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Disobedience: O Amor deve ser um ato de desafio ou uma dádiva da liberdade? Um dos filmes de temática lésbica mais aguardados do ano está em cartaz e você confere a crítica aqui!

            Ontem tive o prazer de assistir ao tão esperado – por mim particularmenteDisobedience (Desobediência), um filme cujo cartaz traz nada mais, nada menos, que um quase beijo entre Rachel Weisz (Múmia e Retorno da Múmia) e Rachel McAdams (Diário de Uma Paixão; Meia-Noite em Paris), que interpretam duas mulheres fortes, Ronit e Esti respectivamente, lutando contra o peso imposto pelas limitações da crença na busca pela liberdade de ser quem se é e amar quem se quer.

Muito elogiado pelos críticos estrangeiros, o filme de fato entrega muito além do que o instigante trailer propõe. Ao espectador pode parecer que se passa em uma época antiga, mas não, por incrível que pareça ele acontece no século XXI, numa cidade pequena cujo judaísmo ortodoxo é extremamente forte e onde as crenças religiosas ainda servem como pesadas algemas sociais, passando a homossexualidade como doença. Neste cenário, Ronit (Rachel Weisz) é uma fotógrafa de Nova York, moderna e independente, que apesar de ser dona de suas próprias vontades, ainda traz em si o peso da criação religiosa rigorosa, por ter um pai Rabino que a renegou quando descobriu que a filha gostava de mulheres. Esse peso torna-se claro logo no início do filme, quando ao saber da morte do pai, Ronit nitidamente abalada pela notícia, rasga a própria roupa. Esse gesto pode parecer um ato de desespero aos nossos olhos, mas na verdade trata-se de um hábito religioso ortodoxo judaico, feito por aquele que perde um ente querido. Apesar disso, vemos que a personagem encontra um equilíbrio e respeita as tradições judaicas, mas não concorda com muitos dos hábitos impostos, dentre eles a obrigatoriedade de fazer sexo com os maridos toda sexta-feira ou até mesmo a imposição para uso de perucas para as mulheres.

Ela retorna à cidade Natal, para o velório de seu pai e lá reencontra seu primo e sua melhor amiga Esti (Rachel McAdams), descobrindo que eles se casaram. Esti fora na juventude muito mais do que sua melhor amiga, mas ao contrário dela, acabou por sucumbir-se a vida tradicional da pequena cidade judaica. Nesse contexto, a relação entre os três personagens, e principalmente, entre as melhores amigas, traz à tona o quanto viver em uma vida de aparências pode ser cruel. Pode parecer o velho roteiro clichê de amores homossexuais proibidos pela religião, mas acredite, só parece. A história é bem original, surpreendente e intrigante em muitos pontos. Mesmo sendo um filme de narração lenta, prende a atenção durante suas duas horas de duração e possui uma carga emocional muito rica. Para os fãs de Weisz ela não só estrela o filme como também o produz.

Para quem anseia por filmes de temática lésbica, Disobedience será um enorme presente, no entanto é muito mais que um romance. O enredo vai muito mais a fundo, falando principalmente de religião e trazendo profundas reflexões, ao mesmo tempo em que presenteia o espectador com uma brilhante atuação das atrizes veteranas, que entregam uma química fora de série, e tornam o desejo, a paixão e o amor proibido entre as duas personagens algo tangível, fazendo nosso coração acelerar durante as cenas enquanto torcemos fielmente por elas. Rachel McAdams, em seu ápice de maturidade na carreira, entrega uma brilhante atuação e torna Esti uma personagem coadjuvante com peso de principal. Outra grata surpresa é Alessandro Nivola, que vive Dovid Kuperman, marido de Esti e primo de Ronit, completando o trio de ponta da trama.

O roteiro bem escrito, as cenas com poucas cores e lotadas de diálogos em que os personagens se falam apenas pelo silêncio dos gestos e do olhar, evidenciam muito bem a mensagem que o filme quer passar. O polimento social é bem característico das aparências que um fanatismo religioso geralmente impõe e aqueles que tentam levar uma vida normal e criticá-lo, como Ronit, ou os que tentam transformá-lo como Esti, causam extremo mal-estar e julgamentos.

Então, deveria ser ainda o amor um ato de desafio nos tempos de hoje? E quanto ao peso das escolhas e suas consequências? A cena final – que não vou relatar aqui  – é a resposta a meu ver para essas perguntas, deixando claro que a chave da evolução humana está no equilíbrio.

No fim, o filme Disobedience merece ser visto e está em cartaz nos cinemas. No Rio de Janeiro é possível assistir no Espaço Itáu de Cinema, Espaço Net Rio e alguns cinemas Kinoplex com diversas opções de horários. Uma dica é consultar os aplicativos de cinema da sua cidade (Ingresso.com dentre outros) e procurar a sala mais próxima. É importante incentivar mais produções como essa para que no futuro, eles não reflitam a realidade de amar como um ato um desafio e sim como um caminho natural e livre para todos nós.

            Afinal, se for para viver e ser feliz, qualquer “Desobediência” é mais que bem-vinda!

Confira o trailer no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=BG_bQk2FDp0

 

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