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Desabafo de uma ex-heterossexual

Um texto sobre os dias em que minha busca por homens, relacionamentos perfeitos e aprovação da sociedade, faziam parte da minha rotina.

Eu era uma dessas meninas que viva atrás do meu príncipe encantado que chegaria em um cavalo branco pronto para me salvar deste mundo de realidade insensível. Eu vivia preocupada com o meu peso e como eu estava sendo vista pelos homens a minha volta.

Meus cabelos deveriam ser cortados no mesmo formato da protagonista da novela e meu esmalte deveria seguir a tendência de cores do verão, ditadas por alguma marca internacional de cosméticos ou roupas ou o que quer que seja.

Em relação aos homens, era simples. Relativamente. O importante era arrumar um bom exemplar daqueles raros românticos que lhe tratam como uma princesa frágil incapaz de pagar o prato que comeu no jantar. Isto, aliás, era regra básica: eles devem pagar a conta sempre. Eu deveria me sentir uma mulher de verdade com um homem de verdade ao meu lado.

Mas aí, um dia eu quis diferente. Quis não precisar de ninguém e quis beijar bocas pelo simples fato de que tinha vontade. Quis deixar meu cabelo mais curto e pintar de uma cor diferente. Preferi não fazer minha unha naquela semana. Comi o que tinha vontade e não me preocupei em olhar a quantidade de calorias na embalagem.

Descobri que tudo aquilo que parecia errado quando era mais nova, era devido à minha sexualidade. Eu sou gay.

Não é necessário ser gay para amar mais a si mesma antes de qualquer coisa. As meninas (independente da sexualidade) devem aprender, desde sempre, a não dependerem de homens, não quererem ser frágeis e buscarem sua felicidade. Eu precisei descobrir minha sexualidade para descobrir tudo isso. Mas algumas mulheres precisam de muito mais tempo. A verdade é que elas não deveriam precisar aprender isso, apenas deveriam saber que é assim que as coisas funcionam.