Search for content, post, videos

DUST TO DUST – CAPÍTULO X – JUNHO 2000

Já havia se passado alguns meses desde minha despedida de Catarina no Rio de Janeiro. Voltei para Cuba com o coração apertado, ver Nina chorar e me abraçar forte fez com que metade de mim quisesse ficar com ela no Brasil.

Os dias com ela foram rápidos, seus pais me adoraram, mas preferirmos manter à eles como se fossemos amigas, aliás, a gente nem sabia o que estava acontecendo conosco ou qual tipo relacionamento tínhamos, se tínhamos algum.

Ligávamo-nos todos os dias antes de dormir, as mensagens de texto são desde a hora que acordamos, até antes de dormir. Eu estava tão apegada àquela brasileira, ela me fazia tão bem, me mostrava o melhor que eu poderia ser, na realidade, eu estava completamente apaixonada por Catarina Ferreira.

Roberta estava meio confusa com tudo, ela me apoiava, mas ficava com um pé atrás, não entendia a implicância dela com Nina. Dizia que quem não lutou uma vez para ser quem é, não luta duas, que eu estava me entregando demais para alguém que eu não conhecia, tudo bem eu me apaixonar, mas não da maneira que eu estava fazendo. Foi longos dias de discussões e brigas até, mas no final ela sempre estava lá do meu lado. Mima mama estava ansiosa, talvez mais do que eu para ver Catarina.

Durante o tempo que fiquei na pousada nos encontrávamos a tarde e ficávamos juntas, pela madrugada, Catarina batia na porta de nosso apartamento e passava a noite comigo, mas nada era feito, sempre houve muito respeito entre ambas às partes, tinha amasso e tudo mais, mas nunca passávamos disto.

Agora eu estava ansiosamente esperando Catarina no aeroporto em Cuba, cheguei faz uma hora já. A última mensagem que ela me mandou já se fazia mais de duas horas. Caminhei por entre as lojas e observava as vitrines, no fundo do corredor onde eu estava havia uma senhora vendendo flores.

– Bom dia! – Falei sorrindo chamando a atenção da senhora de meia idade.

– Olá moça bonita – falou com um semblante alegre – No que posso te ajudar?

– Gostaria de alguma flor que tenha um significado importante, me entende?

– De amizade, por exemplo? – a mulher me perguntava.

– Talvez, mas seria melhor se fosse algo sobre amor – Falei lembrando-me de Nina, do seu sorriso lindo.

Ela me olhou me analisando e vasculhou seu carrinho, após ressurgiu com um tipo de buque de orquídeas brancas?

– Orquídeas? Achei que a rosa vermelha tivesse um significado maior – Falei sorrindo.

– Minha jovem, como é o nome do moço sortudo? – Ela me perguntou.

– Na realidade é moça, é a moça mais linda que já vi na minha vida, se chama Catarina. – Falei com um sorriso largo, sentindo meu coração bombear mais rápido.

– Acho que fiz a escolha certa então. – falou me olhando nos olhos – As rosas vermelhas significam amor, paixão e desejo. Você tem tudo isso por esta moça que faz seus olhos brilharem, mas a orquídea branca significa amor puro, e tenho certeza que não há nada de mais puro em você do que este amor. Esta na sua alma.

– Ow, obrigada. Quanto lhe devo? – Falei pegando aquelas flores lindas.

– Não me deve nada, apenas me prometa que você irá lutar por este seu amor. – Falou a senhora simpática.

– Considere feito. Obrigada mais uma vez – Me despedi e sai para o saguão.

Há passos largos vejo de longe uma morena, com cabelos negros ondulados, usando uma calça jeans apertada, uma camiseta cinza e um casaquinho por cima. Era ela. Estava mais linda que da ultima vez que a vi.

– Estás realmente aquí! – Falei perto de seu ouvido.

Ela apenas virou e me encarou com aqueles olhos castanhos, senti seus braços envolverem meu pescoço e logo sua boca se encontrar com a minha, com um beijo cheio de saudades. Como eu estava com saudade desta boca, do seu gosto, de sua língua numa batalha com a minha. Nina apenas continuo a me beijar esquecendo-se de tudo ao seu redor. Finalizamos o beijo com um selinho e nos olhamos por alguns segundos, eu tinha certeza que ela era à mulher da minha vida.

– São para você – estendi o buque para ela que o recebeu com um sorriso largo.

– Fran, são lindas! Obrigada meu amor – Falou se aproximando deixando um beijo suave pelos meus lábios.

– Estava com tanta saudade sua Nina – falei a abraçando-a.

– Eu também estava – Respondeu baixo no meu ouvido, o que fez os pelos de minha nuca se arrepiar.

– Pronta? – Perguntei sorrindo.

– Pronta. – Me respondeu entrelaçando nossos dedos.

Seguimos por entre as ruas de Havana, Catarina estava deslumbrada com o lugar.

– Parece uma criança olhando pela janela assim – falei sorrindo, lembrando-me de quando ela me disse esta frase.

– Acho que esta frase é minha! – Falou fingindo estar ofendida.

– Estou tão feliz que tenha vindo. Minha mama está ansiosa para te conhecer. – Falei rindo e percebi que Nina havia mudado sua expressão. – Falei algo de errado? Aconteceu alguma coisa?

– Não, claro que não. Está tudo bem – Falou se ajeitando no banco – Só estou cansada.

– Descanse, quando chegarmos, te avisarei.

Percorri nosso trajeto tranquilamente, minha mente estava toda em volta da morena que estava ao meu lado. Nina tinha um semblante tranquilo, estava de olhos fechados, seus cabelos estavam soltos, algumas mexas volta e meia iam para seu rosto, lábios entre abertos, sua respiração estava leve. Catarina era a mulher mais linda que vi. Sorri sem perceber, ela era o motivo da minha felicidade estes últimos meses.

Quando chegamos, minha mama estava esperando com um café delicioso, parecia uma barata tonta dentro da própria casa. Eu havia pedido calma para ela, para não assustar Catarina com sua mania de questionários.

Catarina desceu do carro se alongando, eu fui ao porta malas pegar sua bagagem, entramos dentro de casa e gritei pela minha mãe.

– Mamá, ¿dónde estás?

– Estoy en la cocina hija! – mama gritava.

– Vamos lá? – Perguntei segurando as mãos de Nina, que tremiam por sinal. – Você está bem?

– Estou nervosa. – Sorri para ela. – Não ria.

– Calma ok? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.

Passamos pela sala e adentramos na cozinha. Quando minha mama se virou e olhou para nós duas ali de mãos dadas, nos analisou, percebeu em meu semblante que eu estava a repreendendo por tal gesto, ela pareceu não se importar. Olhou para Catarina de cima a baixo e se aproximou.

-Entonces usted es el tan famosa Catarina? – Minha mãe a encarava perguntando.

– Sim senhora – Catarina respondia em meio a um sussurro.

– Mama, pode parar com isto? – Perguntei me remexendo um pouco, fuzilando ela com meus olhos. Ela soltou uma risada alta e abraçou Catarina, o que me deixou aliviada.

-Ven aquí chica, bienvenido. – Falou abraçando-a – Franciele no dejar de hablar de ti desde que regresó de Brasil.

-Mama! – Falei em um tom sério o que fez ambas rirem.

– É um prazer conhecer a senhora. – Nina falou sorrindo.

Depois desta cena tudo ocorreu normal. Nina subiu para o meu quarto para tomar um banho, eu e mina mãe ficamos aguardando ela na sala. Quando ela chegou fomos tomar o café e o assunto era de como nos conhecemos e como tudo isto foi acontecer. A cada frase que saia da boca de Catarina eu me apaixonava cada vez mais por ela.

Levei-a para conhecer a universidade onde estudava, encontramos Roberta num bar onde combinamos, conversamos durante horas, aliás, as horas ao lado de Nina pareciam minutos. Quando retornamos para casa, minha mama já estava dormindo, enquanto Nina se trocava, aproveitei para tomar um banho e relaxar.

– Sabe que eu ainda não estou acreditando que você está em Cuba, na minha casa e na minha cama – Falei virando-me para ela, ela fez o mesmo e ficamos de frente uma para outra.

– Eu também não acredito, mas estou aqui. Devemos aproveitar – Falou se aproximando mais de mim.

– Você é assanhada né brasileira – Falei sorrindo. – Você está bem mesmo? Me parece que tem algo de errado.

– Impressão sua. – Falou suspirando – Minha família esta desconfiada de nossa amizade estão começando a pegar no meu pé. Fizeram Fernando jantar conosco antes de eu vir pra cá. – Engoli em seco ao escutar o nome de Fernando, não que eu seja ciumenta, mas tinha uma possibilidade deles voltarem, mesmo com Nina falando que era impossível disto acontecer.

– Você sabe que se continuar a mentir vai ser pior, e se contar a verdade terás que ser forte – Falei olhando-a, Nina se encaixou em meu corpo e pousou sua cabeça em meio peito.

– Não vim de tão longe para falar da minha família, vamos nos aproveitar tá? – Nina falou me apertando em um abraço.

– Tudo que você quiser meu amor. – Respondi dando-lhe um beijo em sua cabeça.