Search for content, post, videos

DUST TO DUST – CAPITULO XVIII

N/A
Olá pessoas!
Atualização chegando. Neste capítulo tem música, está indicando onde começar e qual música.
Abraços e Boa Leitura.

 

FRANCIELE POV
Lembrar de meu passado sempre fora doloroso, no entanto, agora era diferente. Sinto que a parte triste está indo embora de alguma maneira, ainda existe algo que me deixa insegura sobre tudo, mas toda a raiva que sentia está se dissipando ao decorrer dos dias. Escutar Catarina e saber que para ela também não fora fácil me fez entender alguns pontos, mas não ao ponto de achar uma justifica para tudo que ela fez.
– Vai demorar quanto tempo ai dentro Franciele? – Ana estava impaciente batendo a porta do banheiro, seria possível que nem no banho eu teria descanso?
– Estou saindo Ana! – Desliguei o chuveiro e escutei meu celular tocar. – Pode atender Ana? – Pedi a ela e acredito que ela deveria ter atendido, já que não escutava mais o tocar.
Sequei-me rapidamente, vestindo as roupas que já havia separado e levado para o banheiro, pus a toalha em meus cabelos e sai do banheiro. Avisto Ana rindo na sacada, quando ela percebeu meu olhar confuso veio em minha direção me entregando o celular.
– Tome, é Roberta. – Me entregou e saiu pela porta. – Desça rápido gringa.
– Roberta? – Perguntei.
– Se eu não ligar você não me liga né? Sempre a mesma coisa! – Falou em tom irônico, o que não deixava de ser minha melhor amiga.
– Te mandei mensagem faz umas duas horas eu acho. – Justifiquei.
– Mensagem não é ligar, ou é? – Falou sarcástica.
– Parece que te faz bem conversar com Ana. – Falei rindo. – Como estão as coisas ai?
– Estão ótimas. – Pausou. – E pelo o que acabei de ficar sabendo ai também está tudo ótimo não?
– Eu iria te contar quando eu voltasse para o Rio.
– Como assim? Catarina está ai com você e a madame só iria me contar quando voltasse de viagem? Para Franciele.
– Primeiramente, estamos na mesma pousada. E não aconteceu nada que fosse tão urgente para que eu lhe ligasse.
– Me conte.
– Conversamos alguns minutos, ela me esclareceu algumas coisas que eu não entendia. Falei pausadamente. – Mas meus sonhos estão ficando confusos.
– Confusos? Por quê?
– Sonho com meu passado, do momento que Catarina me deixou. Minha mente está atrapalhada.
– Sua mente está te alertando, não percebe? – Nunca fora surpresa de Roberta não gostar muito de Catarina.
– Calma Roberta. – Pedi a ela. – Não está acontecendo nada e nem irá.
– Sei que Ana torce para vocês duas, sei também de seus sentimentos Fran, mas eu estava lá na sua recuperação, e não foi nada fácil. Estou preocupada.
– Não precisa ficar ok?! Preciso desligar.
– Me ligue e se cuide. – Encerramos a ligação e fiquei a pensar no que Roberta havia falado, que minha mente estava me alertando, são lembranças e nada a mais.
Estava indo em direção ao restaurante da pousada, ao passar pelo corredor e ver o jardim, observei o quanto este lugar fica mais incrível a noite.
Adentrei o local e o cheirinho de comida fez com que meu estomago desse um sinal de vida. Corri meus olhos pelo espaço e vi a mesa onde acomodava Catarina e Julia, Ana estava junto com elas e logo fez um sinal com a mão para que eu fosse até elas.
– Nunca vi alguém demorar tanto no banho. – Ana falava revirando os olhos, fazendo com que Julia risse.
– Certas coisas não mudam pelo jeito. – Desta vez foi Catarina quem falara, me olhou timidamente com medo que eu lhe fosse repreender, e tudo que consegui fazer foi sorrir. Catarina ainda lembrava-se do quanto adoro banhos.
– Sua memória continua excelente Catarina. – Falei cumprimentando Julia com um beijo no rosto e estendendo a mão para Catarina que prontamente pegou minha mão. – Posso me juntar a vocês?
– Seu lugarzinho está reservado já. – Ana falou rindo apontando para seu lado. – Vocês podem ir jantando, vou lá na cozinha dar uma mão e logo estarei de volta. – Falou já se levantando e nos deixando.
– Gostando da estadia? – Julia me perguntou.
– Adoro lugares calmos, mas ainda sim o Rio continua sendo meu lugar favorito. – Falei rindo.
– Se parece com minha velha aqui. – Julia falou apontando para Catarina, que lhe franziu o cenho. – Calma mãe, é modo de falar.
– Até parece que um dia você não chegará na minha idade. – Catarina falou parecendo estar séria, Julia revirou os olhos.
– Vamos nos acalmar meninas, vocês são jovens e tem uma vida toda pela frente. – Falei para ambas, o que fez com que eu atraísse o olhar curioso de Catarina.
– Boa noite senhoritas! – Um jovem que se parecia garçom se aproximou com o semblante alegre. – O que irão beber?
– Vou querer um refrigerante guaraná. – Solicitei ao garçom.
– Vamos acompanhar ela. – Julia falou sorrindo. O rapaz se agradeceu e se afastou para providenciar nosso pedido.
Observei como Julia conversava sem parar, às vezes acredito que ela se esquecia de respirar ao relembrar de sua infância e do quanto amava ter Ana como madrinha. Catarina vez ou outra contava algumas façanhas de Julia, o que a deixava vermelha e eu somente sorria. Algumas de suas histórias eram engraçadas outras já me preocupavam, pois os tombos desta menina eram incontáveis.
Em muito tempo eu não estava tão em paz como neste momento, olhar para Catarina e ver ela compartilhar a vida de seu bem mais precioso comigo. Seus olhos estavam com o brilho intenso, sua pele estava brilhosa, seus cabelos negros soltos tampando parte de seu ombro nu. Usava uma maquiagem leve, seus lábios estavam vermelhos, os gestos de suas mãos ao falar eram delicados, seu sorriso estava mais lindo do que eu podia me lembrar.
– Com licença. – O rapaz voltara com nossos pedidos e uma coisa a mais. – Dona Ana pediu que eu trouxesse esta garrafa do nosso melhor vinho, disse que era por conta da casa. – Agradecemos o rapaz e ele sumiu por entre as mesas do restaurante.
– A dinda nunca decepciona. – Julia estava animada já.
– Sua dinda nunca cria juízo naquela cabeça de vento. – Catarina falou e revirou os olhos. Sorri ao ver ela fazer isso. – Estou suja? – Catarina perguntou me olhando.
– Não não. – Falei me ajeitando na cadeira.
– O que tanto ri então?
– Lembrei de quando você me levou no quiosque e me apresentou Ana. – Pausei bebendo um pouco do refrigerante. – Ela havia te falado algo que fez você revirar os olhos como fez agora.
– Mamãe te levou onde Ana trabalhava? – Julia perguntou curiosa.
– Sim, foi quando vim para o Rio passar o carnaval. Sua mãe me levou no Arpoador e após fomos ao quiosque onde Ana trabalhava. – Catarina me olhava com os olhos marejados.
– Ah! Ela me contou do Arpoador – Julia falou colocando a mão na cabeça. – Na realidade ela me contou tudo, mas acho que se esqueceu da parte da Ana. – pausou colocando vinho em nossas taças. – Se importaria de me contar Fran? Por mais que eu saiba, sempre amei ouvir esta história.
– Julia, por favor. – Catarina pediu olhando para Julia.
– Tudo bem Nina, sem problemas. – Falei a olhando. – Apenas pularei algumas partes Julia. – Sorri e Julia concordou.
As horas passaram depressa, o vinho acabou antes mesmo de Ana se juntar a nós, depois de jantarmos, pedimos mais uma garrafa e fomos para a área externa da pousada, onde havia bancos e almofadas.
Relembrar do passado nesta noite não foi ruim, foi algo bom e que contei com muito carinho a alguém. Nina ficara calada enquanto eu contava, Julia sempre perguntava algumas coisas a mais e no que eu poderia responder eu respondia. Ana finalmente me disse o que ela havia falado para Nina no quiosque, o que nos arrancou muitas risadas depois.
Olhei para o relógio e já se passava da uma da manhã. Julia pediu licença e disse que havia bebido muito vinho e já estava com sono. Ana permaneceu conosco mais uns 30 minutos e se despediu.

[PLAY – GIVE ME LOVE – ED SHEERAN] 
– Acho que irei dormir também, já são quase duas horas. – Catarina falou tentando se levantar e quase não conseguiu. Levantei-me rapidamente antes que ela caísse e a segurei pela cintura.
– Opa, acho que a bebida esta fazendo seu efeito sobre você. – Falei sorrindo até perceber o quanto ficamos próximas. Logo certifiquei-me que ela estava bem e me afastei um pouco.
– Parece que sim. – Nina falou olhando para os pés. – Obrigada.
– Não queremos acidentes hoje não? – Falei pondo as mãos no bolso da calça. – Acho que irei te acompanhar até seu apartamento.
– Estou nas cabanas logo ali. – Falou apontando em direção as cabanas.- Vamos doutora?
– Vamos.
Fomos caminhando lado a lado em silêncio. Um silêncio confortante para refletirmos sobre a noite agradável que tivemos. A grama estava úmida, a temperatura não deveria ter baixado tanto, mas um vento gelado fazia com que as folhas das arvores dançassem pela escuridão.
– Está entregue. – Falei.
– Essa noite significou muito para mim. Obrigada.
– Para mim também Nina. – Quando pronunciei novamente seu apelido, ela me olhou. – Hoje foi a primeira vez em que falei de nosso passado sem sentir raiva ou qualquer sentimento ruim.
Nina continuava a me olhar, seu olhar estava diferente, não havia mais o brilho, o tom das cores estavam escuros e intensos, igual de quando nos beijamos a primeira vez na Vista Chinesa.
Nina se aproximou e passou seus braços sobre meus ombros, seus olhos não desviavam dos meus. Meu coração começou a bater forte, podia sentir meu sangue pulsar nas veias, minha respiração ficou rápida quando senti a respiração de Nina, estávamos muito próximas.
Senti os lábios macios e quente de Nina em minha bochecha, logo após em meu pescoço, e lentamente Nina selou nossos lábios. Há tempos não sentia os lábios dela, foi como se meu corpo estivesse em chamas quando Nina forçou um pouco nossos lábios para aprofundar nosso beijo. Sentir o hálito de vinho e sua língua quente percorrer sobre minha língua fez com que eu me esquecesse de respirar, me afastei rapidamente buscando ar e olhando para Nina, que logo iria falar algo, no entanto, não deu tempo. Passei minhas mãos pela cintura de Nina e a puxei para perto de mim, precisava sentir seu corpo colado ao meu, necessitava novamente de seus lábios nos meus. Meus sentidos foram ligados imediatamente, minha mente trabalhava em organizar as lembranças do passado para o que estava acontecendo neste exato momento. Saberia que estava me arriscando, mas esperei tanto tempo por ter Nina novamente em meus braços, de sentir seu beijo , seu cheiro, seu toque, ter a pele quente dela perto da minha, por Nina eu me arriscaria novamente, nem que eu caísse e me perdesse em meu próprio inferno.