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DUST TO DUST – CAPÍTULO XIX

POV CATARINA

A vida sempre me proporcionou momentos bons, poucos foram aqueles que realmente consegui aproveitar. Noite passada foi um destes momentos, não sei se foi o álcool ou a saudade, mas eu simplesmente a beijei. Quando ela se afastou e me olhou, pensei na grande besteira que havia feito, quando ia me explicar e colocar a culpa na bebida, Fran passou seu braço por minha cintura e me puxou para perto dela, atacando meus lábios. Não me lembrava por quanto tempo havia esperado por aquilo, muito menos quanto tempo permanecemos nos provando novamente.
Acordei com uma dor de cabeça terrível, e a primeira coisa que vejo foi uma Julia quase em cima de mim com um sorriso largo, ela falava algo muito alto.
– Filha, não fale tão alto. – Supliquei a olhando.
– Mãe, nem estou falando alto. – Falou colocando as mãos na cintura. – Pelo jeito está de ressaca não é?
Somente a olhei e fui saindo da cama me arrastando para o banheiro. Logo tomei uma ducha quente e pude refrescar minha memória sobre o fim da noite. Escutei a porta do banheiro se abrir.
– Mãe, podemos conversar? – Julia falou em um tom de riso, já conhecia seu sarcasmo, até parecia ser filha de Ana e não minha.
– Julia! Estou ocupada, não está vendo? – Falei passando o shampoo em meus cabelos.
– Vou direto ao ponto então. – Pausou. – Como foi beijar seu grande amor novamente? -Neste momento perdi as forças de minhas pernas, com o piso cheio de espuma por causa do shampoo acabei escorregando e caindo. – Meu Deus do céu!
Julia abriu a porta do boxe e logo me ajudou a levantar-me do chão que ainda estava escorregadio. Minha região lombar doía muito, fora a parte de minhas nádegas que estavam começando a ficar com hematomas. Depois de alguns bons minutos, Julia me ajudou a terminar o banho e me levou até a cama com o roupão, disse que pediria ajuda para ver minhas costas.
Ouvi a porta abrir e uma Franciele com um olhar preocupado vindo em minha direção com uma maleta preta, logo atrás Ana e Julia adentravam o quarto.
– Eu disse que não precisava chamar ninguém Julia. – Falei a fuzilando, fazendo menção de como eu estava vestida ainda, apenas com o roupão. – Olha como estou vestida.
– Ai mãe, é importante. – Falou olhando para Ana. – Você caiu e está se queixando de dor, fora que sua bunda está roxa.
Neste momento eu não saberia que cor meu rosto ficou, Ana e Julia riram, enquanto Fran tirava algumas coisas de médico da bolsa.
– Posso te examinar? – Fran me perguntou.
– Sim. – Respondi envergonhada.
Fran pegou uma caneta diferente, que parecia uma lanterna. Pediu que eu seguisse a luz com os olhos, o fiz prontamente.
– Suas pupilas estão reagindo a luz. – Falou e pegou algo mais na bolsa. – Vou verificar sua pressão ok?! – Falou me olhando, apenas balancei a cabeça positivamente. Demorou menos de dois minutos e ela já estava retirando o aparelho de meu braço. – Sua pressão está 120/80. Está ótima. Agora levante e respire fundo. – Eu não estava entendendo metade das coisas, mas estava adorando ver Fran cuidar de mim. – Respire fundo e solte devagar Nina.
– Tudo bem. – Respondi inspirando fundo e expirando devagar, repeti três vezes a mesma coisa.
– Está normal. – Fran falou retirando o estetoscópio e o colocando em cima da cama. – Agora preciso que você levante sua perna e segure seu joelho na altura de sua cintura, consegue fazer? – Ela falava tranquilamente me olhando, balancei a cabeça dizendo que sim. Fiz uma pequena careta de dor, estava dolorido.
– Está doendo nesta posição? – Fran me perguntou.
– Está dolorido. – Falei.
– Certo. – Fran passou a mão pelas minhas costas e parou um pouco acima de minha nádega direita, na região lombar. – Vou apertar, se doer me avise. – Fran apertou e senti uma queimação.
– Está doendo. – Falei sentindo a queimação percorrer minha perna direita.
– Você já tinha alguma dor nesta região antes?
– As vezes doía um pouco, mas não muito.
– Deve ser seu nervo ciático, ele inflamado pode doer muito, com este tombo seu, vai doer por alguns dias, vou te passar alguns remédios para dor e inflamação, mas não estou com o receituário aqui. – Falou passando as mãos no cabelo, procurando o celular.
– Tudo bem, quando voltarmos eu vou ao médico novamente, você me fala os nomes dos remé…
– Não mãe! – Julia havia gritado? A olhei com uma interrogação enorme na testa. – Quer dizer, a Doutora Franciele já é médica, pra que ir em outro?
– Não se preocupe, já mandei mensagem para Chavez perguntando se ele conhecia algum médico desta região, ele disse que tinha, me passou o número. Vou ligar para ele e já volto. – Fran falou saindo do quarto.
– Como as coisas mudam não é mesmo? – Ana estava sorrindo.
– Engraçado foi eu perguntar do beijo e ela cair. – Julia falou e logo após caiu na risada. – Estou rindo mãe, mas estou preocupada.
– Estou vendo o quanto! Não podia esperar eu me vestir? Estou só de roupão e você traz a Dra. Franciele para cá!
– Agora é doutora é? – Ana falou rindo. Escutamos passos e logo estávamos em silêncio.
– Temos sorte! – Fran falou entrando no quarto. – Ele ligou para uma farmácia local e avisou que eu passaria lá para pegar alguns remédios e logo ele iria levar a receita. – ficamos nos olhando por breves segundos.
– Que bom. – Ana falou rápido. – Julia, pode me ajudar no celeiro?
– Claro, até depois. – Julia deu uma piscadela para Ana e ambas saíram rindo.
– Desculpe por isso – Falei apontando para onde Julia e Ana saia. – E obrigada por vir aqui, não precisava.
– Eu estava tomando café, ai a Julia chegou correndo dizendo que você havia caído no banheiro, então corri até o carro e peguei minha bolsa e logo fui para sua cabana. – Ela falava calmamente sentando na beirada da cama. – Julia parecia pálida, então me preocupei.
– Vi quando você chegou, estava séria. Mas não precisava ter vindo, eu tinha falado para Julia que não tinha sido nada.
– Quando sentimos alguma dor, você precisa de um médico, sentir dores não é normal. Até mesmo uma dor de cabeça pode ser sinal de algo.
– Certo! Você está certa. – Falei rindo. Ficamos em silêncio por um tempo curto, fui me ajeitar na cama e gemi um pouco de dor, minha bunda ainda doía.
– Onde está doendo? – Fran me perguntou séria.
– Tudo bem Fran, caí de bunda no chão, tem alguns hematomas já. – Falei baixando a cabeça.
– Acho que não é apropriado eu examinar suas nádegas. – Fran falou rindo me deixando ruborizada. – Hey, calma. Foi uma brincadeira! Não fique vermelha deste jeito.
– Como se isso não fosse mais humilhante do que já é. – Pausei enchendo o pulmão de ar. – Já não basta eu ter caído de bunda no chão e você vir aqui, estou apenas de roupão. – Falei passando a mão pela testa, e então me toquei o que havia falado.
– Entendi. – Fran falou. – Melhor eu ir então. – Falou se levantando da cama.
– Fica mais um pouco. – Falei e segurei sua mão. Ela me olhou com o cenho franzido e sentou-se novamente. – Podemos conversar sobre ontem?
– Ontem? – Fran perguntou parecendo não saber sobre o que era.
– Você não lembra? – Perguntei a olhando, sua expressão não mudou o que começou a me causar um frio na barriga desconfortável.
– Claro que lembro Catarina. – Fran falou rindo. Ok. Ela estava brincando.
– Não sei bem o que me deu, talvez a bebida foi um impulso para que eu pudesse fazer o que fiz. – Falei de cabeça baixa, senti os dedos quentes de Fran se posicionarem em meu queixo e fazer com que eu erguesse a cabeça e a olhasse.
– Nina, não tenha vergonha. – Fran falou e eu desviei o olhar. – Olhe pra mim Nina. – Fran pediu, mas algo em mim não estava certo. Eu estava com vergonha de Fran, um remorso começou a percorrer meu corpo. – Nina, olhe pra mim. – Ergui meu olhar já meio marejado por causa das lágrimas. Fran pegou minha mão e colocou em meio ao seu peito. – Você está sentindo? Logo farei uma metáfora, pois sei que cientificamente falando, nosso coração não serve para amar, mas sim para bombear o sangue. – Sorri ao escutar ela. – Quando você me deixou naquela calçada e fechou a porta eu poderia jurar que meu coração parou de bater por minutos. Meu mundo estava desabando em minha cabeça, não existia chão para eu por meus pés e seguir caminho. Além da raiva, o que eu senti ao te ver na recepção da pousada ao lado de sua avó, este sentimento permaneceu comigo este tempo todo. Ele estava adormecido e escondido na escuridão que deixei que se tornasse dentro de mim, mas você está sentindo este batimento forte e rápido?
– Sim. – Falei já chorando.
– Isto somente você conseguiu fazer em mim Nina. O tempo passou tão rapidamente que não pude mais deixar que a luz entrasse em mim, eu não me permitia a isso, pois sempre me vinha você e toda raiva junto. Durante estas semanas que nos reencontramos, venho pensando muito nisso, em como estou, no que perdi durante estes anos e no que quero. Ontem Catarina … – Falou sorrindo. – Ontem foi um dos dias que mais esperei depois de você ter me deixado, eu apenas vinha negando isso para mim, e realmente, a bebida nos ajuda a fazer algumas coisas. Hoje pela manhã agradeci a Ana pelo vinho, ela disse que sabia o que estava fazendo, e realmente estava.
– Estou feliz, no entanto, triste ao mesmo tempo. – Falei a olhando. – Você não merece estar com alguém que te fez sofrer tanto, que te fez juras de amor e depois te deixou em uma calçada embaixo de chuva. – Falei limpando as lágrimas que escorriam. – Você merece alguém que te faça bem, você é incrível, sempre fora. Eu estraguei sua vida Franciele, não quero fazer isso novamente, eu te amo mais que tudo, mas não posso te quebrar novamente. – Fran me olhava com o cenho franzido. – Tenho medo do que possa acontecer, Carlos ainda nem imagina que te reencontrei, e a hora que souber ele vai surtar, minha mãe então…
– Esta será sua última chance Catarina. – Fran falou se levantando e pegando sua maleta – A vida não costuma nos dar segundas chances. Eu estou aqui, aliás, sempre estive. Eu vou me arriscar por você, mas preciso saber se você está preparada para isso, pois não me quebro mais, cresci e amadureci Catarina. Pense, pois também irei pensar. – Falou se distanciando. – Vou levar Julia comigo na farmácia e darei os remédios para ela. Até mais. – E assim ela saiu do quarto me deixando com minhas palavras estupidas, ela havia se declarado para mim, e eu novamente não fiz a coisa certa. Eu preciso dela, meu corpo inteiro necessita dela. Desta vez eu irei até o fim, nem que isso custe meu relacionamento com minha mãe.