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DUST TO DUST – CAPITULO XVI – Carnaval 2017- II

POV CATARINA

O tempo naquela manhã estava tão gostoso, é como se o dia foi dedicado a alguém especial. Julia estava elétrica, não parara de falar um minuto. Após falar com sua madrinha, resolveu viajar comigo para onde Ana morava agora.
Já estávamos em Santa Catarina a caminho de Lages, talvez esta viagem me faria bem, com a separação quase saindo já, Franciele dificultando as coisas, Mauricio acabara de partir, não saberia como Julia estava tão calma com tanta coisa acontecendo. Ela estava feliz e radiante, por um momento pensei que ela entraria em uma profunda escuridão, Mauricio e ela eram inseparáveis, já faziam planos para o futuro tão esperado por eles, que infelizmente não irá acontecer. Julia sempre fora forte, mas quando se tratava de Mauricio, ela fraquejava diversas vezes, e muitas delas vinha me pedir colo, e agora ela estava toda radiante e alegre, talvez a Fran fez algo por ela que ninguém poderia fazer, nem mesmo eu.
– Estamos chegando mãe! – Julia falava com um sorriso largo.
– Você está tão animada que estou começando a ficar assustada querida. – Falei sorrindo de canto.
– Você que não está animada para estas mini férias, mas tenho certeza que ficará. – Julia falou meio baixo.
– Como assim ficarei? – Perguntei com o cenho franzido.
– Chegamos! – Julia falou e o carro parou. Logo avistamos Ana nos esperando.
– Achei que pegariam trânsito! – Ana falava e se aproximava. – Como esta minha filha está linda!
– Ah, linda está você!- Julia abraçou Ana enquanto eu tirava as malas do carro.
– Seria bom eu receber uma ajudinha aqui. – Falei apontando para as malas, que por sinal Julia trouxe a casa inteira.
– Você continua com este humor, nem os anos lhe fazem bem. – Ana falava sorrindo.
– E você continua sendo debochada. – Falei abraçando-a forte. Ana sempre fora minha melhor amiga, mesmo depois de uma de nossas brigas ter nos afastado um pouco.
– Que saudade eu estava de vocês duas. – Falou olhando ao redor. – Vamos entrar.
Ana nos mostrou a pousada e as cabanas que tinha em seu empreendimento, nos explicou como funcionava os horários e atividades que a pousada oferecia. Conversamos alguns bons minutos, no entanto estranhei que ela e Julia se cochichavam algumas coisas e logo voltavam a me incluir na conversa.
– Vou mostrar a parte do lagoa para vocês. – Ana falou e Julia logo fora alguns passos a nossa frente.
– Sua pousada é realmente incrível. – Falei.
– Você demorou tanto tempo para vir que achei que não viria.
– Você sabe o porquê não? – Perguntei a Ana que fez careta ao concordar. – Mas agora está tudo terminado ou quase.
– Ele não assinou ainda?
– Irá, bem em breve.- Ouvi Julia saudar alguém e logo reconheci de quem se tratava.
– Não acredito que você está aqui! – Julia falava animada.
– Olá Júlia! Que surpresa agradável minha querida. – Franciele respondera Julia calmamente.
– Nossa, estava com saudades suas! Fui no hospital e me disseram que você tinha viajado, só não saberia que seria para o mesmo destino que eu estava indo. – Julia indo abraçar Fran.
Fiquei observando os braços de Fran envolveram Julia em um abraço carinhoso, abraço com sentimentos. Senti um cutucão de Ana, fazendo sinal para que eu falasse algo.
– Parece que o destino insiste em fazer nossos caminhos se cruzarem. – Falei firme, porém com receio de receber algo desagradável como resposta.
– Olá Catarina. – Fran falou o que fez todo o muro em volta de mim desabar tão facilmente.
– Olá Doutora Franciele. – Mantive a descrição como ela me pediu da última vez que conversamos.
– Não precisamos de formalidades fora do hospital senhorita. – Respondeu.
Meu coração estava em minha garganta, isso seria possível não?
– Mãe, estou indo com a dinda lá selar os cavalos.- Julia falava com um sorriso no rosto. – Muito bom ver você Fran! Vai ser um final de semana incrível.
– Com certeza querida. – Fran respondeu.
– Posso me sentar? – Perguntei
– Claro. Acredito que se eu falar não, não irá adiantar muita coisa. – Respondeu sorrindo. Fran queria me matar exatamente.
Tivemos uma conversa sincera que me fez ter a certeza de que ela nunca deixou de ser minha, apesar de minhas atitudes egoístas quando mais nova, mas ela ainda sentia algo, como eu.
Julia chegou e saímos a passeio de cavalo.
– Pode começar a me contar. – Falei em tom acusativo.
– Falar o que mãe? – Julia respondeu olhando para o lado contrário de onde eu estava.
– Foi a Ana não foi? – enchi os pulmões de ar – Ela não muda nunca, sempre fazendo estes joguinhos.
– Foi eu.- Julia falou naturalmente.
– Como assim você? – Perguntei confusa.
– Depois que a senhora me contou sobre a Fran, percebi que vocês precisavam de uma oportunidade para dar continuidade a esta história linda, no entanto, eu não sabia como fazer isso. – Julia falava sorrindo – Liguei para Ana contando minha ideia, e ela me falou casualmente que ela tinha convidado a Fran para passar o final de semana aqui, então logo planejei nossa viagem.
– Vocês duas. – Falei balançando a cabeça. – Mas as coisas não funcionam assim, tão fácil.
– Quem disse que seria fácil mãe? Depois de tudo isso você queria que fosse fácil?
– Fran ainda tem uma magoa grande, mas acredito que ela sente algo por mim.
– Claro que sente, fiquei vendo vocês duas se olharem, e parecia que tinha algo envolvendo vocês duas. – Julia falava e gesticulava – Parecia coisa de filme.
– Você vai cair deste cavalo. – Falei sorrindo.
Passeamos por quase uma hora, conversas e risadas, o dia estava realmente bom. Quando poderia eu imaginar que minha filha iria me apoiar numa loucura destas? Minha mãe me mataria se soubesse, aliás, como ela não ligou ainda? Talvez Julia tenha cuidado disto também, pois ela sabe o estrese que fico depois de falar com a avó dela.
Fui para o banho e logo lembrei da primeira e única vez que eu e Fran tomamos banho juntas. Lembrar de como ela me tocava, com tanta ternura e ao mesmo tempo sedenta por minha pele. Como eu poderia ter deixado ela escapar? Eu a amava tanto que me perdi em minhas lutas. Fran era o tipo de pessoa que todo mundo queria por perto, e eu não a quis. Ela não merecia me ter em sua vida novamente, causei tantas magoas a ela, a feri em um lugar que não saberia se serei capaz de curá-la um dia. Devo me focar no que disse a ela, que enquanto ela estiver vida eu tentarei, e eu tenho que tentar mesmo depois que minha mãe souber. Meu Deus Catarina, você já passou dos 30 anos e ainda teme sua mãe? Desta vez ela não irá deixar que eu desista de quem amo, desta vez eu lutarei por ela, como nunca lutei por ninguém.