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Filme Americano – Cap 111

Narrador
 
Após o jogo, Beca e Nina ainda ficaram um tempo na pracinha conversando com os meninos do time que haviam completado. Parece que a cidade era realmente pequena e todos já sabia do que havia acontecido na escola e Joguí estava com a ficha bem suja entre eles. Como o capitão do time disse em algum momento, isso é inveja porque ele perdeu a namorada e ainda por cima não é tão bom quando Beca. Por mais que elas soubessem que o grande problema de Joguí havia sido o ego machucado, não discutiram, até acharam melhor eles acreditarem que o problema era mesmo o futebol. Sem exceção, todos os meninos aprovaram o namoro de Beca e Nina e ainda avisaram que estariam de olho caso a menina fizesse a melhor amiga deles sofrer. Nem Beca sabia que era tão querida por ali, ficou emocionada e ainda ganhou vários abraços dos amigos.
Após a partida, voltaram pra casa, com o dia já chegando ao fim e tudo que elas queriam era um bom banho e ficar de pernas pro ar.
– Amor, toma banho comigo? – Nina perguntou assim que tirou o tênis e já ia puxando a blusa
– Vai indo, Ni! Vou dar um jeito aqui e verificar se está tudo certo no sistema das aulas…não quero problemas com meu pai! – Beca falou enquanto levava a namorada até o banheiro – Se você ainda estiver aí quando eu terminar, te encontro, tá?
– Tá bom! Só vou deixar porque não quero problemas com meu sogro também!
Assim que o chuveiro foi ligado, Beca sentou na mesa do computador e acessou o sistema apenas para descobrir que continuava adiantada em todas as suas matérias. Os exercícios para o feriado já haviam sido colocados no início da semana e ela acabou por fazê-los o mais rápido que conseguiu para curtir o tempo livre ao lado de Nina. Rapidamente saiu da página do colégio e resolveu passear um pouco por sites de esporte, como ela sempre gostava de fazer. Foi exatamente em um anúncio numa página qualquer que seus olhos brilharam e seu coração acelerou. Estude em uma das melhores universidades do mundo patrocinada pelo futebol. Talvez fosse a vida lhe dando sinais de que deixar fantasmas pra trás era a melhor coisa a se fazer para que o futuro se abrisse para ela.
Carla
 
Eu havia passado o domingo inteiro estudando. Era essa a condição da minha mãe para que eu pudesse ir ao churrasco com as meninas sem maiores problemas. Eu entendia que isso fazia parte da preocupação com o meu futuro, mas eu queria muito que meus pais relaxassem um pouco, e eu nem queria muito, queria apenas um pouco. Além do mais, eles sabem muito bem que minhas notas sempre foram excepcionais, exceto depois que Juca apareceu, eu me perdia tanto em pensamentos enquanto estudava que acabei tirando menos de dez em duas matérias. Ainda assim, nunca tirei menos que nove em nada. Mas Juca me fazia perder a cabeça em pensamentos. Era difícil me concentrar ao lembrar das flores e do seu pedido de namoro, do perfume forte que ela usava sempre e da forma como ela me envolvia em seu corpo como seu eu fosse uma menina indefesa. Se meus pais sonharem com isso, acho que serei uma filha órfã.
Finalmente consegui os convencer, depois de horas de conversa de que após o churrasco eu dormiria na casa de Beca e no dia seguinte estudaríamos juntas. Como ela era filha do professor, meus pais tinham uma tendência a confiar ainda mais nela. Era horrível mentir pra eles, mas como eu iria explicar a verdade? “Pai, mãe, estou indo dormir na casa da Juca, que vocês não conhecem direito, e que também vem a ser minha namorada. Beijo!” Acho que seria o meu fim caso eu tentasse. Preferi não arriscar. Já mandei até uma mensagem para Beca avisando e caso eles ligassem pra ela, estava tudo combinado.
– Oi, amor, pode descer! – só de ouvir a voz de Juca ao telefone, me sentia arrepiada e com o estômago embrulhado
Desliguei apenas confirmando com um murmúrio, me despedi dos meus pais e corri para o elevador. Não aguentava mais de saudade. Desde sábado a noite, quando Juca apareceu no meu prédio de madrugada, que não nos víamos. Precisamos disso para que eu estivesse livre para o churrasco e para dormir fora. Assim que saí do elevador e cruzei o portão, a vi encostada em uma moto desconhecida para mim e com um capacete nas mãos e outro no guidom. Gelei.
– Cadê a Ju? – perguntei com a voz baixa para não chamar a atenção dos meus pais, meu apartamento era relativamente baixo
– Ela acordou de ressaca e estava demorando demais e como eu estava com saudades, vim te buscar e nos encontramos na casa de Beca – ela respondeu com um sorriso maior que o mundo, o que me fez ficar nervosa imediatamente
Andei até ela e a abracei apertado. Ela sabia que não podíamos nos beijar ali e respeitava o espaço que eu precisava para não bater de frente com meus pais. Eu não estava pronta para as possíveis consequências e não iria saber como lidar com uma possível distância da minha namorada. Minha namorada ainda era tão diferente e ao mesmo tempo, tão bom pensar assim.
– Vamos? – ela me ofereceu um capacete e eu cerrei os olhos tentando entender – essa moto é do meu pai e ele só deixa eu dirigir bem de vez em quando, mas parece que ultimamente tenho sido uma filha exemplar e acabei ganhando o direito de levar minha namorada para o churrasco, motorizada! – a felicidade em seus olhos e o brilho que eles exalavam foram o suficiente para me fazer ficar feliz também. Apesar de estar morrendo de medo.
– Só faça com que sua namorada permaneça viva, por favor! – falei quando já estávamos acomodadas sob as duas rodas
– Essa parte eu garanto! – ela respondeu sem olhar para trás, apenas acariciando minha mão que envolvia sua cintura e virando a chave do motor
Eu precisava admitir que ela sabia dirigir aquela moto muito bem e era impossível negar que ela ficava incrivelmente sexy com o olhar compenetrado e com aquela jaqueta de couro que ela usava para pilotar a moto. Eu nunca a havia visto tão mulher quando naquele momento e só de pensar nisso, minhas pernas tremeram e eu senti um calor subindo por entre minhas pernas. Eu não era uma idiota, sabia o que isso significava, mas ainda era virgem e não sabia o que vinha depois. E eu ia dormir com ela. Droga. Eu ia dormir com ela. Droga. Tudo errado. Acho que estou surtando. Preciso conversar com a Beca o mais rápido possível!
Assim que voltei a realidade, já estávamos na sala de Nina e caminhando para o jardim onde a churrasqueira já estava preparada e as cervejas gelando. Eu não gostava daquele liquido amarelo, então, Beca comprou uma outra bebida, que ela chamava de Ice para mim. Disse que era fraca, tinha gosto de limão e que eu ia gostar. Ela também não gostava muito de cerveja e me acompanharia. As outras meninas continuariam na cerveja, menos Juca, que me prometeu que não beberia para não ter problemas com a moto na volta. Eu parecia uma boba apaixonada quando percebia aquelas pequenas mudanças na forma de agir dela, talvez, só talvez, eu pudesse ser a culpada por tudo aquilo. E aí, meu coração se derretia. Se desfazia e se recompunha apenas para acelerar novamente a cada sorriso que eu recebia.
– Ei, boba apaixonada, terra chamando! – ouvi a voz de Beca e antes de olhar para ela senti todo meu rosto ficando vermelho e esquentando
– Me deixa, vai…você também fica assim com a Nina! – respondi a empurrando com o ombro devagar
– Eu sei que sim, mas é bom implicar com os outros… –  ela me respondeu esticando uma latinha da tal bebida
– Amiga, acho que preciso de uns conselhos…ou talvez… – não consegui continuar e acabei por beber um grande gole da bebida gelada com gosto de limão
– Ei, vai devagar aí, isso tem álcool! – ela abaixou minha latinha e riu – vamos lá na cozinha, vem comigo
Saímos disfarçadamente deixando as outras três, Ju já havia chegado, discutindo como seria a melhor forma de ascender a churrasqueira. Me fazia bem ver aquelas meninas, que eram minhas amigas, tão juntas e em tão perfeita sincronia. Eu nunca havia tido amigas de verdade e pela primeira vez tinha um grupo para chamar de meu. Mais do que isso, nós dividíamos a paixão pelo futebol feminino e esse grupo ainda me trouxe essa garota maravilhosa que eu amava e que estava me tirando do sério.
– Pronto, pode falar! – Beca sentou na mesa que ficava no centro da cozinha de Nina e eu encostei no armário, de frente pra ela
Eu não sabia como continuar o assunto, então só abaixei a cabeça encarando meu pé e bebi um pequeno gole da latinha na minha mão. Não tinha por onde começar aquele assunto.
– Você vai dormir com a Juca hoje… – Beca começou, percebendo onde eu queria conseguir chegar – e é por isso que você está pirando, certo? – ela falou sorrindo fraco
– Está tão nítido assim? – perguntei a olhando pela primeira vez
– Na verdade não, mas eu imaginei quando soube que você ia dormir lá
– É que…eu não sei o que fazer… – finalmente coloquei pra fora o que estava me atormentando
– Não é como se existisse um manual pra isso, amiga! – A voz de Beca era calma e ela estava disposta a me ajudar, sem implicâncias e brincadeiras por enquanto
– Mas a Juca é super experiente…e eu…bom…eu…sou…bom… – meu deus, porque era tão difícil falar uma única palavra?
– Olha, isso não quer dizer nada! Cada sexo é diferente! Pode não ser a primeira vez da Juca com alguém na cama, mas vai ser a primeira dela com você, as duas são virgens nesse caso! – porque era tão simples para ela falar tudo aquilo?
– Eu to surtando, Beca! É sério! – falei rindo nervosamente
– Olha, não precisa surtar! Nervosismo é normal, você só precisa ser honesta com ela. Ela sabe que você é virgem? – a voz dela estava mais baixa e só então me dei conta que minha amiga estava a poucos centímetros de mim. Apenas balancei a cabeça confirmando sua pergunta e ela continuou – Então, o que você vai fazer é falar tudo que está sentido para ela e caso você não queira fazer nada, apenas fale, a Juca nunca seria escrota com você! – ela estava ao meu lado agora, na mesma posição
– Mas eu quero… – falei sentindo a vermelhidão dominar meu rosto e meus olhos estavam focados no meu pé que mexia nervosamente
– Se serve de consolo, você nunca vai experimentar nada melhor! Só relaxe…vai valer a pena! – Beca passou o braço por cima do meu ombro e bebeu mais um gole da latina dela. O sorriso da minha amiga estava aberto e brilhante. Ela era mais do que especial e foi um dos presentes que esse ano havia trazido pra mim
– O que vai valer a pena? – a voz de Juca nos deu um susto e saltamos no mesmo lugar
– Que susto, garota! – Beca falou exagerando e colocando a mão no peito
– Você roubou minha namorada de mim, mereceu! – só de ouvir ela me chamar daquela forma, eu já estava totalmente derretida novamente
– Já estou devolvendo, e o churrasco? Saiu? – Beca perguntou enquanto eu sentia os braços de Juca enlaçarem minha cintura e me puxar para perto
– Se dependesse da sua namorada, não sairia, mas eu e a maninha, salvamos tudo!
– Não fala assim da minha namorada! Vou lá salvar ela de vocês! – Beca saiu nos deixando sozinhas na cozinha
Não demorou para eu sentir os lábios de Juca no meu pescoço deixando beijos molhados ali. Se ela soubesse como me deixa sem forças toda vez que faz isso, não seria tão displicente de fazer isso sem algum apoio por perto. Não demorou para que os nossos lábios se encontrassem e eu sentisse a língua dela pedir passagem para encontrar com a minha. Eu já havia sido beijada antes, mas eu nunca havia sentido aquela paixão e aquela vontade que Juca me passava apenas no beijo. Era como se a vida dela dependesse só daquele beijo e eu, sinceramente, tinha certeza que a minha vida dependia só daquele beijo.
– Estava com saudades do seu beijo… – ela sussurrou contra meus lábios assim que buscamos o ar
– Você os terá pela noite toda – da onde essas palavras haviam saído? Eu não sabia!
– E eu não vejo a hora! – o sorriso que enfeitou seu rosto era diferente e eu me apaixonei perdidamente por aquela versão da minha namorada que misturava todo seu amor e romantismo com um toque de safadeza. A noite ia ser longa.