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ESPECIAL DE JUNHO – PARTE 2

– Você disse que eu não podia te pagar uma bebida porque Augusto te cortou ou porque você não iria permitir? – Ela perguntou.

– Porque gosto e posso pagar minhas próprias bebidas. – Falei com a língua um pouco enrolada.

– Você mora por aqui? – Ela perguntou.

Dei uma olhada para ela.

– Sua habilidade de manter uma conversa interessante está piorando a cada segundo.

Ela riu alto, jogando o cabelo para trás.

– Meu Deus, mulher. De onde você é?

– Salvador. Acabei de chegar, ainda tenho caixas empilhadas por toda minha sala.

– Eu te entendo, me mudei pra cá tem pouco tempo. – Ela disse, assentindo de um jeito compreensivo. – Mas, me diga, qual seu nome?

– Não estou interessada.

– Esse nome é péssimo. Acredito que tenha sofrido muito mais nova.

Fiz uma careta.

Ela continuou:

– Isso explica a mudança. Você tá fugindo de alguém.

Eu a encarei. Ela era bonita, mas também intrometida – apesar de estar correta.

– E não estou procurando outra. Nem uma ficada de uma noite só, nem uma transa por vingança. Então, não desperdice seu tempo. Aposto que encontra qualquer outra garota legal que ficaria feliz em aceitar um drinque seu.

– Uma garota tão linda como você? – Ela perguntou, se aproximando.

Olhei para como o modo seus lábios se mexiam ao tocar o bico da garrafa de cerveja e senti um calor subindo. Eu estava mentindo e ela sabia.

– Eu te irritei? – Ela perguntou, com um sorriso presunçoso nos lábios.

Aquela mulher e seu sorriso certamente tinham vencido desafios mais intimidantes que eu e era tão, mais tão sexy…

– Você está tentando me irritar? – Perguntei.

– Talvez… Quando você fica com raiva, sua boca fica… Incrível para caralho. Talvez eu haja como uma idiota o resto da noite só pra poder apreciar a sua boca.

Engoli em seco. Meu joguinho tinha acabado ali. Ela tinha ganhado e sabia disso.

– Quer dar o fora daqui? – Ela perguntou.

Fiz um sinal para Augusto, mas a desconhecida balançou a cabeça e colocou uma nota alta sobre o balcão. Bebida grátis e uma linda mulher. Parece que a solidão estava se dissipando. A mulher seguiu até a porta, sinalizando para eu segui-la.

– Aposto uma semana de gorjetas que ela não vai em frente com isso – Augusto gritou o suficiente para todos escutarem.

– Dane-se. – Falei, saindo rapidamente pela porta.

Passei pela minha nova amiga e segui até a calçada, a porta se fechando lentamente. Ela pegou minha mão de um jeito brincalhão, porém firme, e me puxou para perto.

– Parece que Augusto acha que você vai dar pra trás. – Falei, olhando para seu rosto.

Ela era muito mais alta que eu, ou talvez seja só os saltos. Ficar assim tão perto dela era como correr uma maratona, meu sangue corria rápido no meu corpo.

Eu me aproximei, desafiando-a a me beijar.

Ela hesitou enquanto analisava meu rosto, então seus olhos se suavizaram.

– Algo me diz que, dessa vez, eu não vou.

Ela se inclinou, e o que começou com um beijo suave foi se tornando sensual e romântico. Seus lábios se moviam com os meus, suas mãos foram subindo pela minha nuca, chegando ao meu cabelo e uma estranha corrente elétrica me fez estremecer. Todos meus nervos se derreteram, não conseguia descrever o quanto aquilo era bom.

Por menos de um segundo depois dela se afastar, seus olhos continuaram fechados, como se estivesse saboreando o momento. Quando ela me olhou, balançou a cabeça.

– Definitivamente, não iria dar pra trás.

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