Menu fechado

Ele não. Nenhum deles.

Eu estava me controlando para não fazer textão. Tenho em mim uma ideia muito forte de que as redes sociais se tornaram palco para pessoas brigarem, discutirem e simplesmente falarem coisas sem pensar nas consequências. Exatamente por isso, evitava entrar em polêmicas. Sempre preferi manter meus argumentos e discussões para o âmbito pessoal, ou melhor, sempre dava preferência as discussões pessoais, tudo para não cair no clichê das discussões online. Mas tudo mudou em 2018.

Eu sempre trabalhei com politica e dizia que não me importava de atender clientes que não correspondiam com as minhas crenças. Eu so não votava neles, simples assim. Na minha cabeça. Aos poucos, comecei a me tornar menos tolerante com esse cenário. Meu trabalho na política ja não me dava mais tanto prazer, apesar de amar muitas coisas desse meio. Atenção: amo coisas do meio politico, não necessariamente os politicos. E ainda acredito que a politica e a melhor forma de mudar o pais. Bom, mas minha eventual redução de tolerância me levou a uma questão interna muito importante. E possível superarmos diferenças politicas em um ambiente de trabalho, por exemplo? Ah, Desiree, mas respeito e bom e todo mundo gosta. Exato, eu tambem gosto de respeito e por isso, me pergunto se o meu chefe, que apoia o coiso, tem noção de que defende um cara que acredita que eu deva ser ‘consertada’ na porrada. Ele brada que vota aquele numero, mas metade dos funcionários que emprega hoje sao LGBT. Talvez a gente seja bom para trabalhar pra ele, mas não e bom pra ter liberdade? Entendem a falta de coerência? Se eu pedi demissão? Não. Não tenho como. E talvez por isso esse textão me implorou para ser escrito por dias. Essa ideia fica me rondando como mosca em padaria e finalmente ela esta aqui.

Não da mais pra passar por cima da opinião alheia, não da mais pra ser neutro ou neutra, não da mais pra fingir que ta tudo bem. Ou voce esta do nosso lado ou esta contra nos. E quando eu digo nos, não me refiro apenas aos LGBTs, mas digo tambem como mulher, coloco nesse grupo as negras, a periferia, as pessoas que lutam dia após dia para dar uma vida melhor para si e para os seus. Falo por todos que precisam ler o discurso de ódio desse cara por ai e rezar para que ele não leve a frente este pensamento, porque se isso acontecer, a nossa geração pode sentir na pele como era o regime ditatorial no Brasil.

Não seja isento. Assuma seu lado. Quando a liberdade esta em perigo, e preciso estar pronto para defendê-la.

Comente! ;)

Manda uma mensagem pra gente!