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Caminhos do Amor – Cap 64

 

POV AMY

O pesadelo parecia finalmente ter chegado ao fim e eu mal podia acreditar que era verdade. Assim que Mansour foi presa, fomos direto ao hospital. Apesar do corte no supercílio e das dores pelo corpo me sentia bem. Era como se um peso do passado tivesse sido extinto de mim. Como se finalmente eu fosse capaz de virar mais uma página da antiga Amy Collins, para a mulher que sou agora. Uma mulher que aprendeu a amar a si mesma e a outra pessoa. Uma mulher que pela primeira vez havia entregue seu coração.

Nós teríamos que depor sobre todo ocorrido e ainda tínhamos assuntos a tratar com Milena, mas Graciela nos dispensou assim que tivemos alta no hospital. Ela sabia o quão esgotadas física e emocionalmente Isabel e eu estávamos. Prometemos ir à delegacia no dia seguinte. Dani, Carla, Ana e Lina também teriam que prestar depoimento, assim como Milena. As acusações contra Mansour, Sônia e Oscar eram muitas e iam além do que haviam feito contra mim e Isabel. Ainda assim, nosso depoimento era uma chave importante do processo e não perderíamos esse momento por nada.

Ana dirigiu até o apartamento de Isabel. Não queria que Ana ficasse sozinha depois do ocorrido e Carla prometeu que cuidaria dela. Por alguma razão, que eu ainda não tinha certeza qual, Ana relutou em ficar no apartamento de Dani. Algo estava acontecendo com minha caçula e eu descobriria o que era, assim que toda essa turbulência passasse. Isabel foi dormindo todo caminho até seu apartamento. Seu rosto angelical estava repousado em meu ombro. Envolvi seu corpo magro em meus braços e deixei que ela dormisse. Com certeza ela também não havia dormido e eu nem queria pensar no que Jaqueline tinha feito a ela no tempo em que a deteve. Só de pensar que Isabel esteve com ela, indefesa e amarrada, meu sangue fervia. Minha vontade era invadir aquela cela e terminar de vez com Mansour.

Acariciei o rosto da minha namorada. Alguns arranhões e uma hematoma próximo ao seu queixo, evidenciavam o quanto ela havia sofrido por minha causa. Senti meus olhos encherem d’água mas contive a súbita vontade de chorar, vendo-a dessa forma. Isabel não merecia nada disso.

– Você sabe que ela não te culpa por nada, não sabe? A voz da minha irmã caçula despertou-me de repente. Encarei seus olhos azuis pelo retrovisor central. Ana tinha um sorriso amável e singelo nos lábios e apenas pelo brilho gentil de seus olhos, me senti abraçada. Suspirei olhando novamente Isabel dormir tranquilamente.

– Talvez não agora, mas tenho medo de que quando as coisas esfriarem e ela souber toda verdade, passe a me ver de uma forma diferente.

– Isabel ama você mana. Não vejo como ela possa te ver de uma outra forma.

– Ela ama a parte nova de mim. Essa Amy que ela conhece é tão nova para mim quanto é para ela. Existe uma outra Amy que ela não conheceu e ainda assim a machucou. Isabel me mudou antes mesmo de saber quem eu era. Ela me transformou sem ter noção do quanto. Ela sabe da minha frieza, mas não sabe das coisas que precisei fazer quando mais nova. Ela não conhece meu lado sombrio. O lado que escondia até mesmo de mim. E eu só….

– Tem medo de que ela não te veja mais da mesma forma.

– Isso. Suspirei derrotada beijando a testa de Isabel delicadamente. Ela aninhou-se mais em meus braços em reflexo.

– Amy… olha pra mim. Ana pediu, me encarando pelo retrovisor central enquanto parava em um sinal vermelho. Levantei meu olhar e mais uma vez meu coração aqueceu diante do enorme carinho que enxerguei nos olhos azuis da minha caçula.

– Aquela Amy que você precisou ser nunca foi você de verdade. A Amy de verdade era aquela que me levava na praça e ficava horas me embalando naquele balanço enferrujado. Que lia para mim todas as noites. A Amy de verdade é amável e carinhosa. Doce, gentil e leal. E a melhor mulher que eu conheço e de quem eu mais me orgulho na vida. E é essa Amy que Isabel ama. O que você precisou fazer nunca mudou sua essência minha irmã, muito pelo contrário. Você fez tudo por amor a mim e isso só prova o quanto minha cunhadinha tem sorte em ter alguém como você. E eu sei que ela sabe disso.

Sorri, sentindo as lágrimas que tanto tentei controlar escorrerem por minha bochecha. Lá estava Ana, me trazendo a vida de volta. Me ressuscitando quando minha alma parecia sucumbir. A caçula virou o rosto para mim, sorrindo carinhosamente. Ela estendeu a mão e prontamente segurei. Nós entrelaçamos nossos dedos enquanto Isabel dormia e selamos o amor em nosso olhar através de um aperto firme em nossas mãos. Ana estava emocionada e nós rimos ao mesmo tempo em que choramos.

– Quando foi que você cresceu tanto pirralha? Disse enquanto ela voltou a dirigir assim que o sinal abriu. Ana deu um riso divertido e me encarou novamente pelo retrovisor.

“Foi enquanto você dormia” Fez referência a um filme antigo, com a Sandra Bullock, que assistimos incontáveis vezes juntas. Gargalhei baixinho, para não acordar Isabel e dei uma tapa leve no ombro dela.

Fomos em silêncio em seguida, mas agora me sentia mais leve. As palavras de minha irmã me deixaram confiantes em contar meu passado para Isabel. Quando o carro estacionou na garagem do prédio da loira meu corpo parecia ainda mais cansado. Talvez a consciência de que estávamos em casa fosse o responsável. Beijei novamente a têmpora de Isabel e comecei a acordá-la devagar.

– Amor… chegamos! Beijei seus lábios com carinho e os olhos pequeninos de longos cílios abriram depois de um tempo. O verde claro encarou-me de perto e suspirei de felicidade. Isabel sorriu com carinho e beijei-a delicadamente. Um encostar de lábios que foi o suficiente para fazer meu coração disparar como louco.

– Não estou sonhando estou? Sorri.

– Não amor. Estou aqui. Estamos no seu apartamento. Vou te ajudar a subir tudo bem?

Isabel assentiu e saímos do carro em seguida. Ana nos esperava do lado de fora. Ela abraçou Isabel por um longo período e trocaram algumas palavras que não pude ouvir. Esperei que terminassem e enquanto Isabel estava encostada no carro com o pé imobilizado para o alto, minha irmã abriu os braços para me abraçar.

Senti o perfume cítrico de Ana invadir minhas narinas e fechei meus olhos para aproveitar seu abraço. Abraça-la sempre foi uma das melhores coisas da minha vida. Talvez por tudo que sofremos com nossos pais, minha ligação com Ana era forte e inexplicável. Nos sentíamos as dores e a felicidade uma da outra. Éramos como almas gêmeas.

– Tem certeza que não quer ficar aqui com a gente? Perguntei ainda com o rosto encostado em seus ombros enquanto Ana me mantinha embalada em seus braços.

– Tenho. Você e Isabel precisam desse momento juntas depois de tudo e eu não quero ouvir gemidos hoje sabe? Tô mesmo cansada. Bati no ombro de Ana com um pouco de força e escutei Isabel rir do que a menina havia dito – Outch! Amy! Isso doeu…. Reclamou enquanto eu ria.

– É para você aprender a me respeitar pirralha. Agora vai que Carla está lá fora a sua espera. Amanhã nos vemos na delegacia ok?

– Ok. Ana me abraçou novamente e encostou o lábio bem perto ao meu ouvido – E lembre-se do que eu te disse. A Amy que minha cunhada ama é a verdadeira. E eu me orgulho muito de você.

– Eu te amo pirralha. Muito.

– Eu também te amo. Agora vai lá princesa. Leve sua donzela ferida para o castelo. Rimos novamente e escutei a risada de Isabel se misturar a nossa. Ana havia dito essa frase alto para que ela ouvisse.

– Você não tem jeito né? Empurrei-a pelo ombro e ela piscou para mim, mandando beijos para Isabel e desaparecendo pelo estacionamento em direção a portaria, onde Carla a esperava.

– Eu acho linda a relação de vocês. Me lembra a época em que eu e Caio éramos cumplices.

Aproximei-me de Isabel e peguei-a no colo assim que ela terminou de dizer. A loira deu um gritinho assustado e riu em seguida enquanto eu caminhava em direção ao elevador.

– Está me levando no colo antes de casar Senhorita Collins?

– Considere como um ensaio. Beijei sua bochecha e ela riu gostosamente novamente.

– Ensaio é? Quer dizer que Amy Collins pensa em se casar um dia? – A porta do elevador se fechou e mantive Isabel nos meus braços – Não vai me colocar no chão? Quando o elevador abrir estaremos na porta do meu apartamento princesa. Brincou, referindo-se a brincadeira de Ana momentos atrás.

– Que tipo de princesa você acha que eu sou? Não posso deixar a donzela andar com o pé machucado.

Isabel riu novamente enquanto o elevador subia. Sua mão delicadamente acariciou minha bochecha e nossos olhares ficaram cravados um no outro. Perdido na intensa troca de brilho entre eles.

– Você é a minha princesa. Só minha. Sussurrou perto do meu lábio e meus olhos desceram para sua boca carnuda.

Sem pensar duas vezes beijei Isabel com saudade. Sua língua deslizou sobre a minha de imediato e suspiramos levemente com o contato. Deus, como me fez falta tê-la assim novamente. Apenas para mim. Seus dedos deslizaram sobre meus cabelos e quando a porta do elevador se abriu, sai beijando Isabel e ficamos rindo e nos beijando até pararmos em sua porta. A coloquei delicadamente no chão e esperei que ela abrisse a porta para entrarmos. Ajudei-a até chegar ao quarto e comecei a preparar a banheira. Tudo que queríamos era um banho quente e uma noite juntas para termos certeza que o pesadelo havia acabado.

Ajudei Isabel a se despir e retirei a tala de seu pé. Segurei-a no colo novamente para leva-la até a banheira. Isabel imergiu na água quente sorrindo satisfeita assim que seu corpo nu e perfeito repousou na água. Retirei minhas roupas sob seu olhar minucioso. Vi quando a loira mordeu o lábio. Seus olhos verdes tinham um brilho de luxúria e apenas sorri sentindo minhas bochechas esquentarem. Isabel tinha o dom de me fazer sentir como uma adolescente e pela primeira vez eu compreendia todos aqueles estudantes bobos de Havard que morriam de amores pelos cantos. Parecia até que eu estava vivendo essa época agora, suspirando completamente apaixonada por alguém.

Adentrei a banheira, ficando de frente para Isabel. Nossas pernas se entrelaçaram e nossos troncos estavam eretos um de frente para o outro. Minhas mãos abraçaram a cintura dela enquanto as suas envolveram minha nuca. Nossas testas se uniram e ficamos em silêncio por um tempo. Um silêncio bom, acolhedor. Um silêncio que dizia tudo. Que nos devolvia a paz. Meu coração acelerou de repente quando vi um hematoma mais intenso no ombro esquerdo de Isabel. A consciência de que ela havia sofrido me atormentando em culpa novamente. Suspirei deixando um beijo delicado em cima da mancha roxa. Isabel ficou em silêncio enquanto eu acariciava o local sentindo sua dor.

– Você está se culpando não está? Ela perguntou em sussurro, colocando uma mecha de meu cabelo molhado atrás da orelha.

– É tudo minha culpa amor. Me perdoe por te fazer sofrer. Fechei os olhos, beijando novamente seu hematoma. Isabel colocou um dedo em meu queixo, obrigando-me a olhá-la. Naquele momento senti vergonha de encarar seus olhos tão puros.

– Olha para mim amor.

– Eu…. Eu…. Suspirei sem forças para dizer nada e Isabel beijou delicadamente meus lábios em um selinho carinhoso.

– Não é sua culpa.

– É sim, você precisa saber tudo que aconteceu. Eu preciso contar. Eu quero contar. Eu só…. tenho medo.

– Medo de que?

– Que você não me ame mais da mesma forma. Que se decepcione comigo.

– Isso não vai acontecer Amy.

– Você não sabe. Existe uma parte sombria de mim que não conhece. Essa Amy aqui na sua frente é nova. Grande parte da minha vida fui alguém muito diferente. Fria. Calculista. Alguém que jamais despertaria qualquer interesse em você.

Isabel acariciou minha bochecha e sorriu. Seus olhos verdes brilhavam com uma intensidade nova para mim. Me vi hipnotizada no olhar dela, incapaz de falar qualquer coisa.

– Amy Collins, entenda uma coisa. Não importa o que você foi ou o que fez. Me apaixonei por você no primeiro instante em que vi esses olhos azuis que mais parecem duas estrelas. E sua irmã está certa. Essa Amy que eu amo é a verdadeira Amy e nada vai mudar isso.

Arregalei os olhos sentindo meu coração bater como louco.

– Você ouviu o que dissemos no carro? Isabel sorriu e negou com a cabeça.

– Eu estava realmente apagada no carro, mas Ana me disse algo quando me abraçava e minha cunhada tem toda razão.

– O que ela disse?

Isabel olhou-me profundamente novamente e sorriu. Meu corpo parecia flutuar na ´gua quente da banheira tamanha a emoção que ela me transmitia.

– Ela me disse que você é a pessoa mais leal e corajosa que ela conhece. Me disse que você sempre foi a heroína dela e que assim como ela te ama de todo coração eu também deveria te amar, porque só existe uma Amy Collins.

– Ana disse isso?

Isabel assentiu com os olhos cheios de lágrimas e eu não estava diferente. Saber que minha irmã disse essas coisas para a mulher que eu amo me deixava emocionalmente frágil. Ana e Isabel sempre seriam minha Kriptonita.

– E quer saber? Ela está certa. Só existe uma Amy Collins. E sou muito sortuda em dizer que essa Amy é minha.

– Sua.

– Minha.

– Quero te contar meu passado se você quiser ouvir.

– Sempre vou querer ouvir tudo que diga respeito a você meu amor.

Isabel disse com enorme carinho e resolvi que a minha história de vida podia esperar um pouco mais. Antes eu precisava de Isabel.

                Da minha senhorita Aguillar.

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         Notas da autora:   Hey Amybetes, queria novamente me desculpar pelo atraso. Minha vida está em completa mudança devido ao trabalho e o tempo que tinha para escrever durante a semana acabei perdendo e com a proximidade do Natal tive muitas coisas para resolver em um único fim de semana. Então, me desculpem. Esse capítulo está mais curto apenas para não deixar vocês sem e no próximo eu compenso ok? Erros arrumo depois.

Grande beijo, com carinho Bru 

 

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