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Conheça “Queens”, o concurso para drags que movimenta a noite carioca

Matéria escrita por colunista convidada. Quer escrever com a gente também? Só mandar um email para grupohpm@grupohpm.lgbt

Com o sucesso recente da Pablo Vittar e a popularidade do reality show Ru Paul’s Drag Race, as drag queens estão cada vez mais em evidência. A prova disso é o que ocorre toda semana na boate TV Bar, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. A festa “Queens”, lançada há um ano, reúne um número surpreendente de público, todos os domingos, para promover um concurso de drag queens iniciantes. Com ingressos que variam de R$15 a R$50 e uma duração de seis horas, das 23h às 5h, a ideia surgiu da necessidade de um espaço para as queens saírem de casa e expressarem sua arte livremente.

O concurso é feito por temporadas, que duram um mês e meio, uma média de seis domingos cada uma. As participantes são avaliadas por um júri fixo, formado por duas drag queens mais experientes ou que já tenham participado do concurso. O público não fica de fora, ele também vota, mas com um peso menor, pois a participação da plateia é importante para o crescimento da festa. Os critérios de avaliação são maquiagem, figurino, lipsync, performance e inserção no tema do dia.

Se engana quem pensa que a disputa é pura diversão. As queens levam a sério e competem por prêmios. As vencedoras ganham, além de um valor em dinheiro, cursos de maquiagem, aulas de dança, figurinos e acessórios para as performances, tatuagem, perucas, entrevistas em canais de comunicação LGBTQ+ e trabalhos remunerados em outras festas parceiras da “Queens”.

A criadora e dona da festa, Miami Pink, de 31 anos, diz que, ao todo, já passaram mais de 75 drag queens pelo concurso. Com iniciativa própria e a ajuda de um sócio, ela diz que construiu a festa do zero. Criou a imagem central, conversou com um amigo DJ e juntos aprimoraram a ideia até terem o espaço de hoje. Sobre ser um concurso, ela revela que a ideia veio para diferenciar a “Queens” de outras festas com performances.

– Eu queria algo que fosse novidade, que lembrasse um pouco do que eu vivi na adolescência. Existem muitos concursos para drag queens profissionais, porém ninguém dava oportunidade para drags iniciantes. Precisamos iniciar de alguma forma, e a melhor delas é participando da “Queens”. Além de um laboratório, elas fazem contato com o restante da comunidade LGBTQ+ e com produtores de outras festas, são incentivadas a conhecer o meio e apoiar o desenvolvimento das amigas. Nós conseguimos gerar um senso de comunidade e filantropia muito grande.

Iryna Leblon, de 18 anos, lembra que a ideia de criar uma drag queen veio desde cedo. Segundo ela, ser uma drag liberta a expressão artística, em que o objetivo principal é se divertir e estar bem consigo mesma. Para Iryna, é uma realização pessoal. Ela revela, ainda, que o clima nos bastidores da disputa é amigável, mas que existe uma competição.

– Toda drag que entra no concurso pensa, pelo menos um pouco, no ranking final. Às vezes não é nem pela coroa, mas pelo investimento. A “Queens” é como um esporte, em que há competição e a melhor ganha. É muito complicado, você acaba espalhando boatos sobre alguém, isso acontece. Na minha experiência, quando acabou a temporada, nós ficamos muito amigas. Eu já emprestei roupas e gravei vídeos para quem estava competindo comigo. A pessoa tem que ter maturidade, a maior competição é com você mesma. Só eu posso me sabotar.

Co Kendrah, de 24 anos, diz que a parte mais difícil na criação da sua drag foi fazê-la nascer. Ela conta que não tinha dinheiro, não tinha emprego, e que após um intercâmbio pelo Ciências Sem Fronteiras resolveu dar o pontapé inicial. Ela revela que o objetivo ao entrar no concurso foi ganhar visibilidade, mas que nutria, ainda, uma meta mais ampla.

– Queria invadir espaços que não fossem muito LGBTQ+. Na minha faculdade eu vou de drag para os eventos e, assim, consigo uma forma de mostrar que estamos presentes. É pela questão da representatividade. Eu comecei para me expressar e acabou virando algo mais politizado. Eu gosto dessa ideia de aproximar públicos. Precisamos de mais festas que incluam drags, a “Queens” abre muitas portas.

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