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Caminhos do Amor – Cap 62

Hey Amybetes,
O cap 61 foi postado domingo passado. Quem não leu corre lá porque este é continuação. Desculpem por dois sábados seguidos não postar certinho, mas semana passada estava de mudança e ontem caiu um dilúvio no meu bairro então não deu.
No final eu vou explicar uma parte do cap pra vocês!
Boa leitura 

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POV NARRADOR

– Agora eu entendo porque a Mansour age contra você Amy – Disse Agente Rodriguez enquanto colocava uma faca por dentro da bota negra com a perna sobre a cadeira. Amy apenas permaneceu imóvel. A memória de anos atrás viva dentro dela. Aquele sentimento de culpa assolando novamente, embora ela não se arrependesse de afastar Mansour. O fez por Ana e faria de novo se fosse necessário. No entanto, talvez houvesse um modo menos bruto de ter feito as coisas, ela pensava – Mas isso não justifica o histórico negro de Mansour. Nós somos julgados por nossas ações e as ações dela vão de encontro a lei há anos. Portanto ela será presa por suas próprias atitudes. Você não tem que se culpar por isso Amy. Agente Rodriguez apoiou a mão no ombro da amiga e a morena a olhou assentindo em silêncio.
– Talvez não, mas talvez se eu tivesse achado outra maneira ou apenas a ignorasse ainda mais as coisas não precisariam chegar onde chegaram.
– Pelo que me contou não é como se Mansour fosse uma santa na escola. Adolescentes cometem erros e ela cometeu muitos com você e com diversas outras pessoas. Analisando friamente como policial que sou, Mansour é possessiva obsessiva patológica. Ela foi acostumada a ter tudo que quis e quando se apaixonou pela primeira vez foi por alguém que não poderia ter. No entanto, ela não sofreu como qualquer pessoa normal porque ela não aceitava perder. Você deixou de ser uma paixão para ser uma obsessão. Conquistar você seria provar para ela mesma e para todos que podia ter tudo que queria. E quando você fez o que fez no baile a obsessão virou ódio e estamos onde estamos.
– E agora ela pode machucar Isabel…. E só de pensar nisso eu….
– Ela não vai! Nós vamos pegá-la! Vamos agir como combinamos ok? Agora vamos Amy temos pouco tempo para chegar no local combinado antes dela.
– Ela tem razão Am! Vai dar tudo certo! Dani abraçou a amiga por trás colocando o queixo em seu ombro. Amy sentiu aquela segurança de quando Dani a protegia de Mansour e obrigou seu coração inquieto a acreditar que tudo daria certo.
“Tem que dar” Amy pensou vendo o furgão partir para o local combinado. Enquanto todas foram para seus assentos Amy ficou um pouco para trás. Ela suspirou olhando a pistola prata reluzente entre as mãos e escondera por dentro da calça em suas costas. Ela esperava não precisar usá-la, mas prometeu a si mesma que traria Isabel de volta, mesmo que ela não voltasse.
***

O suor escoria por sua face alva e os fios louros de seus cabelos estavam colados a testa. Isabel sacudiu a cabeça tentando fazer com que as gotículas de suor caíssem sem escorrer por seus longos cílios fazendo seus olhos verdes arderem. Ela não podia usar as mãos para secar a testa já que seus punhos estavam amarrados para trás com cordas grossas. Ela estava num local escuro. Um galpão úmido e mau cheiroso. Os joelhos já doíam um pouco de estarem no chão. Foi colocada ajoelhada há tanto tempo que nem podia mais precisar. Seu coração estava acelerado. Deveria estar próximo do tempo que fora combinado com Amy. Ela viria? Isabel se perguntava. Queria ver sua namorava de novo. Deus, como queria vê-la! Ao mesmo tempo queria que Amy fugisse. No pouco tempo que ficou com Mansour viu o quanto ela era obcecada por sua mulher. Não poderia deixar Amy partir com ela. A mataria ou coisa pior. Isabel tinha pouco tempo então começou a lembrar-se dos tempos em que era escoteira com seu pai. Eles subiam a serra de Teresópolis juntos e acampavam por dias sem recursos.
“Vamos lá Isabel. Seja fria como sua namorada seria. Pense, apenas pense!” Murmurou para si mesma e franziu o cenho em dor quando começou a forçar os punhos contra a corda até que afrouxasse apenas um pouco. Apenas o bastante para conseguir mexer seus dedos mais precisamente e soltar o nó.
“Se eu conseguir afrouxar só um pouco vou me soltar daqui. Você se meteu com a pessoa errada Mansour. E ninguém mexe com a minha namorada”
Isabel murmurava baixinho, numa conversa intima. Os olhos azuis de Amy eram tudo que ela via. E por eles ela continuava, incessantemente, forçando os punhos contra a corda.

***

Flash back on

Massachusetts, novembro de 2008 – Dia do baile;

As peças estavam prestes a serem mexidas no tabuleiro, mudando a vida de duas garotas tão diferentes. Jaqueline Mansour acordara radiante. Era o dia em que todo colégio a veria com Amy Collins: a linda, misteriosa e intocável Amy. Aquela que todos queriam, mas ninguém era bom o bastante para conseguir. Todos, exceto ela. Mansour sorriu para si mesma no espelho. O vestido longo e vermelho acentuava as curvas de seu corpo, deixando-a extremamente sensual. Ela desejou a si mesma enquanto via o próprio reflexo dos lábios carnudos e vermelhos abrirem um sorriso.
– Vamos ver se você será capaz de me dizer não novamente hoje Amy Collins!
E saiu, com o coração a mil para encontrar Amy no baile.

*

Há alguns quilômetros dali, Amy montava toda uma estratégia para ir ao baile. Era proibida pelo pai de sair à noite ou ter qualquer tipo de amizade. Por sorte, ou azar, o pai estava em um daqueles dias de cão. Ele havia gritado por ela pedindo a segunda garrafa de uísque. Quando ele ficava bêbado tendia a ser agressivo, mas ao mesmo tempo perdia a memória recente. Reflexo da depressão de anos que teve e dos fortes remédios que tomou e misturou com álcool quando Amy ainda era uma criança.
A bebedeira ajudaria Amy caso ele percebesse que ela saiu enquanto bêbado, pois, dificilmente ele lembraria disso no dia seguinte. Ela só precisava chegar antes dele acordar e apagar qualquer resquício de que saíra. No entanto, Ana ficaria sozinha com o pai e essa era a grande preocupação da morena. Aquela noite Amy romperia uma série de códigos morais que tinha. Ela não estava orgulhosa disso, mas não via outra saída no momento. Tudo seria melhor do que o pai descobrir de Jaqueline e espanca-la. Tudo seria melhor do que perder Ana se algum dos vizinhos o denunciasse. Amy suspirou fundo derramando um pozinho branco dentro da garrafa de uísque enquanto o pai berrava a plenos pulmões.
– ONDE ESTÁ MEU UÍSQUE AMY?? PORRA VOCÊ NÃO SERVE PRA CARALHO NENHUM!! SE NÃO VIER AQUI AGORA EU VOU TE DAR UMA SURRA OUVIU BEM?? E DESSA VEZ SUA IRMÃZINHA NÃO VAI ESCAPAR TAMBÉM!
Amy não estava orgulhosa do que fazia. Não estava. Mas quando o nome de Ana saiu da boca do homem que um dia foi seu herói para tornar-se seu pior pesadelo, ela sacudiu a garrafa de uísque com mais gana. Viu o pó branco descer pelo líquido marrom, misturando-se até ficar invisível. Colocou mais pedras de gelo no balde e pôs outro copo lavado na bandeja prata junto a garrafa da fina bebida. Andou depressa até a sala com ódio no peito. Estava contanto os dias para tornar-se maior de idade e assumir os negócios da empresa. Juntaria dinheiro o suficiente para pagar um advogado que pedisse a guarda de Ana alegando o pai como dependente químico. As provas estavam todas guardadas. Amy filmou alguns de seus espancamentos e fez vários vídeos com os olhos roxos e totalmente machucada. Ela tinha fotos do pai bêbado e vídeos dele quebrando toda sala descontrolado. Usaria tudo ao seu favor, mas se o fizesse agora perderia Ana. Ambas iriam para um abrigo e pela enorme diferença de idade ficariam separadas. Amy jamais se separaria de Ana. Ela aguentava toda violência e humilhação porque acreditava que um dia estaria livre.
Quando atravessou a sala o pai estava tão maltrapilho que nem parecia um executivo renomado. Fedia a álcool, suor e charuto. Olhou-a com raiva reclamando de sua demora. Havia se passado no máximo três minutos, mas para ele soava como três horas. Amy apenas o olhou friamente. Não sentia nem ao menos pena daquele homem. Sentia vergonha, raiva, mágoa. A garota não sabia o que doía mais. Se ter sido abandonada pela mãe como se fosse nada ou de ser maltratada pelo pai por isso.
– QUE DEMORA INFERNO! NÃO SABE FAZER NADA DIREITO? Gritou o homem puxando a bandeja da mão de Amy.
– Desculpe senhor! Ela abaixou a cabeça, procurando não o irritar mesmo que sua vontade fosse quebrar a garrafa na cabeça dele e fugir com Ana.
– TÁ, TÁ! IMPRESTÁVEL! SAI JÁ DAQUI! E na próxima semana quero ver seus boletins! Se tiver uma nota vermelha você já sabe!
– Não terá senhor!
E saindo, Amy serrou os punhos enquanto subia as escadas. As lágrimas teimando em se formar nos seus olhos, mas ela proibiu a si mesma de chorar. Por mais que não quisesse magoar Mansour não tinha escolha. Ana era sua prioridade. Ela não podia crescer e viver esse inferno. Abrindo a porta do quarto da menina que dormia como um anjo, a morena sentou-se à beira da cama pequenina e acariciou os cabelos ruivos da caçula. Beijou-lhe a testa com carinho e preparou a bolsa da pequena. Ela a deixaria com a irmã mais velha de Dani enquanto ia ao baile.
“Eu vou te tirar daqui. Eu prometo meu anjo. Nós seremos livres e felizes”
E saindo do quarto, foi arrumar-se enquanto o pai bebia seu uísque para logo em seguida cair em um sono profundo.

**
As luzes piscavam reluzentes nos enormes globos coloridos pendurados no teto do enorme salão. Os alunos se amontoavam em filas na entrada para tão esperada foto do anuário. Amy quis fugir do ritual, mas não conseguiria passar pelo mau encarado zelador de Havard pacificamente. Era obrigatório tirar a tal foto para entrar no salão. Dani sorriu para a câmera quando chegara sua vez. A melhor amiga de Amy estava deslumbrante em um vestido cor de gelo e rodado, estendido até pouco acima de seus joelhos. Os cachos castanhos presos de lado caíam por seu ombro. Amy sorriu vendo a felicidade da amiga enquanto os flashes alcançavam seu rosto perfeito. A morena foi chamada a tirar a foto, atraindo a atenção dos demais alunos da fila. Ninguém esperava que Amy Collins realmente fosse ao baile. A garota misteriosa não era nada social e sua presença ali era no mínimo curiosa. Os populares apontavam para a morena e cochichavam uns com os outros enquanto ela se dirigia para o centro. O símbolo de Havard destacado em um fundo branco com um fotógrafo velho a frente. Jaqueline espalhara aos populares e aos quatro ventos que Amy seria seu par no baile. Por mais que ela fosse a chefe das líderes de torcida e extremamente popular, ninguém havia realmente acreditado nela. Até aquele momento. Amy encarou o fotógrafo com a mesma expressão gélida. Ele pediu algumas vezes que ela sorrisse e tudo que conseguir foi ver os cílios longos piscando algumas vezes tediosamente. Rendido, posicionou o foco para tirar a foto. A morena encarou a lente. Os cabelos negros caídos por seus ombros e uma maquiagem mais forte a deixaram perfeita. Os estudantes já dentro do salão e todos que estavam na fila ficaram quietos observando o momento. Amy sempre fora linda, mas ali, naquele vestido preto e justo ao corpo, saldo alto nos pés e uma lasca na coxa direita deixando à mostra sua coxa torneada graças aos treinos de luta, ela estava simplesmente perfeita.
As luzes brancas da câmera reluziram no rosto de Amy deixando seus olhos azuis ainda mais hipnotizantes. Segundos depois ela saiu dali quase que correndo, agradecendo mentalmente por ter passado por essa tortura ilesa. Ela não gostava de tirar fotos porque sempre que via seu próprio rosto a dor de sua alma ficava palpável. Dani abraçou a amiga, dando pulinhos de alegria ao ver que ela vencera mais uma etapa.
– Escutei alguns cochichando que a Mansour acabou de chegar. Em poucos segundos ela deve estar empurrando todos pela fila.
– Então temos pouco tempo Dani. Quero acabar logo com isso e ir embora. Tenho que pegar Ana e voltar para casa antes que ele acorde.
– A gente bem que podia se divertir um pouco. Quer dizer, aquele cara vai dormir muito ainda você sabe.
– Desculpa amiga, mas não consigo ficar tranquila. Não posso correr o risco. Só estou aqui por Ana. Você pode ficar. Eu tenho a cópia da chave. Fica. Amy colocou a mão no ombro da amiga e sorriu.
– Nah! – Dani disse divertida – Depois do que vamos fazer não vou ter muita paz ficando aqui e além do mais, que graça tem um baile quando seu par vai embora? Ela arqueou uma sobrancelha e Amy a abraçou com amor. Dani era a melhor pessoa do mundo. Uma amiga de verdade. Estava sacrificando seu baile por ela, além de todos os sacrifícios que fazia todos os dias. Amy jamais deixaria Dani sair da sua vida. Seu futuro estava traçado na sua cabeça, mas quando ela fosse alguém importante sua melhor amiga estaria ao seu lado. Sempre.
– Você é demais. Não queria que passasse por isso. Tem certeza que quer fazer o que combinamos? Se não estiver à vontade eu posso só brigar feio com ela e ver se funciona. Dani riu.
– Não vai funcionar, você sabe. Aquela ali é pior que carrapicho. Quando gruda é difícil tirar. A morena sorriu.
– Não queria estar fazendo isso, mas não vejo outra saída sinceramente.
– Am, poderia ser pior. Ninguém vai ver então se tivermos sorte a Mansour apenas desiste e pronto.
– Assim espero. Vamos!
Amy puxou Dani pela mão e foram em direção ao corredor mais destacado do salão que dava para os banheiros. Estava vazio já que a festa estava apenas começando e ninguém tinha bebido o bastante para ir no banheiro ou beijado o bastante para precisar retocar o batom. Fora ali que Amy combinou de encontrar Mansour e ali que seu plano seria posto em prática. Ficaram esperando até que ela aparecesse. Amy segurou a mão da amiga com mais força e respirou fundo.

*

Mansour havia acabado de tirar a foto. Ao contrário de Amy sorriu e fez diversas poses sob olhares e aplausos dos populares. Ela estava certa que seria a rainha do baile e ninguém realmente duvidava disso. Quando chegou perto de seu grupo a loira procurava em todo canto avistar Amy. A ansiedade a corroendo.
– Sua namoradinha já chegou. Estava linda confesso. Porém ainda não acredito que ela é seu par. Ela estava com a amiguinha dela. Robin, o armador do time de basquete proferiu e seus amigos deram um risinho enquanto as líderes ao lado de Mansour encaravam-na com deboche.
– Pois vou beijar aquela gata bem na sua frente enquanto você baba Robin.
– Ta aí, pago para ver essa Mansour. Terá todos os alfa-zeta a seu dispor se tiver dobrado aquela lá. Todos nós tentamos e só ganhamos fora.
– Vocês não são como eu. Desculpa – E dando um riso divertido Mansour andou em direção ao corredor onde Amy esperaria, mas parou ao lado de Robin para acrescentar uma frase. Seu ego inflado transbordando por ela e reluzindo junto as luzes do salão – Volto já, com meu par, idiota.
Mansour atravessou o salão altiva, ignorando todos ao redor. Pareciam-lhe mais insetos insignificantes que em poucos instantes abririam a boca incrédulos quando a vissem dançando com Amy. Jaqueline estava decidida a beijá-la, mesmo que a força. Ela tinha certeza que depois disso a morena não criaria mais resistência.
Robin, ainda com raiva das provocações de Mansour e totalmente descrente de que Amy Collins havia aceitado sair com Jaqueline, agarrou Bob Reis pela gola da camisa branca amarrotando a blusa que o menino nerd tinha levado horas para passar. O rapaz que sofria bulling diariamente estremeceu sentindo seus pés saírem praticamente do chão. Achou que apanharia de novo e logo pensou em proteger a câmera da escola. Ele era o responsável pela filmagem da festa.
– Bob burro, essa câmera velha é capaz de transmitir ao vivo? Robin disse quase beijando o rapaz de tão perto. Os amigos de Robin, que para o Bob Reis mais pareciam armários, fizeram um muro ao lado do armador com os braços cruzados enquanto encaravam o estudante franzino estremecer de medo.
– Si-si-sim!
– Ótimo! Então você vai fazer uma coisinha para mim senão quiser que eu volte a roubar seu lanche todos os dias!
– O-o-o-o quê? Bob gaguejou realmente nervoso.
– Vai atrás da Mansour agora e filma o tal encontro dela com a Collins. Transmite tudo ao vivo. Algo me diz que isso vai dar uma bela filmagem.
– Ma-ma-ma-mas a Mansour va-va-vai me matar!
– Você prefere correr de uma garota ou de três caras realmente velozes e fortes Bob burro?
O nerd ajeitou os óculos sentindo-se derrotado. Tudo que ele queria era que aquele baile acabasse e olha que ele mal tinha começado. Assim que Robin o soltou o menino correu pela multidão ajeitando a câmera enquanto Robin e seus parceiros batiam as mãos em comemoração.
– Que o show começe!
– E se a Mansour tiver falando a verdade? Kevin, comparsa de Robin, perguntou.
– Neste caso você vai terá que servi-la, caro amigo, até o fim do ano letivo.

*

Mansour atravessou o salão e chegou no corredor. Amy viu a sombra da menina e olhou para Dani mais uma vez.
– Pronta? Perguntou a melhor amiga.
– Pronta.
E suspirando, Amy encostou o corpo em Dani na parede do corredor segurando sua cintura. A amiga, por sua vez, envolveu seus braços no pescoço da morena. Elas assentiram uma para a outra e quando os passos dos saltos vermelhos de Jaqueline já podiam ser ouvidos Amy fechou os olhos e colou a boca na de sua amiga.
– Amy precisa ser real. Dani sussurrou sabendo que Mansour perceberia aquele grudar de lábios ridículos e sem emoção. Amy suspirou de novo e deixou o nervosismo de lado. Tomou a nuca de Dani e imaginou que ela fosse Angelina Jolie. Dani imaginou que ela fosse Tom Cruise ou quem sabe Julia Roberts. Ela ainda era indecisa quanto a isso. Elas se beijaram como se não houvesse amanhã.
Quando Jaqueline virou o corredor sorridente seus pés pararam e seu corpo congelou. O coração disparou e parecia ter se quebrado em mil pedaços. Ela ficou paralisada, quase sem respirar, olhando Amy dar um amasso em Dani. Ficou tão hipnotizada que nem percebeu que Bob Reis já estava atrás dela segurando a câmera meio trêmulo e transmitindo a cena para todo baile.
No salão Robin e seus comparsas apontaram para o telão e todos pararam o que estavam fazendo para rir da poderosa Jaqueline Mansour. A garota cerrou os punhos vendo a menina que perseguiu por um ano beijar outra garota no exato local em que se encontrariam. A descrença virou raiva e Jaqueline se sentiu idiota. Ela estava furiosa. Amy Collins era uma farsa. Dizia que não se apaixonava, mas na verdade namorava Dani. Ela estava humilhada e quando percebeu que era filmada avançou sobre Bob Reis.
– Para de filmar isso seu idiota!
Amy e Dani separaram o beijo e olharam espantadas para a cena. Elas não esperavam ter sido filmadas. O plano era apenas Mansour vê-las se beijando e ficar com tanta raiva que desistiria de ficar com Amy de uma vez por todas. Por isso, Amy escolheu um local reservado. Ela não queria humilha-la na frente dos amigos. Ela queria apenas que ela desistisse. Bob Reis desviou de Jaqueline e continuou filmando.
– O que está acontecendo aqui? Amy perguntou ao garoto sem entender.
– Não se faz de desentendida Collins! Você armou tudo isso né? Humilhar a líder de torcida na frente de todo o baile!
– Não sabia que ele estava filmando.
– Cachorra! Eu vou acabar com você Collins! Jaqueline avançou sobre Amy, mas a morena entortou seu braço para se defender e mesmo sem planejar a humilhou ainda mais.
– Só quero que entenda que entre nós não pode haver nada Mansour.
– Mas com ela sim né? Sínica! Eu vou destruir sua vida! Escreve o que estou te dizendo!
– Desculpe Jaqueline, mas não tenho medo de você. Espero que pare de me perseguir de uma vez por todas!
E passando por ela, Amy e Dani saíram do baile. Todos os que detestavam Jaqueline aplaudiram as meninas, mas elas não queriam aplauso algum. Estavam atordoadas demais.
Jaqueline foi embora em seguida completamente humilhada, vendo todos que a veneravam caçoarem dela. Naquela noite ela rasgou todas as fotos de Amy, mas deixou apenas uma. Uma em que ela balançava Ana distraidamente.
E olhando o retrato prometeu a si mesmo que se vingaria, nem que fosse a última coisa que fizesse.

Flash back off

***
Dias atuais

Amy tocou uma última vez a arma prata na parte de trás de seu corpo. Ela suspirou andando no local escuro em direção ao galpão abandonado que Mansour havia dito. Não muito distante dali a Agente Rodriguez, Cacau e Dani observavam a cena com um binóculo de visão noturna. Cacau estava com um rifle de precisão apontado para Amy. Ela atiraria em Mansour de longe caso a mulher tentasse matar Amy ou Isabel.
A morena caminhou lembrando-se mais uma vez do dia do baile. Após aquela noite o mundo de Jaqueline Mansour ruiu. Amy e Dani tornaram-se populares mesmo não dando a mínima para isso. Os amigos que Mansour achava ter nem lhe dirigiam mais a palavra. O time do colégio a expulsou do cargo de líder chefe e ela ficou esquecida nos intervalos, como todos aqueles que ela um dia humilhou. Escutava piadas sempre que passava pelos antigos amigos. Seu ódio cresceu como semente daninha. O ano acabou e Amy nunca mais tinha visto Mansour.
Uma vez, depois de anos, quando Amy foi contratar uma empresa de publicidade buscou a melhor e só depois descobriu que o dono era irmão de Jaqueline e a mulher sua sócia. Elas falaram de negócio aquela noite, mas no final Amy pediu desculpas a mulher pelo baile. Afirmou que não queria filmar nada daquilo. Jaqueline disse que não pensava mais naquela noite e que eram águas passadas. Obviamente, era tudo mentira.
Agora Amy sabia. Ela sabia que Mansour passou anos tramando uma vingança. Sua culpa existia, mas Jaqueline também não era inocente como pintava ser. As duas erraram, mas nada justifica as atitudes de Jaqueline.
Parando em frente ao galpão velho, Amy chamou por Jaqueline, gritando seu sobrenome com toda força que conseguiu. A voz rouca da morena ecoou no silêncio da noite e o nome de seu algoz foi repetido algumas vezes pela força do eco.
Demorou apenas uns segundos até que a porta do galpão abrisse e uma Jaqueline armada aparecesse. O olhar da mulher era puro ódio. Idêntico ao da noite do baile. Por um instante, Amy sentiu como se voltasse no tempo. Então, desviando seu olhar para o interior do galpão seu coração se quebrou. Isabel estava um pouco machucada e ajoelhada. Os olhos verdes preocupados encarando sua namorada. Amy cerrou os punhos com raiva. Jaqueline realmente ousou tocar em sua mulher e agora não havia mais trégua entre elas.
Era guerra.
E dessa vez só uma venceria.
– Vejo que você veio Amy. Quer salvar a namoradinha e não mais a si mesma. Grande evolução, não é?
Os olhos azuis gélidos desviaram de Isabel para encarar Mansour pela última vez. Amy sentiu a pistola pesando em sua calça e ela era rápida o bastante para sacá-la assim que necessário.
– Agora somos só você e eu Mansour. E dessa vez só uma sai vencedora.
– Serei eu Amy. Você não vê? Estou vencendo você a anos. Acha mesmo que vai vencer no final?
– Não acaba até alguém derrubar a rainha. E ironicamente, você sempre se achou a rainha.
E enquanto elas encaravam, os punhos de Isabel agora ligeiramente cortados de tanto se forçar contra as cordas finalmente tinham afrouxado o nó o bastante para permitir-lhe sair daquela prisão.

“Eu vou te salvar meu amor”
Foi tudo que a loira pensou quando sentiu a corda cair logo atrás dela.

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Notas finais: Amybetes, muitas de vocês me pediram para explorar mais o passado da Amy e mostrar como ela sofria com o pai e reservei esse momento da história para isso. Espero que estejam gostando dessa viajem ao passado. Mais uma vez desculpem o atraso. Se Deus quiser semana que vem estarei de volta no sábado com desfecho desse confronto. Quem será que vence? Comentem que sinto falta de vocês.
Dedico este capítulo a todas as vítimas da tragédia do avião da Chapecoense, suas famílias e amigos. Que Deus console através do amor, pois só o amor nos cura e nos liberta.

“E Deus, quando lhe prover, dar-te-á asas e tornar-te-á um arcanjo. Tu voarás até o mais alto cume, abençoando aos que ama por entre as nuvens. Serás, no fim da tua jornada, eterno como teu criador, posto que serás lembrado através do amor que semeardes no coração de quem amou” (Bruna Costa)
Beijos com carinho, Bru

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