxima vez que ela me disser que vai comprar bebidas para mim. Aquela tal de Ice tinha um gostinho bom de limão e nem parecia conter álcool. Com o calor que fazia e acompanhando as carnes do churrasco, a bebida descia agradavelmente, deixando um rastro fresco pelo meu corpo. Em compensação, eu já estava vendo tudo em câmera lenta e sabia que deveria parar naquele exato momento. Na minha mão, uma latinha quase cheia me deixava na dúvida. Será que eu ainda aguentaria terminar aquela? Ou será que não daria muito certo? Naquela dúvida, enquanto eu encarava o buraco por onde o líquido saía, não me dei conta de que Nina havia chegado ao meu lado.
– Parece que minha namorada estava tentando te embebedar, não é? – ela riu e eu tinha certeza que meu estado alcoólico já estava aparecendo mais do que eu imaginava
– Melhor nem terminar essa, né? – falei piscando um pouco lento demais
– Bom, se você vai voltar de moto com a Juca, para o bem do seu estômago, acho melhor você me dar essa latinha e pegar esse copo de coca que eu trouxe pra você! – Nina era o tipo de pessoa que parecia super relaxada sempre, mas a verdade é que ela passava boa parte do tempo tentando cuidar de todos a sua volta. Eu realmente tinha sorte de ter aquelas amigas
– Tive muita sorte de conhecer vocês esse ano… – as palavras saíram logo depois do primeiro gole de coca entrar e borbulhar no meu estômago
– Realmente, esse ano foi diferente de todos os outros – a voz de Nina estava risonha, provavelmente por minha causa – um time de futebol feminino no Santo Amaro, eu me apaixonando perdidamente, novas e especiais amigas e você com sua primeira experiência com o álcool…teremos muito o que comentar sobre este ano!
Nós rimos bobamente, depois ela passou os braços pelo meu ombro e me levou para encontrar o resto do grupo. Estávamos só de roupas de banho, em uma parte mais afastada do gramado enquanto uma ducha e uma mangueira refrescavam nossos corpos. Não demorou muito para que a água gelada, junto com os vários copos de coca que eu tomei, diminuíssem os efeitos daquela bebida. Nota mental: nunca mais deixar a Beca escolher minhas bebidas. Ela havia bebido a mesma coisa que eu e ainda estava herdando a latinha que eu dispensei na mão de Nina e não parecia minimamente afetada. Eu devia ser muito fraca mesmo.
Não demorou para que Juca e Nina entrassem em alguma espécie de disputa de embaixadinhas enquanto Beca contava em voz alta o número de quiques que a bola dava. As duas eram extremamente competitivas e sempre disputavam pela liderança do grupo. Beca, que gostava de mandar e de se destacar, apoiava sua namorada, enquanto Juliana, minha cunhada, mantinha sua pose de superior como se aquelas briguinhas não fizessem parte de sua vida. Mas ela sempre dava um jeito de apoiar a irmã e equilibrar aquela disputa. Já eu? Apenas ria e observava com todo o amor do mundo aquelas quatro enfeitarem meus dias. O dia passou como um jato. Eu não conseguia me conformar em como o tempo passava rápido quando as coisas boas estavam acontecendo.
– Será que minha namorada já quer ir pra casa? – Juca me abraçou por trás me oferecendo uma colher do brigadeiro que havíamos acabado de fazer
– Depende se minha namorada está querendo ir, hoje eu estou sob suas ordens! – os braços de Juca encostando na minha cintura, ainda desnuda pela falta de blusa por cima do biquini, me apertaram ainda mais e eu sabia que ela gostava quando eu chamava ela de namorada.
– Você está bem? Vi que bebeu algumas latinhas a mais de Ice… – a preocupação em sua voz me deixou nervosa e ao mesmo tempo feliz
– Agora estou melhor, mas aquela bebida é mais forte do que parece… – admiti ouvindo um sorriso escapar em minha orelha direita
– Ela não é forte, amor, você que não está acostumada…mas fico feliz que esteja bem! Ainda tenho planos para mais tarde com você! – eu gelei. Meu corpo tensionou no mesmo instante que ela depositou um beijo atrás da minha orelha e respirou fundo ali mesmo. O calor, já conhecido, subiu pelos meus pés se concentrando entre minhas pernas e eu apertei seus braços em volta de mim ainda mais. Ela pareceu perceber o meu nervosismo e sorriu novamente com os lábios ainda grudados na minha pele
– Acho que podemos ir já… – respondi sabendo que estava mais vermelha do que o carvão em brasa
Não demorou nada para que nos despedíssemos das meninas. Juliana iria pegar um táxi até em casa, que não era longe, disse que precisava se arrumar para sair novamente. A minha cunhada tinha uma vida mais agitada do que eu poderia imaginar e pelo que Juca falava, ela sempre ficava com esse fogo de sair quando estava solteira. Beca e Nina ficariam em casa arrumando a bagunça, já que os donos da casa deveriam estar chegando a qualquer minuto do trabalho. Nem todos tinham a sorte de emendar o feriado igual a nós.
A volta de moto foi ainda mais tranquila. O trajeto não durou mais do que quinze minutos e Juca foi tão cuidadosa e responsável quanto na ida, senão mais, devido ao horário e a maior quantidade de veículos na rua. Estacionamos na garagem no mesmo momento que Juliana desceu do táxi na porta da enorme casa. Uau. Eu ainda não havia conhecido a casa das irmãs e não poderia imaginar tudo isso.
– A casa é herança de família, nós só precisamos reformar algumas coisas de vez em quando e mante-la em um estado bom – Juca me explicou enquanto passava o braço pelo meu ombro e me levava em direção a porta, que já tinha sido aberta e deixado assim por Juliana
– Mas é linda! – comentei ainda analisando a arquitetura moderna com toques clássicos nas janelas e nas portas das sacadas do segundo andar
– Ela é linda mesmo, meu bisavô tinha muito bom gosto e meu avô mais ainda, ele que melhorou e muito. Antes ela era uma casa simples, mas ele a transformou nessa mansão maravilhosa. E sejamos honestas, meu pai é apaixonado por esta casa e cuida dela melhor do que cuida da gente! – nós já estávamos na sala e eu permanecia maravilhada e boquiaberta conforme íamos andando. A sala era ainda mais linda e agora sim eu poderia ver a decoração totalmente moderna e tecnológica
– Eu ouvi esses ciúmes! – a voz grossa nos assustou e rapidamente eu percebi que havia mais uma pessoa no ambiente
– Oi, pai! Estava escondido aí para nos assustar? – o homem estava sentado em um sofá com a luz apagada e com um tablet nas mãos, parecia estar lendo, mas sua expressão era séria e não demorou para seus olhos encararem os meus. Eram negros e fortes. Faziam lembrar os de Juca.
– Posso saber quem é a menina bonita que você queria impressionar com a minha moto? – ele parecia debochado e seu jeito me fez lembrar o sarcasmo de Juliana
– Pai, essa é a Carla, minha namorada – eu estava vermelha, muito vermelha, eu sabia que se houvesse um buraco no chão, eu me enfiaria no mesmo momento
– Essa é nova! Juca chegando em casa com uma namorada, eu preciso até levantar para verificar isso – rapidamente o homem deslizou seu corpo até mais para perto e então eu pude perceber que ele era mais alto que nós, mas seu rosto era calmo, parecia brincalhão e pronto para nos fazer rir – eu nem te conheço, mas eu já sei que você é especial! Essa garota aqui, mais conhecida como minha filha, nunca trouxe uma namorada para casa! Eu não sei que drogas você está dando a ela, mas continue, por favor
– Eu acho…que não estou dando drogas a ela, senhor… – minha voz escorreu pelos lábios sem que eu tivesse muito controle, eu senti meu corpo se retrair e rapidamente os braços de Juca vieram para o meu pescoço novamente, como se me puxando para o corpo e para o colo dela
– Pai, se controle, por favor! – ela riu falando com o pai a sua frente
– Estou super controlado, porém, não quero mais essa coisa de senhor por aqui, ainda sou um garotão para esse tipo de chamamento. Me chame de Jonas, ok, Carla? – ele estendeu sua mão para mim e sorrindo, ainda sem graça, segurei em um aperto firme confirmando a apresentação
– Antes que minha namorada resolva fugir de vez, nós vamos lá para o quarto, tá? – Juca falou beijando o rosto do pai e eu achei aquela cena de um carinho tão grande que não cabia em mim de tão boba que estava
– Ei, juízo vocês hein! – ele falou ainda brincalhão e antes de começar a subir as escadas, percebi que ele tinha voltado a leitura em seu tablet
– Seu pai não se importa que eu durma aqui? – perguntei a Juca já no corredor do segundo andar
– Ele só permite que durma aqui quem namoramos, não pode ser qualquer pessoa, mas como ele mesmo diz “prefiro que façam o que tiver que fazer em casa do que não saber onde estão”, por isso, ele deixa a gente trazer namorados e namoradas pra cá
– Até que faz sentido
Caminhamos mais alguns passos pelo corredor de madeira e paramos em frente a uma porta com uma pequena placa com o nome de Juca pendurada. Ela parecia estar um pouco ansiosa para me mostrar o seu quarto, mas não demorou e acabou por abrir e me dar passagem. A cama de casal, parecia ser a coisa mais confortável que eu já havia visto. Estava levemente desarrumada, com um edredom grosso um pouco embolado em cima. De frente para a cama, uma televisão grudada na parede e embaixo da janela, que ficava na parede em frente a porta, uma bancada que tomava toda a extensão. Um notebook fechado no canto, alguns papéis e porta retratos espalhados e uma boa extensão de livros. O quarto de Juca parecia mais clean do que eu imaginava.
– Não gostou? – a voz estava atrás de mim e parecia nervosa pela minha resposta
– É diferente do que eu imaginava… – admiti tímida demais
– Diferente para melhor? – ela perguntou e eu sabia que ela estava ansiosa pela minha aprovação
– É mais calmo do que eu achei que poderia ser… – falei ainda sem encarar Juca
– Que bom que gostou, espero que você venha dormir comigo mais vezes! – ela me abraçou por trás e beijou meu pescoço de forma calma, tranquila, sem segundas intenções
– Uma coisa de cada vez, amor… – respondi sabendo que isso não seria tão simples assim
– Adoro quando você me chama assim – ela virou meu corpo para ficar de frente para ela e antes que eu pudesse responder, tomou meus lábios para si em um beijo apaixonado, cheio de línguas, saliva e lábios grudados.
Nossos corpos foram caminhando em direção a cama e não demorou para que estivéssemos deitadas em cima do edredom macio trocando beijos e carinhos. Era impressionante como Juca permanecia com as mãos nos lugares certos. Em nenhum momento ela tentou nada mais ousado ou ultrapassou os limites que eu já havia dado. Não era fácil me controlar com aqueles beijos quentes e aquelas mãos pressionando minha cintura por cima da blusa, mas eu não queria que as cosias acontecessem de uma hora para outra. Eu precisava de ar e de um banho. Me afastei dela, respirei fundo e pedi para tomar uma ducha. Ela apenas sorriu, passou as mãos pelo cabelo bagunçado e me levou até o banheiro, que ficava escondido em uma porta da mesma cor da parede. E ele era enorme. Tinha até banheira dentro. Ela me estendeu uma toalha e me mostrou a tranca da porta. Eu levei minha roupa de dormir e uma calcinha limpa. Não tranquei a porta, eu sabia que ela não entraria ali sem minha permissão, apenas a fechei e enfiei meu corpo embaixo do chuveiro gelado. Bem gelado.
— / —
Estávamos deitadas na cama de Juca, com o computador em cima de nós, assistindo ao último episódio da série que acompanhávamos e que tinha acabado de sair. Ela parecia concentrada no que passava e eu só conseguia ver as expressões dela e como seus olhos se modificavam quando ela sorria ou quando ela fazia cara de séria para a tela. Eu já havia me perdido do que estava acontecendo para admirar seu rosto. Depois que eu tomei banho, foi a vez dela entrar no banheiro. Eu aproveitei que estava sozinha para ligar para os meus pais e os tranquilizar. Disse que já estava na casa de Beca e que iria dormir em breve, assim eles não iriam me pentelhar tão cedo. Ela não demorou muito e assim que saiu pegou o computador. Ela sabia que eu estava nervosa e queria fazer de tudo para me relaxar.
– Você está perdendo a melhor parte! – ela sussurrou ainda sem me encarar
– Não consigo prestar atenção – admiti tímida
– Está tão chato assim? – agora ela me encarava e acariciava meu rosto de leve
– Não está chato, mas você é mais interessante – eu não sabia como tinha forças para falar aquelas coisas para ela
O sorriso da minha namorada veio acompanhado de um olhar apaixonado e de uma nova coloração em seu rosto. Eu havia a deixado sem graça e isso era muito raro. Sorri com meu feito e ela percebeu que eu havia reparado em sua reação. Sem falar nada, ela fechou o notebook, levantou para deixá-lo na bancada e voltou para a cama, me puxando para deitar metade em cima de seu corpo.
– Ninguém consegue me deixar sem graça, isso é maldade – ela resmungou enquanto passava a ponta do dedo pelo meu rosto
– Pelo visto, eu consigo…mas não se preocupe, será um segredo só nosso! – me gabei brincando com a ponta do seu nariz
– Você consegue muito mais do que isso – a voz dela agora era séria, como se ela estivesse prestes a confessar algo
– Não fala assim, eu fico… – eu ia falar, mas ela pousou um dedo em meus lábios e não deixou que eu continuasse
– Você me deixa boba, me deixa feliz, me deixa realizada, me deixa completa e me deixa ainda mais apaixonada por você todas as vezes que fica tímida ao meu lado, você me deixou totalmente entregue a você e me deixou tão entregue que eu fiz coisas que nunca havia feito por ninguém. Eu me sinto bem em ficar assim por você, não tenho medo ou receio. Eu te amo e isso tem me deixado diferente, mas um diferente bom, um diferente que eu não quero parar de sentir.
Como responder a declaração de alguém que fala tudo isso enquanto encara seus olhos com uma firmeza digna de um advogado defendendo sua causa? Como responder as palavras de uma menina que tinha tudo para esmagar meu coração, mas que na verdade, apenas vinha cuidando dele com todo o amor do mundo? Como responder àqueles olhos brilhantes, que eu não sabia se eram brilhos naturais ou lágrimas que poderiam estar surgindo? Como responder quando seu coração parece que vai sair do peito de tão rápido que ele estava batendo?
– Eu te amo – eu não tinha outra forma de responder
Eu não esperei que Juca falasse mais alguma coisa. Apenas estiquei o meu corpo um pouco e diminuí a distância que havia entre nós. Repousei as duas mãos em seu rosto e deixei que meus lábios encontrassem os dela. Senti seus braços envolverem minha cintura e me puxarem para ficar com o corpo todo em cima do dela. Nossas bocas, já abertas, matavam a saudade que estavam sentindo uma da outra. Nossas pernas, automaticamente, se acomodaram umas entre as outras e a coxa malhada de Juca pressionava o centro quente do meu corpo. Eu sabia o que estava prestes a acontecer, eu sabia que iria mergulhar em uma montanha russa de sensações e eu estava ansiosa para que aquilo continuasse a acontecer. Apenas deixei que os beijos se tornassem cada vez mais possessivos e quentes e cheios de segundas intenções. Eu nunca havia sentido Juca me beijar daquela forma, mas eu sabia que naquele momento, deitadas em sua cama, com poucas roupas e com os corpos grudados daquela forma, as segundas intenções apareciam.
Minhas mãos estavam ansiosas para sentir a pele quente de Juca. Eu não sabia como deveria fazer, mas sabia que se eu não tomasse uma atitude, Juca não passaria dos limites que eu havia imposto, por isso, juntando todos os pingos de coragem que haviam dentro de mim, eu coloquei a mão por baixo da blusa larga que Juca usava. Eu sabia que ela estava sem sutiã, seus peitos pequenos marcavam a blusa de vez em quando e eu já me sentia nervosa só de saber que não haveriam muitos panos no meu caminho. Assim que minhas mãos espalmaram em sua pele branca e quente, as mãos de Juca se permitiram invadir a minha blusa de pijama e alisar minhas costas com um pouco mais de força. Não controlei a respiração profunda que entrecortou nosso beijo.
Ao reparar na minha mudança de fôlegos, Juca mudou nossa posição, me deitando em sua cama com carinho e acomodando minha cabeça em seu travesseiro. Minhas pernas acomodavam uma de suas pernas e sua coxa pressionava o ponto, já molhado, entre as minhas pernas. Eu não conseguia encarar seus olhos por muito tempo, mas sabia que ela precisava disso para ter a certeza de que poderíamos continuar deixar aquela nova sensação dominar o momento. Então, eu a olhei, e depois de a olhar, não consegui me concentrar em outro ponto senão aquele brilho que havia em seu rosto. Na verdade, os dois faróis que iluminavam aquele rosto que eu me perdia todas as vezes que eu via. Ela estava se controlando para não ir rápido demais e eu sabia disso. Apenas sorri, da forma que consegui para ela e em troca, seus dedos acariciaram meu rosto, como em uma forma de agradecer por estar ali, agradecer por eu me entregar a ela com tamanha confiança.
– Você tem certeza? Se quiser… – ela precisava ouvir e eu não iria deixar de falar
– Eu já sou sua, não tem mais volta – eu respondi levantando minha cabeça até ficar com os lábios bem próximos aos dela, senti sua respiração descompassar e seu hálito se misturar ao meu em um novo beijo.
As mãos agora não esperavam mais as minhas. Assim que nos deitamos, com o corpo sobre o meu, Juca invadiu por baixo da minha blusa e com todo o carinho possível, empurrou o pedaço de pano até que ele passasse por minha cabeça, me deixando apenas com um top que eu havia colocado por ter vergonha de ficar sem sutiã. Ela sorriu para o meu corpo desnudo e mesmo que ela já conhecesse toda aquela área, agora era diferente. Eu, timidamente, segurei a barra de sua blusa e puxei de leve, sem saber como eu deveria fazer aquilo, mas ela não deixou que eu ficasse ainda mais deslocada, apenas puxou a própria blusa e deixou que eu visse seus seios pequenos desnudos. Elas estavam empinados e eu sabia que era por causa do tesão que já nos dominava. Eu olhava descaradamente e minha respiração descompassava.
– Pode tocar, se quiser – ela falou e eu sabia que não era por maldade, era apenas para me dar liberdade
Sem hesitar, levei uma das minhas mãos até seu seio direito, enquanto a outra ainda estava apoiada em sua cintura. Percebi os olhos se fecharem assim que eu acariciei a carne macia. Eu não sabia o que deveria ou não deveria fazer, apenas deixei que meu instinto tomasse conta e quando percebi, estava segurando seu mamilo entre meus dedos, sem muita força, mas o suficiente para arrancar um gemido baixo da garganta de Juca. O seu gemido pareceu ter acendido todo meu corpo e de repente eu estava beijando seu pescoço enquanto ela respirava ainda mais fundo em meu ouvido. Minha mão estava gostando de brincar em seus seios.
– Posso tirar seu top? – sua pergunta surgiu sussurrada em meu ouvido enquanto eu marcava seu pescoço com beijos e mordidas
Mais uma vez eu não respondi, apenas deixei que ela afastasse seu corpo um pouco e subi meu corpo agarrando em seu pescoço para que ela desfizesse o fecho nas minhas costas. Sua experiência ficava clara nesses momentos, quando, mesmo com todo o nervosismo ela não demorou mais do que uma tentativa para soltar o aperto e arrastar as alças pelo meu braço. O vento gelado do ar condicionado atingiu em cheio meu corpo livre e eu senti o arrepio me tomar, mas nada comparado ao que veio em seguida. Com os olhos vidrados no meu, eu vi o movimento do corpo de Juca e em segundos sua língua passeava pelos meus seios. Gemi sem controlar minha voz e joguei a cabeça para trás. Nossas pernas se pressionaram ainda mais umas contra as outras e eu tinha certeza que não demoraria até passarmos para as roupas de baixo, as únicas que ainda restavam.
Os lábios descobriam novos territórios do corpo uma da outra. Eu estava gostando de sentir os seios pequenos dentro da minha boca, era bom brincar com o mamilo dela com a minha língua e melhor ainda sentir ela me apertar na cintura todas as vezes que eu fazia isso. Não era difícil seguir os instintos afinal de contas. Percebi que a primeira vez não precisa ser um terror se você se sente bem, se a pessoa que está com você é a pessoa certa e se você tem certeza de que está fazendo pelos motivos certos. E eu estava. Estava fazendo porque Juca me causava sensações novas e eu queria descobrir todas essas novidades que aconteciam dentro do meu corpo, grudada nela, causando boas sensações nela e sendo o motivo dela se sentir como eu me sentia sempre que estávamos juntas.
A coragem, que no início era pouca, foi aumentando junto com a vontade. Eu já estava com o corpo aquecido, e os beijos quentes e as mãos abusadas estavam incontroláveis. Eu pressionei a minha coxa entre suas pernas sabendo o efeito que aquilo causava. Ela gemeu em resposta, interrompendo um de nossos beijos e fez o mesmo comigo, causando um calor arrepiar minha espinha. Sorrimos de forma entregue e sincronizada sabendo que os corpos estavam querendo mais e precisando de mais. Ela, que ainda estava em cima de mim, se afastou um pouco e levou suas mãos em direção a barra do meu short. Não se moveu até que eu movi minha cabeça em confirmação. Meu coração estava passeando pelo meu corpo, batendo em todos os meus órgãos. Eu não sabia mais o que sentir e de repente, minha respiração pareceu parar de vez quando vi que ela já tinha levado meu short junto com a minha calcinha até meus pés. Eu estava completamente nua, deitada em sua cama. Percebendo minha total falta de ar, ela levantou no pé da cama, tirou sua cuequinha boxe, sem nada por baixo, e retomou sua posição original, com o corpo acima do meu, mas agora, ambas nuas. Eu não sabia mais como respirar e ela apenas acariciou meu rosto percebendo meu nervosismo.
– Você é linda demais! – ela sussurrou encarando meus olhos bem de perto
Eu não era capaz de me expressar verbalmente, então apenas sorri e a puxei pela nuca para um beijo. No início, não deixamos o calor dominar o beijo, apenas estávamos apaixonadas e trocando carinhos com as línguas, mas não demorou para que os instintos voltassem e quando me dei conta, eu pressionava minha coxa contra seu sexo, agora desnudo. Eu sentia o líquido me molhar e podia sentir os pêlos curtos que ela tinha na região. Aquilo não me incomodava, muito pelo contrário, eu gostava de saber que tinha uma mulher, e não uma menina, em cima de mim naquele momento. Ela fez o mesmo comigo e eu senti um pulsar novo aparecer na região. Novo por ser com ela, eu já havia tido orgasmos antes enquanto tomava banho, sozinha, pensando em Juca.
– Eu vou tocar em você agora, se quiser que eu pare, é só falar – Juca falou enquanto eu sentia sua mão deslizar pelo meu corpo, não respondi nada, apenas balancei a cabeça para que ela soubesse que eu tinha entendido
Não demorou muito e seus dedos estavam misturados ao líquido quente entre minhas pernas. Gemi alto. Ela sorriu contra minha pele com a minha reação e deixou que seus dedos escorregassem pelo meu líquido, me descobrindo, me testando e me fazendo respirar fundo. Ela beijava meu corpo inteiro enquanto passeava com os dedos por ali. Eu não sabia quais sensações eram melhores. Seus lábios brincando nos meus seios ou seus dedos se misturando ao líquido quente entre as minhas pernas. Eu estava próxima do orgasmo, mas não queria que acabasse aquele momento. Eu queria que durasse pra sempre.
– Se machucar, você me avisa, tá? – a voz de Juca me pegou de surpresa
Ainda de olhos fechados senti um de seus dedos deslizar por toda minha área molhada até chegar na entrada, quase fechada, do meu corpo. Eu sabia que ela tiraria minha virgindade naquele momento, pelo menos de forma fisiológica, e eu sabia que aquilo poderia doer. Mas meu corpo estava anestesiado, era como um passeio de balão em meio as nuvens. Eu estava segura pelo balão, mas poderia estar voando nos céus. Senti seu dedo deslizar com facilidade devido ao líquido quente e senti um pequeno repuxão na minha pele naquele local. Não era nada dolorido, apenas um pouco incômodo. Sem perceber, minha respiração havia mudado naquele momento e o dedo de Juca havia parado dentro de mim. Ela estava me dando o tempo que eu precisava para me acostumar com o incômodo e tendo toda a paciência do mundo comigo, enquanto continuava a distribuir beijos por toda a extensão de pele que ela era capaz de alcançar.
Mexi meu quadril contra seu dedo, deixando que ela se movesse dentro de mim. A sensação desagradável passou rápido e não demorou para que ela repetisse o movimento, agora de saída e entrada, repetidamente, vagarosamente, sensualmente, deliciosamente. Meu corpo inteiro acompanhava o entra e sai de seu único dedo enquanto ela usava o outro para massagear o meu ponto de pulsação entre as pernas. Eu estava próxima de chegar no auge, ela sabia disso e eu também. Senti ela avançar com mais um dedo para minha entrada e um medo percorreu minha espinha. Assim como na primeira vez, ela deixou que os dedos deslizassem lentamente para minha entrada e esperou que meu corpo se acostumasse com a sensação de ter mais um dedo dentro de mim. Dessa vez o incômodo passou mais rápido do que a primeira e meu quadril já se mexia, como se tivesse vida própria, em direção aos seus dois dedos dentro de mim. Ela riu com os lábios em minha bochecha pelo meu desespero, que parecia crescer agora.
Os olhos negros e brilhantes encontraram os meus e eu vi seu sorriso mais lindo. Aquele apaixonado, aquele bobo e com um pequeno toque de safadeza, aquela safadeza natural de todos nós que deixa o corpo quente e molhado só de pensar. Seu dedão continuava me estimulando externamente enquanto seus dois dedos entravam e saíam de dentro do meu corpo. Eu sentia o calor aumentar e os tremores começarem nas minhas pernas. Eu sabia que meu corpo estava indo rápido demais para o abismo daquela sensação. Era como seu o balão quisesse sumir entre as nuvens e eu estivesse gostando dessa ideia. Puxei a nuca de Juca para mais perto, mas não conseguia beijar devido a respiração ofegante e os gemidos baixos que escapavam de minha garganta. Ela apenas levou os lábios até minha orelha e eu pude sentir o hálito quente e ofegante dela bater na minha pele. Aquilo estava me empurrando ainda mais rápido para o orgasmo.
Então, ela tirou os dois dedos de dentro de mim, deixando um pequeno vazio, mas intensificou sua massagem em meu clitóris, me fazendo esquecer da penetração por um momento e fazendo meus olhos revirarem com o movimento rápido no local. Estava acontecendo. Senti minhas pernas tremerem e fraquejarem em seguida e eu sabia que não tinha mais volta. Já na beira do precipício, senti o corpo dela grudar ainda mais no meu, deixando apenas o espaço necessário para seu braço passar. Senti seus lábios se aproximarem ainda mais do meu ouvido e sussurrarem
– Eu te amo, minha namorada
Eu pulei do precipício e sorri abertamente.