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DUST TO DUST – CAPÍTULO XV – CARNAVAL 2017 I

N/A 
Olá pessoas! Me desculpem, semana passada não consegui publicar pois havia perdido o capítulo e é um processo meio lento para mim escrever.
Mas espero que me entendem! Grande abraço e boa leitura. 

POV Franciele

A viagem até a cidade de Lages não demorou tanto quanto imaginei. Após o café agradável com a aeromoça que perdera o noivo, logo trocamos de número e parti para meu destino. Agora estava aqui, olhando esse verde deslumbrante que somente a natureza pode nos proporcionar.
– Fran? Me falaram que você havia chegado. – Ana se aproximava com um sorriso lindo no rosto.
– Por díos, que linda! – Sorri e a abracei, a saudade estava grande.
– Como você está? Não mudou nada… Quer dizer, você está mais linda que nunca. – Sorriu ao se afastar e me analisar.
– Para com isso sua palhaça!
– Venha, vamos sentar ali. – Apontou para uma área que tinha almofadas e ficava de frente para um lago. – Me conte como você está, o que andas fazendo.
– Não muito diferente da última vez que nos encontramos, sabe, trabalho e trabalho. Agora estou dando aula também.
– Aulas? Neste teu humor sombrio? – Sorriu ao falar.
– Sombrio? Claro que não, sou apenas séria. – suspirei.
– O que está te incomodando? – Ana perguntou.
– Catarina. Ela sempre arranja um jeito de me deixar aos pedaços. Ela voltou, fiquei alguns dias meio fora de órbita, mas pensei comigo, que ela não pode ter este efeito sobre mim, não mais. – Pensei nas palavras que havia dito por um instante. – Eu ainda sinto algo, não sei muito bem o que, mas sinto. Mas não quero sofrer novamente, você sabe, você estava lá.
– Eu sei Fran, mas você está disposta a desistir assim? Você lutou e relutou tantos anos, sofreu em silêncio com seus sentimentos por ela, e agora que ela voltou, você simplesmente não quer mais?
– Eu cansei. Simples. – Falei olhando para Ana. – Cansei de sempre estar esperando por ela, cansei de chorar por ela. Desisti de ter uma família, de ter relacionamentos, quase desisti de mim.
– Acho que isso está recente. Você não era assim, sei que é difícil, mas tenta olhar para Nina com os olhos daquela menina de 20 anos.
– Você sabe que está me pedindo algo que eu não posso fazer não é?
– Você pode sim. Você está com medo. – Ana falou exatamente o que eu precisava ouvir. Sim eu estava com medo, medo de me entregar e Nina me deixar novamente.
– Não sei Ana. – Houve um silêncio preciso entre nós, Ana sabia como eu me sentia e como isso era difícil para mim.
Depois de mais alguns minutos conversando, Ana partiu para resolver alguma coisa com a caldeira de água quente, o que por sinal não tinha entendido nada. Permaneci mais alguns instantes ali sozinha, pensando em tudo, ou somente em Nina.
É como se todo o ar que existisse não fosse o suficiente quando estou perto de Nina. Era diferente agora, a mágoa que sempre alimentei dela estava diminuindo, e eu não queria que isso passasse, pois era exatamente a mágoa que me fazia permanecer distante. Nina me ganhara sempre que quisesse e isso me assustava e ainda assusta, são tão pequenas coisas que ela fazia e me faziam faltar o ar, sua risada, seus olhos, seu jeito de arrumar os fios de cabelo bagunçados, o jeito que sua boca movia quando ela falava, sua delicadeza ao tocar em mim, tudo nela me fazia perder os ares dos pulmões. E agora, tão perto, e eu tenho medo de me sentir assim. Medo de ela sumir novamente. É possível eu querer ela longe de mim, mas ao mesmo tempo perto? Estou em uma confusão de sentimentos de um adolescente. Nós, adultos, nos enganamos tão facilmente, achando que somente adolescentes tem suas dúvidas, seus amores e paixões. Mal sabemos que quando adolescentes temos mais coragem de lutar por aquilo que queremos e acreditamos, quando adultos, somos covardes, deixamos que as coisas mais importantes se vão por medo.
– Não acredito que você está aqui! – Ouvi uma voz familiar que me despertou, sentei e procurei de onde vinha a voz e encontrei.
– Olá Júlia! Que surpresa agradável minha querida. – Não saberia se seria tão agradável quanto imaginara.
– Nossa, estava com saudades suas! Fui no hospital e me disseram que você tinha viajado, só não saberia que seria para o mesmo destino que eu estava indo. – Julia falou sorrindo vindo me abraçar.
– Parece que o destino insiste em fazer nossos caminhos se cruzarem. – Catarina falou, vindo logo atrás com Ana, que tinha um sorriso culposo em seus lábios.
– Olá Catarina. – Falei engolindo em seco e estendendo a mão a ela, Julia apenas nos observava com curiosidade, será que ela sabia?
– Olá Doutora Franciele. – Catarina me olhou nos olhos e sorriu.
– Não precisamos de formalidades fora do hospital senhorita. – Falei educadamente, o que a fez corar. Ana falava algo no ouvido de Júlia.
– Mãe, estou indo com a dinda lá selar os cavalos. Muito bom ver você Fran! Vai ser um final de semana incrível.
– Com certeza querida. – Falei voltando a me sentar e olhar o lago.
– Posso me sentar? – Catarina me perguntou.
– Claro. Acredito que se eu falar não, não irá adiantar muita coisa. – Falei sorrindo.
Catarina se sentou ao meu lado, continuei a olhar a água se movimentar lentamente no lago. O vento que soprava fazia com que as folhas das árvores dançassem lindamente. Sentia o olhar de Nina queimando sobre minha pele, a adrenalina liberada pelo meu organismo fazia com que meu coração batesse mais rápido. Ah, o ar. Onde ele estava que não estava em meus pulmões?
– Eu senti tanto medo de nunca mais encontrar você. – Nina falou e voltou o olhar para a água.
– Eu também Nina. – Falei, e não acreditava que estava me permitindo tão facilmente.
– Sei que te quebrei, mas você não imagina o quanto eu ainda estou quebrada. – suspirou. – Depois daquele dia, vivi em minha sentença de não te ter mais do meu lado.
– Engraçado é as pessoas acharem que algo quebrado pode voltar a ser a mesma coisa. Pode ser consertado, mas nunca ficará a mesma coisa do que era.
– Tenho certeza disto quando olho para você Fran. – Nina olhou para mim, e eu me perdi no mar de castanhos dos olhos dela. – Eu lamentei todos os dias de minha vida, o único fruto do qual jamais me arrependerá de meu casamento, é Júlia. Essa foi a melhor coisa que ele poderia ter me dado. O restante somente você pode.
– Você sabe que o tempo não volta e não tem o que fazer para mudar a nossa história. – Falei voltando a olhar para frente. Nina suspirou em derrota.
– Eu nem quero que mude. Tudo isso que nos aconteceu, serviu para que eu pudesse enxergar e aceitar aquilo que sinto por você.
– Pode ser tarde demais Nina.
– Nunca será tarde enquanto você respirar Fran. Eu vou tentar e tentar.
Olhei para ela e vi o brilho naqueles castanhos, o brilho que ela tinha quando nos conhecemos, o brilho que me fez querer mais e mais ela. Talvez eu devesse dar uma chance para ela, para mim, para nós duas. Talvez agora a história desse certo, ou ainda acabaria da mesma forma.
– Mãe, vamos? – Julia aparecera com uma roupa diferente. – Você não quer vir Fran?
– Não querida, obrigada. Vou entrar e tomar um banho.- Falei me levantando e estendendo a mão a Nina para que ela o fizesse.
– Obrigada Fran. – Falou me olhando e sorrindo, um sorriso lindo.
– Bom passeio meninas. – Me despedi e parti para a recepção da pousada a procura de Ana.
– Olá, quer a chave de seu quarto? – A moça recepcionista me perguntou.
– Quero. – Ela me entregou a chave. – Você sabe onde anda a senhorita Ana?
– Ah, claro! Ela está ali na cozinha.
– Obrigada. – Me despedi e fui em passos firmes a cozinha.
– Demorou para vir me procurar. – Ana estava mexendo em algumas coisas.
– Você tem alguma coisa a ver com isso não?
– Se eu disser que não estarei mentindo, mas acredite, a ideia não foi minha.
– E de quem foi?
– Júlia, sua futura filha. – Sorriu ao falar isto e me olhou.
– Ana, estou falando sério. Não é hora para brincadeira. – Falei em um desabafo. – Vim para cá em busca de paz, chego aqui e até encontro a paz, mas logo atrás meu inferno venho junto.
– Nossa Franciele, quanto drama. – Ana falava e gesticulava com as mãos. – Júlia me ligou e disse que a mãe havia lhe contado sua história, falando de você. Julia queria fazer com que vocês duas se encontrasse mas não sabia como. Então eu falei que ia te convidar para vir passar o final de semana aqui, como eu sei que você odeia carnaval.
– Então o óbvio aconteceu, Julia deu a mesma ideia para Nina.
– Exatamente, que por sinal também odeia carnaval. – Ana completara a frase.
– Que planinho de vocês duas hein?! – Falei passando a mão nos cabelos.
– O bom disto tudo é que está dando certo.
– Não, não está. – Falei com o cenho franzido.
– Olhe para você no espelho Fran! Parece aquela menina desgonçada que Nina me apresentou no quiosque. Está toda boba por ela. – Ana sorriu e voltou a fazer o que estava.
Realmente, eu estava mais que boba, eu estava dando novamente uma chance para Nina, isto me assustava, mas me trazia uma sensação tão maravilhosa que eu deveria me conter. Não seria tão fácil assim para Nina me ter novamente.