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Caminhos do amor – Cap 7

O sol ainda nem havia nascido quando Tomas se despediu de Amy. Haviam feito amor na noite anterior e para ele foi perfeito como sempre. Olhou para ela dormindo tranquila e sorriu. Era muito linda e apesar do jeito meio frio às vezes, ele estava feliz e ansioso para casar logo. Deu um beijo em sua testa, pegou as malas e saiu. Ia para Florianópolis, uma viagem de quatro dias a trabalho. Deixou um bilhete desejando bom dia e boa sorte a noiva. Deu uma última olhada para ela antes de fechar a porta do quarto e o sorriso surgiu novamente.

Duas horas depois Amy despertou. Ainda eram sete da manhã. Viu o bilhete de Tomas e mandou uma mensagem para ele. A noite anterior havia sido boa, ele sempre era muito carinhoso, mas havia algo em seu íntimo que buscava algo além, algo que tirasse seu fôlego e sua razão de vez em quando. Essa necessidade talvez tivesse haver com o fato de que era sempre racional demais, e precisava meio que de uma válvula de escape. Amy quase sempre enterrava essa necessidade e não dava atenção.
De roupão, olhou seu closet muito indecisa. Não sabia para onde iria, então como se vestir? Mandou uma mensagem para Isabel que pediu que ela usasse trajes leves e informais. Colocou uma bermuda jeans branca, uma blusa leve coral e sapatilha creme. Fez uma trança em seus cabelos, deixando-a cair no ombro. Colocou uma maquiagem leve. De repente se assustou quando Ana entrou no quarto, esbaforida.

– Para tudo Mana! Tem uma gata te esperando lá embaixo! Ana estava empolgadíssima.
Quando ela fez 17 anos contou à irmã que era homossexual. Amy teve receio no início pelo preconceito social, mas nunca tratou a irmã diferente. Para ela era tão natural quanto qualquer relação. Nunca aceitou essa história de certo e errado no amor.

– Ei que isso Ana, comporte-se! Amy disse rindo. – Você está falando da minha organizadora de casamentos, mais respeito pirralha!
Ana colocou a mão na cintura e inclinou o rosto para o lado. Fez uma cara de saliente.
– Está com ciúmes dela é? Amy corou de leve.
– Ficou louca? Não diga bobagens! Só quero que não se empolgue tanto. Ela está aqui para me ajudar e pode ficar constrangida.
– Duvido! Ela tem a maior cara que gosta da fruta.
– Ana! Para com isso! Riu.
– Estou começando a gostar do seu casamento – Abraçou a irmã – E você tá toda linda assim… Olha que a mulher vai gamar hein?
– Ana! Para com isso já disse! Mais respeito pirralha!
– Está bem. Está bem. Nem vou descer pra ver ela de novo. Viu? Sou santinha! – Disse o ‘santinha’ colocando os dedos indicadores em forma de cruz e beijando-os.
– Garota você não presta! Amy riu, beijou a irmã e desceu.

Isabel observava o lindo apartamento e instintivamente conseguia ver o toque de Amy na decoração. Não que ela a conhecesse, na verdade sabia muito pouco dela. Mas tinha muitos detalhes modernos e contemporâneos, entre quadros e itens de decoração, que tinham tudo haver com aquela empresária segura e intrigante que tinha conhecido. Ouviu um barulho vindo do segundo andar e olhou para as escadas. Sorriu diante da nova versão de Amy. Leve, despojada e incrivelmente linda. A trança a deixava com um ar de menininha, mas os olhos ainda eram indecifráveis. Seu coração apertou de repente.

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Amy devolveu o sorriso a Isabel. Discretamente reparou nela para confirmar o porquê da empolgação de sua irmã caçula. Quando o fez viu lógica na reação da irmã. Isabel estava muito diferente. Usava uma bermuda curta preta, uma blusa verde claro que ascendia seus olhos, que estavam mais esverdeados sob a clareza da manhã. O cabelo estava meio preso e meio solto. Sapatilhas douradas e maquiagem leve. Parecia outra mulher.

– Bom dia Isabel! Amy a cumprimentou com dois beijos. Saboreou o perfume masculino dela e sentiu-se bem.
– Bom dia! Você acertou em cheio na vestimenta!
– Que bom! Estava morrendo de medo de ter sido muito informal.
– Está perfeito! Vamos?
– Para onde?
– Já você vai ver.
– Fico nervosa com suspenses.
– É mal de noiva. Elas riram.
– É, deve ser.

Escondida na escada Ana observou os olhos brilhantes de Isabel olhando para a irmã. Entendeu na hora que estava certa. Seria possível que Amy poderia se envolver dessa forma? Balançou a cabeça negativamente. Ana sempre desejou que a irmã achasse um amor que arrebatasse sua razão. Um amor de verdade, que ela nunca acreditou que fosse de Tomas. No entanto, achava impossível que a irmã se permitisse um salto tão grande como esse.

‘Ela é racional demais pra isso’ Riu sozinha de seu pensamento, enquanto elas saíam porta afora.

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