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DUST TO DUST – CAPÍTULO XVII – VOLTANDO AO PASSADO

FRANCIELE POV
O dia se arrastou após minha conversa com Catarina, me mantive distante para conseguir colocar minha mente no lugar, se isso fosse possível é claro. Lembrar de tudo que aconteceu me trás tristeza. Tristeza de ver que ela abriu mão de mim tão facilmente, nem se quer lutou, apenas pediu que eu fosse embora. Agora eu estava aqui, me deixando abrir novamente para este sentimento que reprimi durante anos.
Flashback on
Desembarquei no Rio com as mãos tremulas, seria minha primeira vez aqui sozinha, sem Roberta ou qualquer amigo. Minha missão desta vez não era aproveitar o carnaval como fora no inicio do ano, seria encontrar Catarina e entender o que aconteceu.
Caminhei para a entrada do aeroporto e solicitei um taxi para que me levasse ao hotel que reservei, que ficava perto da pousada onde Nina vivia. Era quase 13h quando cheguei no hotel. Tomei um banho e organizei minhas roupas, fui ao quiosque onde Ana, a amiga de Nina trabalha.
– Hola! – Falei dando meu melhor sorriso para Ana.
– Franciele? – Ana me olhara com os olhos arregalados. – O que faz aqui?
– Vim atrás de Nina e saber o que está acontecendo. – Falei de cabeça baixa.
– Ela sabe que você está aqui? – Perguntou e eu balancei a cabeça negativamente. – Certo. – Falou e se virou e foi falar com alguém atrás do balcão. Falou algumas coisas e veio ao meu encontro. – Pedi para tirar a tarde de folga.
– Não precisava. – Falei timidamente. Ao menos desta vez eu entendia a maioria das coisas que ela falava, Nina me ajudara muito quando ainda estávamos juntas.
– Onde você está hospedada? Roberta veio com você?
– Ninguém sabe que estou aqui, eu apenas vim. – Suspirei olhando para o mar, que estava tranquilo por sinal. – Me hospedei naquele hotel que fica perto da pousada.
– Você só pode estar doida gringa. – Ana falava e passava as mãos pelos cabelos, parecia preocupada. – Nina não falou com você?
– Ela simplesmente sumiu Ana, não respondia minhas mensagens nem telefonemas. Roberta viu meu estado deplorável em casa e resolveu ligar para Nina, conversaram algo e Roberta me fez prometer esquecer Nina e deixar esta história no passado. – Enchi os pulmões de ar. – Não vou mais a aula nem no estágio, estou para perder o semestre, minha vida parou Ana, nada faz sentindo sem ela.
– Calma, tudo bem? – Ana me pediu passando o braço pelos meus ombros. – Vamos para o hotel e lá conversamos certo? – Balancei a cabeça e caminhamos até o hotel.
Ao chegar no hotel, solicitei que levassem café e alguns salgados por insistência de Ana, pois ficou brava por eu não ter me alimentado direito na viagem. Chegamos no quarto e logo eu e Ana estávamos jogadas na cama olhando para o teto.
– As coisas para Catarina não estão bem Fran. Foi difícil para ela. – Ana quebrou o silêncio.
– Você imagina como as coisas estão para mim? Porque ela não me ligou e disse o que estava acontecendo? Aliás, o que está acontecendo?
– Ela voltou a namorar Fernando, por causa da bruxa da mãe dela. – Ana disse sentando-se na cama.
– Sim, quando Roberta falou com ela pelo telefone ela disse isso. – Falei derrotada.
– Isto foi quando? – Perguntou me analisando.
– Final de junho eu acho, não sei. – pausei olhando a expressão de Ana que mudara. – Por quê?
– Estamos em agosto certo? – Afirmei com a cabeça. – Então quero que se prepare quando ver Nina, não quero que surte, quero que escute ela primeiro.
– Ana, o que você está tentando me dizer? – Sentei na cama. – Vamos fale!
A campainha tocou e Ana foi atender, era o lanche que havia solicitado.
– Venha, vamos sentar aqui e conversamos. – Ana me chamou para a sacada onde havia uma mesa pequena com duas cadeiras. Depositou o lanche na mesa e ficou pensativa. – Você realmente gosta de Nina não é?
– Mais do que deveria. – Inspirei o cheiro de café. – Nunca me deixei gostar tanto de alguém assim, sempre fui fechada para isto, nunca gostei de namoros, sempre me foquei nos estudos e acabava me esquecendo destas coisas. – Levei a xícara de café aos lábios sentindo seu gosto meio forte. – Nina me fez sentir algo que nunca senti, ela faz me dar taquicardia.
– Não entendi a última frase, mas acredito que seja algo bom. – Ana falou rindo. – Dá para ver em seus olhos o quanto ama Nina. Saiba que ela também te ama Fran.
– Se me amasse por que estaria fazendo isso? Não entendo Ana.
– Nina está grávida Fran. – Ana falou me olhando.
Escutar isso me fazia ter náuseas, não pelo bebê que estava por vir, mas como Nina teve coragem?
– Quantos meses? – Perguntei mais séria desta vez, focando o olhar para a praia.
– Quatro meses. – Ana falou me analisando. – Ela não te contou quando foi te ver?
– Não. – Ela foi me ver, dormimos juntas, a respeitei por não achar que era hora, e ela estava grávida?! Me mentiu e me deu um belo par de guampas.
– Fran, você está bem? Está parecendo brava.
– Como você acha que eu estaria Ana? Porra, ela está grávida de quatro meses, o que indica que ela me traiu. – Falei passando as mãos pelos cabelos. – Como ela pode fazer isso? Fui paciente com ela, dormimos juntas e nunca passei do ponto com ela, achando que ela não estava pronta, puta merda Ana. – Me levantei e comecei a andar pelo apartamento.
– Fran, se acalma, ela deve ter um motivo para isso. – Ana veio atrás de mim.
– Que motivo? Você sabia disto? – Perguntei colocando as mãos na cintura.
– Foi algo errado que ela me prometeu que iria te contar. – Falou sentando na cama. – Foi em uma briga de vocês, que você ignorou ela o dia inteiro, a noite ela me convidou para sair e ela bebeu um pouco a mais, encontramos Fernando e ele nos levou para casa. Acabou que eles dormiram juntos, Fran no outro dia acordou atordoada, me ligou chorando. – Fez uma pausa. – Algumas semanas antes dela ir te ver ela fez um teste de farmácia e deu positivo, ela me jurou que iria te contar.
– Eu nem a ignorei, disse a ela que não conseguiria falar com ela pois teria estágio para fazer e acompanhei uma cirurgia importante. – Sentei na cama sentindo que o mundo iria me engolir a qualquer momento. – Ela não foi capaz de me contar Ana.
– Quando ela voltou, disse que estava decidida a ficar com você, contou para os pais dela e a mãe dela surtou Fran. Não deixava nem eu ir ver ela. Começou a ver a Nina ter vomito pela manhã e a levou no médico, descobriu que ela estava grávida, então fez ela voltar a voltar com Fernando.
– Estou me quebrando Ana. – Falei já sentindo meus olhos úmidos. – O que farei? Por que ela não me contou? Ela poderia ter ido morar comigo!
– A mãe dela sempre foi contra estas coisas, não entende. Acredito que Nina já deva ter te falado algo sobre isso não? – Balancei a cabeça em sinal positivo. – Então você sabe como é. Sabe que é difícil criar um filho sozinha, e Nina sempre fez o que a mãe dela queria.
– Preciso ir embora Ana. – Falei suspirando. – Nina não vai querer nem me ver e também não sei se irei querer ver ela.
– Vocês precisam conversar Fran, mas antes de tudo preciso saber se você irá se controlar.
– Nunca machucaria Nina, eu a amo tanto. – Falei tentando controlar as lagrimas.
– Espere por ela hoje, irei falar com ela. – Ana falou já indo em direção à porta. – Descanse, qualquer coisa me ligue. – Ana fechou a porta me deixando sozinha.
Quatro meses. O que eu significo para ela? Foi tudo mentira? Eu não deveria ter vindo para cá. Onde eu estava com a cabeça? Nina me amava como Ana me falou? Tantas questões e nenhuma resposta, nenhuma certeza. O cansaço me alcançou e acabei adormecendo.
Abri os olhos e escutava batidas fortes na porta, parecia que as batidas estavam dentro de minha cabeça.
– Mas que diabos. – Falei indo em direção a porta. – Ya voy, por dios! – Abri a porta e tentei focar em quem batia freneticamente na porta.
– Oi Fran. – Ela estava pálida, parecia que tinha chorado, seus olhos estavam vermelhos.
– Oi Catarina, entre. – Falei dando passagem para ela passar. Ela entrou em silêncio, em passos curtos, a analisei. Estava linda como sempre, meu coração começou a dar pulos já. Estava com uma pequena barriga, sua gravidez já estava visível.
– Por favor, me perdoe! – Catarina falou e levou suas mãos tremulas ao rosto e desabou em um choro desesperado.
– Hey, se acalme! – falei indo para perto dela, a abracei e pousei sua cabeça em meu peito. – Tente se acalmar Nina, respire fundo. – Nina não parava de chorar, passou seus braços por minha cintura e me abraçou forte. – Vai ficar tudo bem, venha vamos nos sentar.
A levei para sentar na cama, pedi que ficasse ali enquanto eu ia buscar um copo de água para ela. Voltei e fiquei a observando, seus cabelos estavam em um coque mal feito, seus olhos negros não tinham mais o brilho de antes, ela parecia cansada.
– Quando Ana me contou que você estava aqui não pensei duas vezes para vir. – Nina falava enquanto analisava o quarto.
– O que você acha de nos sentarmos na sacada? Lá tem ar, vai ser bom para você. – Falei dando a mão para ela para que fossemos a sacada.
– Não precisa ser gentil comigo Fran, Ana me disse que você estava uma fera a tarde. – Nina falou ao se sentar e passar a mão pela pequena barriga que se formava. A observei fazendo tal gesto e ela me flagrou.
– Acredito que não sabem ainda qual o sexo né? – Perguntei olhando para ela. Nina balançou a cabeça negativamente.
– Minha vó disse que será menina, que será a pessoa mais importante da minha vida e quem irá me ajudar.
– Sua avó e suas profecias. – Falei sorrindo, o que fez Nina sorrir também. – Por que não me contou quando você foi me ver? Porque não me ligou dizendo o que estava acontecendo?
– Eu tentei Fran, mas cada vez que te olhava e via como você estava feliz, não queria estragar tudo por burrice minha. – suspirou. – Minha mãe fez destas últimas semanas um verdadeiro inferno na minha vida.
– Deveria ter me ligado, podíamos passar por isso juntas. – Falei a olhando.
– Minha mãe não me perdoaria, por mais que ela faça tudo isso parecer um verdadeiro inferno, ela é minha mãe, eu a amo.
– Então você fez sua escolha baseada na felicidade dela e não na sua. – Falei abaixando a cabeça. – Talvez eu te entenda.
– Olhe pra mim. – Nina se ajoelhou em minha frente colocando suas mãos em meu rosto. – Vamos Fran, olhe pra mim.
A olhei, e tudo que vi foi seus olhos negros brilhando, sua boca estava tão perto da minha, suas mãos estavam geladas.
– Eu te amo Nina, talvez nunca deixe de te amar. – Falei deixando que as lagrimas escorressem pela minha pele.
– Eu também te amo Fran, você é o amor da minha vida e nunca deixará de ser. – Me abraçou.
Levantei da cadeira e fiz com que Nina se levantasse também, segurei sua mão e adentrei para o quarto, paramos em frente a cama. Passei a mão pelos fios de seu cabelo bagunçados em seu rosto.
– Me torne sua Fran. – Nina falou baixo, quase em um sussurro.
– Você sempre foi minha Nina, sempre. – Falei e a beijei.
Sentir os lábios de Nina nos meus, fez com que meu corpo reagisse a cada toque dela em meu corpo. Seus lábios se abriram dando passagem para que nossas línguas se encontrassem e começassem uma batalha. Passei a mão pela sua nuca e segurei seus cabelos, a tanto tempo esperava por isso, por ter Nina inteiramente para mim.
Nossos beijos tornaram-se mais rápidos, o que fazia com que eu perdesse um pouco o ar dos pulmões, senti as mãos de Nina em minha cintura me puxando para mais perto dela. Deixei que minha boca parasse no ponto pulsante do pescoço de Nina, queria explorar cada pedaço de pele dela. A induzi para a cama, a deixei deitar suavemente, percorri seu corpo com meus olhos, parei quando nossos olhares se cruzaram e neles haviam tanta saudade, cumplicidade, desejo, havia amor. Selei nossos lábios novamente, minhas mãos passeavam pelas curvas de Nina, o que me deixava cada segundo mais quente por estar com ela. Precisava sentir seu corpo, sua pele na minha, fui despindo ela vagarosamente, a cada toque, Nina suspirava, o que me dava mais impulso a continuar. Tirei minhas roupas e as joguei do lado da cama. Apenas a claridade da rua iluminavam nossos corpos nus. A pele morena de Nina sempre fora meu ponto de desiquilíbrio, a vendo tão entregue a mim, teria certeza que Nina era meu pecado favorito. Nossos corpos se misturavam em sintonia, as mãos de Nina as segurei a cima de sua cabeça, enquanto meus lábios percorria o vale entre seus seios. Quando por fim soltei as mãos dela, senti suas mãos por entre meus cabelos. Desci meus beijos pelo corpo de Nina, beijei sua barriga e a olhei transmitindo que estava tudo bem. Meus beijos chegaram entre suas pernas, o que a fez arfar. Sentir o gosto de Nina me dava sensação de êxtase. Passei a língua nela lentamente, queria aproveitar cada milímetro de Nina. Escutar os gemidos tímidos de Nina, me fez ter mais velocidade, minhas mãos pararam em sua cintura e a apartei a sugando, comecei a sentir os espasmos de Nina, suas costas arquearam e suas mãos apertaram meus cabelos, Nina estava sendo minha pela primeira vez.
Fizemos amor durante horas, até que caímos exaustas na cama, já se passava das 22h quando Ana ligou para Nina para saber se estava tudo bem.
– Você vai precisar ir embora? – Perguntei a olhando.
– Infelizmente sim. – Falou fazendo beicinho se aconchegando em meus braços.
– Vamos tomar banho então? – Falei sugestiva, o que fez Nina sorrir. – Mas é só banho, você precisava descansar para que ela- falei apontando para a barriga de Nina – fique bem.
– Como sabe que é ela? – Falou com o cenho franzido.
– Não sei. – sorri e levantei da cama.
Tomamos um banho longo, conversamos sobre algumas coisas e sobre o que Nina faria.
– Quero que saiba que eu sempre te amarei. – Nina falava enquanto estava abraçada em mim. – Nunca se esqueça disto, depois de hoje, sou sua inteiramente e para sempre.
– Eu sei meu amor, vamos ficar bem. – Falei beijando a testa de Nina.
-Eu te amo. – Nina falou me beijando, um beijo lento, carregado de muitos sentimentos.
– Eu também te amo. – Falei abrindo a porta. – Se cuide!
– Tchau Fran. – Nina saiu e a vi sumir pelo corredor.
Como a vida dá voltas. Há horas atrás eu estava querendo ir embora, e agora o que mais quero é ficar aqui.
Deitei alegre, tive uma noite tranquila, quando acordei, o dia estava cinzento, chovia muito. Olhei meu celular e havia mensagens da Ana, falando para que eu ligasse a ela. Antes de ligar para ela resolvi ligar para Nina, que não me atendeu, o que já me fez ter aquele frio tenso na barriga. Tentei mais três vezes e nada, então avisei Ana que estava indo atrás de Nina, Ana me aconselhou a não ir, mas sabia que eu ia do mesmo jeito, então resolveu me esperar lá.
– Catarina, por favor – Implorava de joelhos sobre uma calçada, a chuva caia e se misturava com minhas lágrimas.
– Adeus Franciele. Não volte, não me procure e finja que nunca me conheceu.
– Não, não, não – As lágrimas rolavam em meu rosto, sentia meu corpo perder as forças, as estribeiras. – Catarina, volte. – Vi Fernando passado a mão em volta dos ombros de Nina e sumirem de vista fechando a porta atrás de si.- Catarina eu te amo, o que eu farei? – Falei em um sussurro sentindo meu corpo chocar-se contra o concreto da calçada. Senti braços finos me pegar, era Ana.
– Venha Fran, vamos. – Ana falava ao tentar me levantar. – Vou cuidar de você, já liguei para Roberta.
Flashback off
Barulho forte, algo que parece estar dentro de minha cabeça. Que diabos era isso? Abri os olhos e minha visão estava turva.
– Vamos Franciele, acorde! – uma voz distante e mais batidas. – Abra aporta gringa.
Certo, era Ana ou Nina me chamando de gringa. Sai da cama contra a vontade e abri a porta vagarosamente.
– Até que enfim, morreu ai dentro? – Era Ana, já adentrando o quarto.
– A sim, pode entrar. – Falei ironicamente a olhando.
– Vamos, o jantar vai ser servido.
– Certo, vou tomar um banho e já vou. – Falei indo em direção ao banheiro.
– Rápido, estou com fome. – Falou se sentando na cama, revirei os olhos e fui para o banheiro.