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Caminhos do Amor – Cap 28

 

Já era noite e o frio tornou-se ainda mais intenso em Teresópolis. Isabel tomou um banho quente, o coração ansioso e o sabor dos lábios de Amy ainda em sua boca. Ela sorriu para o espelho com os cabelos molhados, perdida nos próprios pensamentos enquanto começou a secar seus cabelos loiros. Não podia acreditar que Amy havia ficado hospedada em um Hotel no centro apenas para jantar com ela. Era algo forte o que estava surgindo. Isabel sentia isso. Ao mesmo tempo era algo complicado, talvez improvável ou impossível. No entanto, a hora de recuar já havia passado. O magnetismo entre ela e Amy não podia mais ser ignorado. Antes que Amy partisse em busca de um hotel, prometeram que não iam pensar nos empecilhos, apenas em aproveitar a noite e a companhia uma da outra.

Isabel abriu o closet, totalmente indecisa sobre o que vestir. Não fazia ideia de onde iria já que a morena era adepta a surpresas e estava preparando mais uma. Resolveu por fim, colocar uma calça jeans claro justa ao corpo, um casaco de gola alta, com um sobretudo preto por cima. Colocou uma boina preta de lado (que ela adorava) e as luvas no bolso do casaco. Maquiou-se de maneira que seus olhos esverdeados ficaram ainda mais acesos e sorriu satisfeita diante de sua própria imagem. Como em sintonia com seus movimentos, Amy ligou na hora, dizendo que estava na porta de sua casa no táxi. Ela sorriu para os pais ao descer a escada, que sorriram de volta maravilhados com a beleza da filha.

– Tem certeza que não querem jantar aqui? Está muito frio lá fora… Sr. Adão disse.

– Tenho pai. Amy quer conhecer a cidade. Não me esperem ta? Posso chegar tarde.

– Tudo bem divirta-se filha! A mãe de Isabel disse enquanto o pai ainda balançada a cabeça inconformado com pique da juventude.

Isabel foi andado de encontro ao táxi, o coração pulando no peito. Amy saiu abrindo a porta para recebe-la e a loira teve a sensação de que seu coração havia falhado uma batida diante da imagem da morena. Cabelos soltos, um cachecol preto no pescoço, os olhos azuis acessos como a noite. Calça jeans escura, com botas pretas, um sobretudo creme de botões largos. Absurdamente linda. Corou diante do olhar admirado de Amy, que olhava para ela atônita, analisando cada parte de seu visual. Quando finalmente os olhos azuis se encontraram aos verdes, era nítido o que diziam. Havia total fascínio. Uma atração magnética que as impulsionava.

– Você está…. – Amy engoliu em seco, antes de concluir – Linda! Isabel sorriu corada diante do elogio.

– Você também.

– Vamos?

– Vamos. Ela disse sem tentar descobrir para onde iriam. Resolveu curtir a surpresa.

Não trocaram muitas palavras no táxi, apenas olhavam-se de relance e riam uma para outra. Qualquer coisa que fosse dita, seria desnecessária. Elas sabiam o que se passava em seu íntimo. Amy pensou em segurar a mão de Isabel, que estava coberta por luvas, assim como as suas. Mas teve receio pelo taxista, por ser uma cidade pequena e ela não saber ao certo até que ponto Isabel se incomodava com essa exposição.

Chegaram a “Casa do Fondue” um restaurante moderno e romântico. Isabel sorriu quando o táxi parou em frente e Amy pagou o gentil senhor. Entraram e já havia uma mesa reservada, no canto do restaurante, um pouco afastada das demais. O restaurante era todo a meia luz e haviam velas em todas as mesas.

– Eu amo esse restaurante! Isabel disse fascinada.

– Bom, é meio difícil surpreender você numa cidade em que passou a vida inteira, mas… Achei que seria o ambiente perfeito para um encontro.

Amy mordeu de leve o canto dos lábios e encarou os olhos azuis apreensiva. Isabel olhou para ela surpresa, como se a palavra que tivesse sido pronunciada torna-se as expectativas reais. A luz da vela sobre a mesa, o cheiro do ambiente, tornava tudo perfeito.

– Então estamos em um encontro?

– Você aceita? – Amy era pura insegurança e fez Isabel rir – O que foi? Disse confusa.

– Você é linda insegura… – Amy corou – E sim, eu aceito!

Elas sorriram cumplices e o garçom chegou em seguida.  Pediram um dos melhores vinhos da casa e o rodízio de fondue. A noite passou, enquanto conversavam sobre as coisas mais banais do mundo, rindo e tomando vinho.

– Então sua cor favorita é laranja? É… combina com sua pele branca. Amy riu.

– E a sua? Isabel indagou.

– Azul!

– Golpe baixo! Riu.

– Por que? Amy a encarou.

– Realça seus olhos… Isabel confessou envergonhada. Num impulso Amy colocou a mão sobre a sua por cima da mesa e para a sua surpresa, a loira não recuou. Entrelaçaram os dedos e a eletricidade percorreu a pele delas.

– Você gosta dos meus olhos? Amy encarou-a.

– Muito…. Sussurrou.

– Eu também sou louca pelos seus… Amy deu um leve sorriso, o suficiente para deixar a loira tão vermelha, que a fez maravilhar-se. Ela acha a coisa mais linda do mundo quando ela corava facilmente diante dos elogios.

O fondue doce chegou e Amy molhou um morango no chocolate quente e ofereceu para Isabel. Parecia não haver mais ninguém naquele lugar. Elas se olhavam, conversaram e tinham gestos carinhosos uma para com a outra, sem se importar se estavam sendo observadas. Apenas curtiam o momento, como se não fosse haver outro.

Por volta de meia-noite saíram do restaurante. Amy chamou o táxi. A noite estava fria e elas estavam de mãos dadas na calçada. A cidade já dormia. Na rua apenas o barulho do vento frio que cortava a pele e elas colaram os corpos tentando se aquecer.

– Foi o melhor encontro que eu já tive. Amy cortou o silêncio e a loira encarou-a feliz.

– Não me lembro de ter uma noite assim…. Foi tudo perfeito Amy. Não gostaria que acabasse…

– Não precisa acabar! Amy respondeu.

– O que sugere?

– Vem até o hotel comigo… Isabel olhou-a surpresa.

– Não sei se é uma boa ideia… Suspirou.

– Eu não queria ir dormir sem beijar você e o taxista não precisava ver… Riu sarcástica.

Isabel deu um tapa no ombro dela, na mesma hora em que o táxi chegou. Amy a olhou como se aguardasse a resposta.

– Está bem. Mas não vou demorar muito lá…

– Sem problemas.

Foram em direção ao Hotel, que era o melhor da cidade. Amy dirigiu-se com Isabel pelo elevador até a suíte que havia reservado. O ambiente era enorme, tinha um quarto de casal, uma sala com uma enorme lareira, que já estava acesa. Um bar com vários drinks na parede. A decoração moderna, quase tudo em madeira, como um chalé sofisticado. Amy ligou o som bem baixinho, para não incomodar ninguém. Tiraram seus casacos e luvas. A suíte estava bem aquecida e logo seus corpos ficaram confortáveis no ambiente.

– É lindo aqui… Isabel olhava cada canto da suíte e Amy apenas ficou observando com fascínio sua admiração. Depois de um tempo a loira percebeu que era observada e ficou acanhada.

Amy aproximou-se dela puxando-a delicadamente pela cintura. Seus corpos colaram e Isabel apoiou suas mãos nos ombros de Amy. Elas olharam-se mergulhando uma na outra e Amy começou a balançar o corpo lentamente no ritmo da música romântica que tocava. Arrancou com isso um riso divertido da loira, que a acompanhou na dança.

– Você tão romântica… realmente surpreendente – Amy arqueou uma sobrancelha diante das palavras de Isabel – Não achei que tivesse esse lado.

– Confesso que não sou assim habitualmente, mas eu quis que hoje fosse tudo diferente, inclusive eu.

– Então amanhã os olhares enigmáticos voltam…. Constatou. Amy riu.

– Longe de você eles estão sempre lá. Amy disse séria fitando-a.

– Porque? Isabel deitou a cabeça no ombro de Amy, achando que assim seria mais fácil conseguir alguma coisa dela. A morena fechou os olhos com o cheiro cítrico de seus cabelos, enquanto ainda bailavam pela sala.

– Não sou uma pessoa simples Isabel… tenho muitos fantasmas e muitos muros. A loira voltou a encará-la. Havia preocupação e doçura nela. Colocou a mão no rosto de Amy e ela suspirou com o toque. Não podia negar esse efeito.

– Todos temos muros… Eu também tenho os meus.

– Mas você me parece lidar com eles de forma mais tranquila. Eu não fui ensinada dessa forma. Sou como sou. Não acho que mudarei… confessou.

– Hoje você mudou… A voz de Isabel era macia e Amy olhou-a admirada.

Num ímpeto colou seus lábios nos dela de forma calma e doce. Elas sentiram a textura e o sabor dos lábios quentes e seus corpos colaram-se ainda mais. Amy pediu passagem pela boca de Isabel, que arfou quando as línguas se encaixaram e começaram a dançar juntas. O beijo foi ficando intenso e irresistível. Amy puxou a cintura de Isabel ainda mais para si e gemeu baixinho quando a loira cravou uma das mãos em seus cabelos e apertou-os.

Amy desceu a boca úmida pelas curvas da mandíbula de Isabel e depositou beijos molhados, até alcançar seu pescoço. O cheiro de seu perfume inebriou o nariz da morena e o desejo consumiu seu corpo. Ela começou a devorar o pescoço de Isabel que arfava jogando a cabeça para trás. As mãos de Amy entraram por baixo de sua blusa de lã e todo o corpo dela arrepiou quando seus dedos quentes acariciaram sua barriga e cintura.

Elas caíram no sofá da sala e Amy puxou Isabel para seu colo. Continuaram com beijos calorosos, línguas deslizando em perfeita sincronia. As mãos de Amy subiram e encontraram o sutiã de renda de Isabel, ainda por baixo de sua blusa. Ela os acariciou e depois apertou um de leve. Isabel gemeu em meio ao beijo. A morena continuou com os movimentos e encontrando o bico do seio, o apertou de leve, sentindo-o enrijecer em seus dedos. Ambas suspiraram em puro desejo e interromperam o beijo como se precisassem respirar.

Olharam-se com os olhos escuros, ambas respirando acelerado. Amy continuou com mão no seio de Isabel, mas deixou-a parada como se esperasse um sinal da loira. Não queria errar com ela.

– Eu quero você… – Disse com dificuldade – Mas quero que seja do seu jeito. Amy finalmente disse para a loira.

– Eu também quero você… Ela arfou.

Ficaram longos segundos se olhando e Isabel parecia pensar no que fazer. Ambas sabiam de todos os riscos e isso as impedia de apenas agir por impulso.

– Posso te levar pra casa Isa… Não se preocupe com isso – Ela depositou um beijo sereno no lábio da loira e sorriu – Faremos tudo do seu jeito.

Amy pegou a mão de Isabel que agora repousava em sua barriga e elevou-a por baixo de sua blusa, até que ela chegasse novamente ao seu seio. Os olhos verdes escuros encararam o mar azul.

– Eu não quero ir embora…

Foi tudo que a loira conseguiu dizer, antes que a língua quente de Isabel tomasse sua boca novamente.