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Cheia de Marra

A luz negra refletia no seu vestido branco. Era véspera de ano novo. Faltavam alguns minutos para a virada de ano. Encostada na pilastra de uma sala qualquer de uma festa qualquer, eu te observava. Toda aquela mágica e luz ao seu redor. Você brilhava. No centro da sala, você dançava. Como se não houvesse ninguém ali. Você rebolava e quicava ao som de Mc Livinho com uma graciosidade que eu nunca tinha visto alguém fazer ao dançar um funk. Com os olhos fechados e uma bebida na mão, você me hipnotizava. Seus cabelos negros e ondulados com alguns pedaços molhados de suor balançavam.

Perdida em seus movimentos não vi meu amigo se aproximando: “Mano, fecha a boca. Você tá babando pela mina, Thaís.” Assustada com a aparição dele, permaneci calada enquanto ele continuava falando. “O nome dela é Giulia. Quer que te apresente?”. Respondi que não e continuei a te olhar. Agora sabia seu nome e nada poderia me deixar mais encantada, nunca tinha visto ninguém com esse nome. Giulia. Giulia. Giulia. Provavelmente quando meu amigo percebeu que eu não estava prestando atenção nele, ele deve ter se afastado. Ido atrás de algumas bocas. Uma festa como essa com corações solitários, com bocas vazias, não sei se seria bom ir atrás de alguém. Ir atrás de algo incerto. Ir atrás de você. E foi nesse momento que você virou, abriu os olhos e me viu. Os olhos mais lindos do mundo. Cor de mel. Você continuou dançando, mas dessa vez estava me encarando. Você sorria. De um jeito caloroso e assanhado ao mesmo tempo. E esse sorriso me deu coragem, fui andando na sua direção, lentamente, você poderia fugir se quisesse, mas você não o fez. Você continuou dançando, dessa vez mais sensual ao som de alguma música qualquer de Ed Sheeran e cada movimento seu me fazia arrepiar. Você exalava sensualidade.

Quando finalmente cheguei, você disse “oi” e eu disse “oi” de volta. E sem medo, sem pudor nenhum, você me beijou. Um beijo intenso. Gostoso. Lento e rápido. Calmo e apressado. E então os fogos começaram, e eu percebi que não havia escutado a contagem. Era um novo ano. E eu só conseguia pensar na sua boca. Que continuava grudada na minha. Suas mãos no meu pescoço e na minha cintura. Minhas mãos em seu cabelo. E talvez, só talvez, aquele ano iria ser incrível. Quando o beijou acabou, nós nos afastamos e eu sorri. Você sorriu de volta. E eu pensei. Parece que a lingerie vermelha aquele ano havia funcionado. Porque definitivamente eu estava apaixonada por você.