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Caminhos do Amor – Cap 63

POV NARRADOR

A noite escura e fria, o galpão abandonado e deserto era o cenário do desfecho final. As três mulheres, ligadas uma a outra por razões distintas teriam a linha da teia do destino rompidas para um lado ou para o outro. Jaqueline Mansour, empunhando a pistola calibre 22 firmemente em sua mão, apontava para Amy Collins com um sorriso soberbo. Seu ego ferido, ainda tão dominante em seu ser como era em outrora, em sua turbulenta adolescência. Aquele jogo finalmente parecia estar ganho. A incontrolável Amy Collins estava amarrada em sua teia. Sem saída. Indefesa diante dela, vendo a mulher que ela dizia amar amarrada e ajoelhada no chão. Jaqueline sorriu ainda mais largamente. Os anos em que se dedicou a esta vingança finalmente tinham valido a pena. Ela havia derrubado a rainha, finalmente. Encarou os olhos azuis de Amy, que a olhavam impassíveis e gélidos.
– Incrível como mesmo não tendo mais nada você ainda não perde essa pose superior Collins.
– Está enganada Mansour. Eu sempre tive muito e continuo tendo.
– Você tinha um pai lunático, que foi incapaz de amar você. Tinha uma mãe puta que fugiu e te abandonou. E uma irmã indefesa que não tinha escolha a não ser se apegar em você. Mas eu não. Eu sempre tive o mundo aos meus pés. Sempre fui adorada e te dei a chance de ser também. E o que você fez? Me humilhou!!

Amy gargalhou em deboche e a mão de Mansour tremeu segurando a pistola. A raiva subiu no peito dela, queimando feito brasa acesa. Isabel atrás da mulher, balançou a cabeça para baixo e enquanto ria para propositalmente enraivecer a mulher, Amy fitou com descrição sua namorada e acompanhou seu movimento de cabeça. Ela viu então a corda solta ao chão. Internamente Amy sorriu. Isabel fora capaz de se soltar. Ela se apaixonou ainda mais por ela e sentiu coragem novamente. Sabia que se algo acontecesse a loira estava solta para correr para longe dali. Isabel fez menção de abaixar para pegar a corda e Amy percebeu que precisava reter a atenção de Mansour para dar a sua mulher o tempo que ela precisava.

Há alguns metros dali a Agente Rodriguez via tudo pela mira de seu rifle de alta precisão. Ela percebeu que Isabel havia se soltado e que se Mansour virasse para trás teria que ser rápida para acertá-la antes que ela atirasse em Isabel. Jaqueline estava em uma mira perfeita. A agente poderia matá-la com um tiro perfeito no peito a qualquer instante, mas devia a sua amiga aquele tempo. Amy precisava encerrar aquele capítulo de sua vida e ela a ajudaria.

– Você tinha tudo? Não me faça rir Mansour. As pessoas apenas te suportavam porque você era popular. Nada mais. Você sempre humilhou as pessoas e só não fez isso comigo porque ficou obcecada.
– EU AMAVA VOCÊ! A algoz gritou com raiva.
– Não, você não amava. Nunca amou. Você sentiu uma atração por mim, que se tornou obsessão quando eu disse não. Você queria provar que era superior, irresistível. Mas você nunca foi irresistível para mim Mansour. E depois de tantos anos, você continua a mesma adolescente mimada com dificuldade para crescer. E onde estão todos que te amavam agora hein? Eu continuo tendo a menina indefesa que não tinha escolha em me amar. Eu continuo tendo Ana. Continuo tendo minha melhor amiga. Você alguma vez já teve um melhor amigo Mansour? Porque pelo que me lembro todos os seus amigos te abandonaram depois do baile.
– MALDITA! CALA ESSA BOCA!

Mansour destravou a arma apontando para Amy. A morena se aproximou, desafiando a algoz para tirar a atenção dela de Isabel. Amy sabia que estava pisando em um campo minado. Ela estava provocando seu algoz ao extremo e colocando sua vida em risco. No entanto, a morena não se importava mais. Tudo que ela queria era dizer as verdades que estavam presas em sua garganta e salvar sua namorada. Se Isabel saísse bem dali, não importava o que fosse acontecer com ela.

– Vai me matar por dizer a verdade Mansour? Era esse o seu plano? Mas veja quanta ironia, você não vai conseguir acabar comigo ainda que me mate. Sabe por que? Porque eu tive amor. Eu tive amor da minha irmã, da minha melhor amiga e da minha mulher. Se eu morrer vou ter conhecido o amor e a felicidade. Eu sofri sim, muito. Sofri muito por ter o pai que eu tive e por ter sido abandonada por minha mãe. No entanto, ao contrário do que pensa Ana nunca me amou porque não tinha escolha. Ela me ama porque é minha irmã e porque tudo que eu fiz foi amá-la. Então, se quer me matar vá em frente Mansour! Atira!

Amy se aproximou ainda mais da mulher vendo a arma tremer na mão da mulher. Uma mistura de ódio e choque se apoderaram dela. No fundo, ela sabia que Amy estava certa. Mesmo que a matasse não conseguiria destruí-la. Não podia apagar tudo de bom que ela viveu. Mas talvez se…. O ódio de Mansour era tão grande que ela queria machucar Amy a todo custo.

Atrás dela, Isabel já havia pego a corda. A loira tremia dos pés à cabeça vendo Mansour apontar a arma tão de perto para sua mulher. Ela enrolou a corda na mão e distanciou os punhos, deixando um pedaço da mesma reto. Respirando fundo, com o coração na boca e a adrenalina pulsando em seu peito se preparou para atacar Mansour antes que ela machucasse Amy. Ela fechou os olhos e rezou para que alguém lá em cima olhasse por ela. Isabel sempre amou as pessoas, nunca machucou ninguém. Seu coração era bom e humilde. Ela só esperava que agora não tirassem quem ela mais amava em sua vida. Ela precisava de Amy. Ela precisava ser feliz.

“Por favor Deus, me ajude! Me ajude” A loira murmurou em pensamento, sentindo uma lágrima escorrer por sua bochecha. “Por favor protege-a” Ela pediu com toda sinceridade de seu coração.

*

– Rodriguez isso não está bom. Mansour vai matar Amy. Todo corpo dela diz isso. Cacau proferiu estudando a expressão de Mansou ao fita-la com o binóculo.
– Não! Pelo amor de Deus eu vou até lá!! Dani tentou erguer-se, já com lágrimas nos olhos. A voz da mulher tremeu diante do medo arrebatador de perder sua amiga. Ela não podia viver sem Amy. A morena era sua única família depois que seus pais morreram em um acidente. Era sua irmã mais velha. Seu anjo. Ela entraria na frente daquela bala se fosse preciso e ninguém a impediria.
– Fique! Se Mansour te ver ela mata Amy!
– Ela vai fazer isso de qualquer jeito!
– Não se eu for mais rápida! Rodriguez proferiu destravando o rifle que tinha um silenciador na ponta – Merda Amy atrapalhou meu ângulo. Ela tem que chegar mais para o lado!
– Está vendo isso Rodriguez? Cacau disparou em um som agudo. Dani olhou em reflexo e deitou novamente no chão pegando seu binóculo.
– Sim, Isabel vai ataca-la!
– Ela pode atirar em Amy por reflexo? Dani disse nervosa.
– Não se eu tiver um ângulo…. Vamos Amy, só mais um pouco para o lado…. Vamos amiga. Rodriguez murmurou, com o coração na boca. Ela não acreditava em Deus, mas pela primeira vez teve vontade de olhar para o céu e pedir ajuda.

POV AMY

Jaqueline me olhava com ódio. Meu corpo tremia por dentro. O cano de minha pistola gelado em minha cintura. Só precisava de um momento de distração para pegá-la. Senti quando Isabel se moveu. Eu queria olhar para ela e dizer que corresse, mas sabia que se fizesse isso Mansour atiraria nela. Meu coração estava disparado. No auge de sua loucura, Mansour deu passo para trás e gargalhou enlouquecidamente. Aproveitei para desviar meu olhar a minha mulher, que estava com uma das pernas flexionadas e a corda enrolada nas mãos. Percebi o que Isabel estava prestes a fazer e meu corpo todo enrijeceu. Quis gritar para ela ficar quieta, mas qualquer movimento podia por sua vida em risco.

“Eu te amo” Seus lábios me disseram e meus olhos encheram d’água. Olhei-a intensamente, rezando para que ela sentisse no brilho dos meus olhos o quanto eu a amo. O quanto eu vivo por ela.
“Deus, se você está me ouvindo, me ajude” Foi tudo que pensei encarando Mansour novamente.
– Do que está rindo sua louca? Tentei distraí-la. Se ela virasse para trás tudo estaria perdido.
– Você tem razão Amy! Se eu te matar nada vai mudar, não é? Não posso apagar sua felicidade. Mas não sou tão óbvia assim sou? Que graça tem derrubar a rainha se posso deixar ela ver seus piões caírem um após o outro?

Meus músculos enrijeceram. Ela pretendia matar Isabel para que eu visse. Serrei os punhos.
– Encoste em Isabel e mato você! Falei alto para que Isabel percebesse a gravidade da situação.
– Oh, Amy. Você não pode me impedir. Aliás ninguém pode! Ela disse altiva, mas antes que virasse seu corpo para Isabel a voz que eu tanto amo surgiu no diálogo pela primeira vez. O lenço amarrado em sua boca tirado pela própria Isabel.
– É aí que você se engana piranha!

Mansour arregalou os olhos, mas não teve tempo de se virar. Isabel ergueu-se como um raio atrás da mulher. A corda enlaçada em seus punhos e esticada no vão entre eles enforcou o pescoço de Jaqueline por trás. Isabel puxou o pescoço da mulher com a corda com tanta força que Mansour tossiu em reflexo. No segundo seguinte, corri de encontro a ela elevando o punho que segurava a arma para cima tentando desarmá-la enquanto Isabel a enforcava.
Eu sabia que deveria me abaixar e dar visão para Graciela. Sabia que estava atrapalhando a mulher de atirar do alto do cume. No entanto, fui incapaz de ser fria. Era Isabel que estava exposta. E eu não podia correr o risco. O tiro poderia acertá-la ou até mesmo transpassar Mansour e levar Isabel junto. E eu não permitiria isso.
Jaqueline acertou-me uma cabeçada forte durante a briga e cambaleei para trás em reflexo. Senti uma dor lacerante em minha testa e um líquido quente escorrer ao lado dos meus olhos. Certamente meu supercílio tinha aberto. Mansour pegou a corda com as duas mãos, soltando a arma e impulsionando o corpo para trás fez Isabel voar por cima dela. Enquanto minha mulher caia ao chão fui para cima de Mansour. Derrubei-a com toda força. A arma escorregou para o lado e acertei um soco forte no rosto da mulher. Ela impulsionou o quadril, passando a guarda e girando para cima de mim. Acertou-me um soco no supercílio já cortado. Empurrei-a fazendo com que caísse de lado e levantei. Ela fez o mesmo e armamos os punhos para lutar uma contra a outra.
– Agora somos só eu e você Mansour! Sem truques! Sem armas!
– Vou acabar com você Amy!

POV NARRADOR

Do alto do cume, Cacau ponderou.

“Agora temos ângulo, atira Graciela”

Graciela apontou a arma com mais afinco, mas Dani tapou o visor de mira fazendo a agente olhar para ela.
– O que está fazendo?
– Ainda não. Atire só se ela for atirar contra Amy. Ela precisa encerrar esse capítulo por ela mesma. Deixe-a lutar com Mansour!
– Não posso fazer isso.
– Não pense como agente. Pense como amiga dela. Você sabe que ela precisa disso!

Rodriguez olhou para as mulheres que se estudavam, enquanto Isabel estava ao chão em desespero olhando tudo de perto. Ela teve medo de estar tomando a decisão errada, mas não podia ignorar que era sua amiga ali. Alguém que ela estimava e que sempre a ajudou. Suspirando fundo ela assentiu.
– Está bem. Mas ao menor sinal de perigo eu disparo. Só espero que tenha ângulo o suficiente para não errar.
– Você não vai. Dani disse convicta, pegando o binóculo para olhar a briga. Mesmo temendo por sua amiga, sabia que devia isso a ela. Amy sofreu muito na vida e se não podia voltar no tempo para que ela enfrentasse o pai ou a mãe, ao menos deixaria que enfrentasse Jaqueline. E quem sabe assim, os fantasmas de sua amiga, fossem todos exorcizados de uma vez.

**

– Vamos ver se os anos de prática te deixaram realmente boa Mansour! Amy provocou a ira da mulher.
– Amor por favor, não! Isabel gritou, incapaz de levantar. A queda fez a loira torcer fortemente o tornozelo. A dor latejava tão forte que ela não conseguia apoiar o corpo para erguer-se do chão.
– Não se mete vadia! Assista eu acabar com sua namoradinha! Mansour deferiu e Amy serrou os punhos com raiva.
– Você vai aprender que para falar da minha mulher, antes você tem que lavar a boca com água sanitária Mansour!

Os pés de ambas deslizaram pelo asfalto crepitante. Os corpos indo de encontro um contra o outro. Os anos de arte marciais de ambas dando a base da luta final. Era a última jogada. Elas sabiam disso. Os golpes eram deferidos com rapidez e violência. Ambas defendiam bem os golpes uma da outra, tornando aquela batalha digna de um filme de ação. Isabel arregalou os olhos e levou a mão a boca ao ver sua mulher lutando como uma verdadeira profissional contra Mansour. Ela não sabia que Amy lutava tão bem. Aliás, Isabel não tinha noção do porquê Jaqueline a odiava tanto. Ela tinha consciência que o passado de Amy ainda era muito desconhecido para ela, mas mesmo vendo sua mulher lutar bravamente não foi capaz de manter-se calma. Começou a rezar sentindo o coração pular no peito feito louco. Ela olhou para o lado e viu a arma caída no asfalto. Se ao menos tivesse forças para se levantar…. Forçou o calcanhar contra o chão e as lágrimas logo escorreram com a imensa dor que sentiu. Ela tinha que chegar até a arma, não importava como.

– Eu vou acabar com você Collins!

Jaqueline tentou acertar um cruzado de esquerda em Amy, mas a morena foi mais rápida e abaixou a cabeça desviando do golpe e acertando um gancho de direita na costela esquerda de Mansour. O baque forte e seco fez a mulher cambalear para trás. Amy aproveitou sua baixa guarda e acertou um gancho de esquerda no rosto da mulher tão forte, que a fez cuspir sangue. Antes que ela pudesse acertar outro soco, Mansour bloqueou seu punho e deferiu uma joelhada na barriga de Amy. A morena cambaleou sentindo o ar esvair-se de seus pulmões. Mansour avançou sobre ela, acertando um soco em seu rosto. Ela bloqueou Mansour quando ela tentou acerta-lhe outra vez e girou o corpo saindo de seu campo de ataque. Girou o corpo rapidamente acertando um chute na costela esquerda de Mansour. A mulher sentiu uma dor aguda. Os ossos de sua costela pareciam ter rachado e ela puxou o ar com força. Tentou armar o corpo, mas não conseguiu esticar o tronco totalmente. A costela doeu e ela soube que havia fissurado algum osso. Respirou fundo encarando Amy com parte do rosto ensanguentado.

– Isso não precisa ir tão longe Mansour. Renda-se e deixe-me em paz de uma vez por todas!
– Você acha que é fácil assim? Você acabou com minha vida Collins!
– Deixe de ser infantil! Eu já pedi desculpas pela noite do baile, embora não te devesse isso. Não fui eu quem pediu para filmarem. E mesmo que eu tivesse beijado Dani por amor, não devia nada a você e sempre soube disso.

Isabel arregalou os olhos ao ouvir aquilo. Ela não pode deixar de sentir uma pontada de ciúmes. A história estava cada vez mais confusa e Amy teria que explicar tudo isso quando elas estivessem finalmente livres. Procurou tirar aquilo de sua mente, arrastando-se como podia pelo asfalto para tentar chegar a arma.

– Então porque aceitou ir ao maldito baile comigo?
– Porque você acabaria por me expor ao homem que se intitulava meu pai. E se isso acontecesse minha irmã sofreria como eu sofria. Ela era apenas uma criança e você a faria ser espancada. E tudo por seu ego. Você nunca me amou. Você só não aceitou perder.

– Está mentindo!
– Não preciso que entenda a vida que eu tive Mansour. E não te devo explicações. Minha consciência está em paz. Fiz o que tinha de fazer por Ana. Meu plano sempre foi que só você visse e tivesse raiva de mim o bastante para desistir. Aquela filmagem não foi culpa minha. Se você quer saber, seu grande amigo Robin foi o responsável.

Jaqueline não quis mais ouvir. As palavras de Amy estavam causando confusão nela. No fundo, ela sabia que era verdade. Nunca foi amor. Era orgulho. Ego. Ela investiu anos da vida nisso e pela primeira vez se deu conta que perdeu muito tempo e se fosse pega pela polícia perderia ainda mais. Decidida, avançou sobre Amy com raiva, o que atrapalhou seu discernimento. Amy se aproveitou disso e desviou do soco armado contra seu rosto. Ela abaixou e acertou um, dois, três ganchos fortes de direita na mesma costela já ferida de Mansour. Seu coração doeu ao fazer isso, porque sinceramente, ela não queria machucar ninguém. Amy aprendeu a lutar apenas por que foi obrigada, mas os anos de violência física que sofreu fez com que abominasse essa conduta. Os ossos da costela de Mansour partiram-se ao meio. Amy pode senti-los quebrando assim que seu punho a acertou pela quarta vez. Jaqueline gritou alto, sentindo a dor invadir cada canto de sua célula. Amy acertou um gancho frontal no queixo da mulher fazendo com ela caísse ao chão. Um dos dentes da mulher também partiu com o golpe, assim que seu queixo subiu violentamente e os dentes inferiores chocaram-se contra os superiores. Mansour caiu ao chão sem forças e Amy respirou fundo sentindo o cansaço invadir seu corpo.

Ela tirou a arma de sua cintura e apontou para Jaqueline. Isabel parou de se arrastar para perto da arma ao ver que sua mulher tinha vencido a batalha. Ela suspirou fundo e chorou nervosa. Em pensamento agradecia a Deus por ter lhe ajudado.

– Não precisava ser assim Mansour.
– Talvez não.
– Espero que no fim, você aprenda que não pode controlar ninguém e que o amor é um sentimento gratuito, não imposto.

A agente Rodriguez chegou correndo, junto com Dani e Cacau. Mansour olhou para as três e sorriu. Amy no final era como ela. Sempre precavida e inteligente. Dessa vez fora mais. E no final, derrubou a rainha.

– Jaqueline Mansour, você está presa por formação de quadrilha, atividade criminosa, lavagem de dinheiro, sequestro e tentativa de homicídio. Tem o direito de permanecer calada. Tudo que disser pode e será usado contra você no tribunal. Cacau proferiu as palavras, algemando a mulher ao chão.

Duas ambulâncias chegaram em seguida. Uma para levar Mansour detida e outra para olhar Amy e Isabel.

POV AMY

Finalmente havia acabado. Estava livre. Assim que Cacau prendeu Mansour corri em direção a Isabel, ajoelhando de frente para minha loira. Ela chorava nervosa, parecendo não acreditar que havia finalmente terminado. Meu coração estava esmagado por vê-la ferida, mas ao mesmo tempo em êxtase por tê-la em meus braços outra vez. Me joguei contra ela, abraçando-lhe com força pela cintura. Isabel enlaçou meu pescoço, me apertando com tanta força que quase não respirei. Ela ainda chorava e não contive a emoção que me dominou. Deixei que o choro viesse forte e avassalador. Chorei junto com ela, sentindo seu perfume me acalmar. Sentindo meu corpo se moldar ao dela. Estava em casa. Segura. Nos braços da mulher que eu amava. Finalmente.

– Tive tanto medo de te perder. Isabel disse em meio a soluços.
– Estou aqui meu amor. Eu te amo tanto. Tanto. Me perdoe por te colocar nisso tudo. Me perdoe.
– Não…. Não é sua culpa meu amor.

Afastei meu corpo do dela e segurei seu rosto. Os olhos verdes banhados em lágrimas me olhavam de perto, fazendo cada célula do meu corpo vibrar.

– Prometo que vou te contar tudo que aconteceu comigo no passado para que você entenda. Por favor me dê a chance de explicar.

– Claro que darei. E não importa o que aconteceu. Se você errou ou não, nada justifica a atitude de Mansour. Eu conheço seu coração Amy. E deus, como eu amo a mulher maravilhosa que você é. Nada vai mudar isso amor. Nada.

Como poderia existir alguém no mundo como Isabel? E como eu era merecedora de tamanha benção? Chorando e sorrindo beijei Isabel com todo meu amor. Nossos lábios se moldaram e ao mesmo tempo, pingos grossos de chuva atingiram nossos rostos, logo tornando-se fortes. Ficamos ali, no chão, nos beijamos enquanto o céu nos abençoava.

Era um novo começo para nós. Uma história livre de fantasmas do passado.

Os enfermeiros logo chegaram e ajudaram Isabel a se levantar. Ela tinha machucado o tornozelo e deixava o pé suspenso ao ar. Meu coração doeu, mas deixei que ela fosse para que tratassem dela. Ela olhou para mim e sorri dizendo que já iria ao seu encontro.

– AMY! Um grito riscou o ar e virei-me para ver Ana correndo em minha direção. Seus cabelos ruivos grudados em seu rosto pela chuva. Carla e Dani abraçadas de lado sorrindo logo atrás dela.

Abri meus braços e por um momento, enquanto Ana corria ao meu encontro, ela voltou a ser aquela menina de três anos que corria para mim sorrindo e salvava minha vida a cada pequeno gesto. Ela voltou a ser aquela criança que em sua inocência sempre fora minha fortaleza. Sempre fora minha luz. Sempre fora minha esperança de dias melhores.

Minha pequena Ana. Minha irmã. Minha família.

Seu corpo esbelto chocou-se contra o meu e ela chorava em desespero. Apertei-a contra mim chorando outra vez. Abri meus olhos e vi Isabel chorando também. Ela estava já sentada na ponta da ambulância, nos olhando com extremo amor. Havia um saco de gelo em seu tornozelo e um curativo na testa. Ela sussurrou outra vez para mim, mas dessa vez foi um “Eu amo vocês”. No plural. E eu soube ali que finalmente tinha uma família completa.

– Eu te amo tanto maninha! Por favor não me assusta mais assim! Você salvou a Bel! Você salvou a mim! Você é minha heroína!

Segurei o rosto de Ana nas mãos, sorrindo feito boba. Ela mal sabia que era justamente o oposto.

– Você quem sempre me salvou irmã. Todos os dias. Foi sempre você.
– Eu quero saber o que você passou Amy. Preciso saber quem foi meu pai. Você me deve isso. Assenti sabendo que ela estava certa.
– Vou contar, prometo.

– Minha família sempre foi você Amy. Apenas você. E não sinto falta dos meus pais, porque você sempre foi tudo para mim. Eu te admiro, te respeito e te amo por tudo que eu sei que fez por mim. Você é meu exemplo. E jamais vou amar alguém no mundo tanto quanto eu amo você.
Chorei e sorri novamente, sentindo-me plena. Abracei minha irmã novamente deixando a chuva cair sobre nós
.
– Ninguém nunca vai amar você mais do que eu amo pirralha. Obrigada por me dizer isso. Obrigada. Mas te desafio a repetir quando finalmente se apaixonar. Ela riu, dando-me uma tapa no ombro.

– Não vou me apaixonar chata. Você tem sempre que estragar os momentos? – Ri alto beijando a testa de minha irmã – Vi quando ela desviou o olhar para Dani rapidamente e sorri internamente – Agora vamos lá ver minha cunhada preferida. Ela deve estar morrendo de saudades de você. Afinal já estão há dois minutos longe uma da outra.

E depois de abraçar Dani e Carla, fomos todas ao encontro da minha mulher.

Quando me aproximei, beijei-a outra vez sentindo-me a pessoa mais feliz do universo.

*********
NOTA DA AUTORA: Hey Amybetes, estamos chegando na reta final do nosso romance. Espero que tenham gostado. Desculpem o atraso, novamnete, mas minha internet estava ruim (outra vez) rs
Um ótimo fim de semana. Com carinho, Bru

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