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Dust to Dust- Capítulo II – Fevereiro 2000

– Mama, já entendi. Eu irei me cuidar – falava com mama impaciente já.

– Mija, você está indo para outro país com seus colegas de faculdade, é claro que irei me

preocupar. Outra coisa, você vai me ligar todos os dias.

– Prometo mama, mas tenho que ir agora, são apenas cinco dias – falei já abraçando-a e

me despedindo.

Mama me benzeu como sempre fizera antes de minhas saídas e fui me afastando.

– Adíos mama, ti quiero.

A despedida foi breve e rápida, para que meus amigos não esperassem mais na van.

– Sua mama sempre é assim? – Juarez me perguntou rindo.

– Sim, sempre!

Eu e mais seis colegas da faculdade planejamos uma viagem para o Brasil, no Rio de

Janeiro. Estávamos todos com 20 anos, e entrando no nono semestre da faculdade de

medicina, então esta viagem era tipo de formatura para nós, e nada melhor que conhecer

o Carnaval brasileiro.

A viagem foi bem tranquila, estávamos ansiosos para chegar na pousada. A agencia de

turismo que contratamos cuidou de tudo. Logo que desembarcamos havia um senhor

segurando uma placa com o nome de Juarez, o que nos fez entender que seria nosso

motorista da van.

No caminho para a pousada, víamos a movimentação desta cidade que estava intensa.

– Não acredito que chegamos para o Carnaval – Roberta falava animada.

Chegamos na pousada por volta das 15h da tarde, meus amigos foram fazer o check-in

enquanto eu ia no banheiro ver meu estado deplorável por causa da viagem. Quando

retornei para a recepção meus amigos já não estavam lá. Caminhei até o balcão da

recepção e uma senhora de cabelos grisalhos me recepcionou.

– Olá jovem – A senhora falava com um semblante alegre.

– Hola, ¿dónde están mis compañeros?

– Ai meus Deus, não estou entendendo sua língua gringa – a senhora falava algo que eu

não compreendia muito bem, mas acredito que ela não estava entendendo o que eu

havia falado, então tentei arriscar meu português.

– Ok. ¿mis amigos? – falei devagar – Amigos, Entender? – a senhora balançava a cabeça

em negação. Sorri para ela e peguei meu celular para enviar uma sms para a Roberta vir

me buscar aqui.

– Vovó, deixa que eu atendo – escutei uma voz vinda atrás de mim, aguardei.

– Hola – a moça falava simpática, e ainda falava meu idioma.

– Hola – falei sorrindo guardando o celular – Queria saber onde está meus amigos, fui

ao banheiro e se esqueceram de mim aqui.

– Você que é a – ela pegou algum papel da bancada e virou-se para mim – Franciele?

– Pelo o que indica em meus documentos, sou eu sim – Falei rindo.

– Certo, sua amiga já esta no quarto, é o número 12. Sobe as escadas, corredor a direita.

– Obrigada senhorita Catarina. – Falei meio enrolada, seu nome no crachá era

engraçado.

– Como sabe meu nome? – Ela perguntou envergonhada.

– Seu crachá – Falei rindo, virei os calcanhares e subi as escadas.

Abri a porta do quarto, Roberta estava apenas com suas roupas íntimas, organizando

suas malas.

– Esta sua mania de andar assim não muda né? – Falei pra ela revirando os olhos. Desde

que ficamos amigas no segundo semestre da faculdade, nos tornamos muito próximas, e

assim, todas as festas ela desfilava com suas roupas íntimas na minha frente, mesmo

depois de saber de minha sexualidade.

– Eu achei que você tinha se perdido borrão branco – falou rindo.

– Pare de me chamar assim, já te falei – Falei rude, e ela nem deu bola.

– Onde você estava? – Ela me perguntou com um sorriso malicioso – Estava se pegando

com a morena da recepção?

– Meu Deus, mau chegamos e você já está surtando sua louca. Eu fui ao banheiro, e

vocês não me esperaram. Fui na recepção e uma senhora me atendeu, mas não entendia

absolutamente nada que eu falava, então uma moça veio me atender, foi só isso. – Falei

indo em direção a sacada do quarto, que era linda.

Ficamos nos organizando no quarto, tomamos um banho e descansamos um pouco.

Passava das 17h30 e meus amigos estavam prontos para ir em algum bar que a moça da

recepção havia indicado para eles.

– Vamos então? – Os meninos estavam prontos na porta de nosso quarto, eu ainda

estava deitada.

– Vamos não. Eu ficarei aqui para terminar este livro – Falei normal.

– Não né Fran – Roberta falou em tom de autoridade – Você prometeu que ia se distrair,

você sempre foi a mais esforçada entre nós, você prometeu que ia vir para se divertir.

– Eu vou, prometo – Respirei e continuei – Só que estou cansada da viagem, amanhã

nós sairemos todos juntos – Falei sorrindo.

Depois de muito relutarem, tentando me convencer de ir com eles, eles foram.

Peguei o livro e fui explorar a área verde da pousada. Adorava jardins, o verde me trazia

tranquilidade. Havia bancos espalhados, encontrei um embaixo de uma grande arvore.

Este seria um belo lugar para terminar minha leitura que comecei faz mais de 4 meses e

não tinha acabado.

– Resolveu ficar? – Catarina, a menina da recepção estava a minha frente. Desviei meus

olhos do livro e olhei para ela.

– Estou meio cansada, e queria terminar este livro – falei virando a capa do livro pra ela.

– Paulo Coelho? – olhou balançando a cabeça pra mim em forma positiva – Ótima

escolha.

– Ah, sim. Obrigada Catarina – Nesta hora ela olhou me fuzilando, eu prossegui minha

fala – Adoro livros dele, este eu comecei a mais de quatro meses, mas com o fim do

semestre, ficou muito corrido.

– Me chame de Nina- Falou sorrindo – E qual faculdade você faz?

– Medicina – Falei quase em um grito – Estou indo para o nono semestre, e estou como

interna em um hospital.

– Você deve amar o que faz, pela sua empolgação.

– Sou apaixonada por isso. – ficamos em silêncio alguns segundos que pareciam horas,

então resolvi quebrar o silêncio – Como você fala tão bem castelhano?

– Ah, faço curso desde meus 15 anos. – Respondeu sorrindo – Sabia que ia precisar dele

aqui na pousada.

– Que idade tens agora? – Pergunta indelicada, pensei só depois de ter falado.

– 19 anos – Respondeu.

– O que tem ai nesta garrafa? – Agora que me dei conta que ela segurava uma garrafa e

alguns copos plásticos.

– Café, quer um pouco? – Ela perguntou já me servindo.

– Claro, café me acompanha diariamente em Cuba – falei em meio a um riso. A cafeína

era minha melhor amiga.

– Cubana então? – ela sorriu ao me entregar o copo, eu acenei com a cabeça – Daqui a

pouco acaba meu expediente, poderia te levar a conhecer um pouco o Rio, claro se você

quiser.

– Se não for te incomodar, seria ótimo. Estou curiosa por esta cidade. – Falei a olhando.

– Então passa na recepção daqui uns 30 minutos. Até mais- Nina virou seus calcanhares

e se afastou.

Expirei o cheiro delicioso do café, encostei minhas costas no encosto do banco e tive

uma pequena sensação no estomago de ansiedade? Espera! Eu estava ansiosa em conhecer o Rio

com Nina! Sorri e tomei o café.

N/A
Olá pessoas 😀
Como vocês perceberam, a história vai ser um pouco do presente e do passado de Fran (como neste capítulo), para entenderem a história dela.
Espero que estejam gostando.
Um abração!

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