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Caminhos do Amor – Cap 37

                POV ISABEL

Finalmente havia chegado do trabalho. Meus pés estavam me matando. Ficar de salto alto o dia todo era realmente algo que eu não curtia muito, principalmente quando eu passava a maior parte do tempo de pé. O dia foi intenso, o que foi bom porque parei de pensar em Amy na maioria dos momentos. A pasta do casamento dela estava em cima da minha mesa e eu trouxe-a para meu apartamento. Estava atrasada com a organização, algo que nunca me ocorrera antes. Como nunca me ocorrera antes me envolver com a noiva. Sentei no sofá pensando sobre isso. Não sei como fui parar nessa situação e me culpava por estar nela. Eu queria Amy, mas não podia tê-la. Ela ia se casar e embora tivéssemos tido lindos momentos em Teresópolis eu duvidava que ela fosse considerar mudar toda a sua vida para se envolver com alguém que ela ainda estava conhecendo. Ao mesmo tempo, não havia tanto para conhecer sobre mim. Eu não era alguém de tantas surpresas e tinha me aberto mais com Amy do que com qualquer outra pessoa. Até do meu passado ela participou. Meu coração doía toda vez que me lembrava dos acontecimentos na casa dos meus pais.

Tomei um banho quente, fiz um sanduíche de atum e um suco de laranja. Fiquei encarando a pasta com os dizeres “Casamento: Tomas Velasques e Amy Collins” tentando decifrar minhas reações. O que estava acontecendo comigo afinal? Eu era uma profissional e não podia continuar dessa forma. Ler o nome de Amy na pasta trazia uma enorme angústia ao meu peito. Uma sensação de ciúme e tristeza. Eu lembrava do cheiro dela, da boca macia, dos cabelos negros e lisos entre meus dedos e meu corpo parecia responder aquilo imediatamente. Soquei a mesa com raiva. Eu não podia continuar assim. Seria inevitável sofrer ainda mais. Minha cota de sofrimento tinha sido esgotada com meu passado tenebroso e eu não queria passar por tudo aquilo de novo. Suspirei pesadamente e sentei no sofá. Peguei a pasta em minhas mãos e tomava coragem para abri-la. Eu precisava conhecer Tomas, me aproximar dele e definitivamente não queria fazer isso. E o pior era saber que o ciúme que eu tinha dele, por ser ele quem teria Amy para sempre, era maior do que a culpa por ter dormido com sua noiva.

Ao abrir a pasta havia uma foto dos dois juntos e fiquei olhando suas feições. O sorriso de Tomas era de alguém totalmente apaixonado, mas o de Amy era singelo. E ainda sim lindo. Ela tinha um mistério e uma frieza dentro dela, mas também tinha um jeito incrivelmente doce e romântico. Me perguntava se ela era assim com Tomas. Se era como foi comigo em Teresópolis e quando estávamos em “Anamy”.

Meu celular tocou de repente e saltei com o tremendo susto que levei. Sorri quando vi o nome de Lina no visor. Eu a conhecia a menos tempo que Amy, mas tinha com ela e Carla uma afinidade imediata desde o dia que nos conhecemos na Pedra da Gávea. Lina e Carla eram minhas amigas mais próximas no momento.

– Lina! Que saudade! Eu disse empolgada.

– Olá Isabel! Quanto tempo! Como você está?

– Eu estou bem, quer dizer, indo.

– Está ocupada esta noite?

– Não muito. Acabei de chegar agora, mas precisava estudar um dossiê de casamento… minha voz pareceu mais melancólica.

– É o dossiê da Amy né? Era incrível como Lina me decifrava.

– Sim, é.

– Pelo visto temos muito que conversar né?

– É tenho muitas coisas para te contar mesmo… E a Carla como está?

– Estou aqui Bel! Carla gritou ao longe e eu ri do seu jeito espontâneo.

– Oi Carla! – Eu disse rindo – Desculpa eu não sabia que estávamos no viva-voz. Ri.

– Garota, trate de vir jantar conosco agora! Carla disse.

– O quê? Como assim?

– Não me culpe! Minha querida esposa perdeu seu número e eu só tinha o de Amy. Ligamos o fim de semana inteiro para aquela cabeçuda, mas ela pareceu ter sumido do mapa. Só hoje que conseguimos falar com ela e pegamos seu número.

Eu bem sabia porque Amy havia sumido. Balancei a cabeça lembrando que ela havia desligado o celular em Teresópolis e ao mesmo tempo meu coração estava acelerado só de ouvir o nome dela ser pronunciado por Carla.

– Mas gente eu não sei se posso ir hoje…

– Nem começa Isa! – Carla me interrompeu – Hoje é um dia muito especial para Lina e para mim e não aceito sua ausência nesta casa. Sei que somos amigas a pouco tempo, mas já consideramos muito você e Amy.

Meu coração estava disparado. Amy também iria?

– E que data especial é essa? Perguntei tentando dispersar meu pensamento.

– Isso vocês duas vão saber aqui. Agora se arruma logo e vem pra cá.

– Nos duas? Minha voz estava trêmula.

– Sim, ué. Você e Amy ora bolas!!

Carla respondeu com um tom incrédulo, como se minha pergunta tivesse sido idiota e realmente foi. Mas algo dentro de mim precisava confirmar que Amy estaria lá. E agora que eu sabia estava em pânico. Como eu olharia para ela na frente das meninas sem demonstrar o que eu estava sentindo? Como seria ficar perto dela sem poder tocá-la ou beijá-la? Eu não estava pronta para isso!

– Li… Carla… me perdoem por favor, mas eu realmente preciso ler esse dossiê hoje e…

– Isabel Aguillar! – Carla disse mais alto – Se você não aparecer para jantar aqui hoje eu juro que te deserdo dessa amizade. E Lina também.

– Desculpa, Isa, mas eu estou com minha esposa nessa. Lina riu divertida.

O jantar devia ser realmente importante. Suspirei no telefone. Eu estava sendo egoísta. Elas eram pessoas especiais para mim e eu simplesmente não podia dizer não apenas para não encontrar com Amy. Ela me pareceu ter aceitado o convite sem questionamentos e eu faria o mesmo. Se ela o fez é porque se sentia à vontade para encontrar comigo, então eu teria que engolir meus sentimentos e privilegiar minhas amigas.

– Está bem. Desculpem. Estarei aí em uma hora no máximo.

– Ótimo! Até mais tarde Bel! Ouvi Carla gritando, mas sua voz saiu fraca como se estivesse distante do telefone.

– Até daqui a pouco amiga! Lina riu – provavelmente da esposa – e fiquei feliz em ouvi-la me chamando de amiga. Eu estava me sentido tão sozinha e agradecia a Deus por ter conhecido Lina e Carla.

– Até.

Desligamos e fechei a pasta, adiando a leitura que eu teria que fazer no dia seguinte. Levantei tentando não pensar que Amy estaria lá. Já estava em meu quarto, sem blusa, quando a campainha tocou. Vesti a blusa novamente. Quem diabos seria a essa hora? E porque raios o porteiro não interfonou para mim? Abri a porta num ímpeto e meu corpo todo congelou automaticamente. Ela estava a minha frente, com um vestido salmão soltinho que ia até o meio de suas coxas e uma sapatilha toda branca com detalhes dourados. Os cabelos lisos e soltos caiam por seus ombros. A maquiagem era leve e realçava seus olhos azuis, que estavam acesos como eu me lembrava. Seus lábios tinham um batom rosa claro e brilhoso. Ela sorriu para mim, que permaneci ali paralisada, com todos os músculos tensionados e uma enorme dificuldade de respirar. Seu perfume atingiu minhas narinas e meu corpo todo arrepiou.

– Am-Amy? Gaguejei.

– Olá, Isa! Ela disse com a voz rouca, que eu tanto gostava.

– Oi… O que… O que você faz aqui? Perguntei totalmente desconcertada.

– Desculpa vir sem avisar, mais eu suponho que você vá ao jantar na casa das meninas e resolvi passar para te buscar. Você aceita ir comigo?

– Amy não precisa… Eu ainda vou me arrumar e…

– Eu espero você! – Ela encarou meus olhos com sua imensidão azul e engoli em seco – Posso?

– Pode. Suspirei dando passagem para que ela entrasse.

Ela andou até a sala e se virou para mim. Mexia na chave do carro, girando-a entre os dedos como se estivesse nervosa.

– Como você subiu sem….

– Ah… O porteiro lembrou de mim, de ontem. E eu o convenci que não precisava me anunciar…. Ela riu sem jeito. Meu coração disparou.

– E porque fez isso?

– Fiquei com medo que você não me deixasse subir. Seus olhos agora me fitavam intensamente e eu pude sentir a sinceridade em suas palavras.

– E porque eu faria isso? Me aproximei mais dela instintivamente e ela fez o mesmo. A ponta do seu dedo alisou meu braço, num carinho singelo. Senti todo meu corpo arrepiar.

– Não sei…. Eu só tive receio que fizesse.

Ficar ali tão perto de Amy era tentador demais. Eu tinha que me afastar dali logo. Rápido. Ou me jogaria nos seus braços e a lavaria para o meu quarto no segundo seguinte. Pigarreei nervosa.

– Bom, eu…. Vou tomar um banho e me arrumar rapidinho. Você pode me fazer um favor enquanto isso?

– Claro! Ela disse.

– Pode olhar sua ficha e de Tomas naquele dossiê – Apontei para pasta em cima da mesa de centro – E ver se as informações estão corretas?

Amy olhou para pasta e me olhou novamente. Em seguida olhou para a pasta e para mim outra vez. Ela parecia totalmente surpresa com meu pedido.

– Posso.

Seu tom de voz pareceu mais frio e seco. Engoli em seco e assenti para ela.

– Eu já volto.

Sai da sala em seguida, com o coração disparado e o corpo em brasas. Eu precisava de um banho urgentemente.

****

            POV AMY

O barulho do chuveiro de Isabel caia ao longe e eu estava sentada no sofá com o dossiê em minhas mãos.

“Casamento: Tomas Velasques & Amy Collins”

Abri a capa preta e vi de imediato minha foto com Tomas, presa com um clipe. Suspirei. Meus sentimentos pareciam um furação, tomando-me por completo. Ver Isabel foi como ascender uma fogueira no meu peito. Desde do momento em que ela abriu a porta e suas bochechas ficaram rosadas ao me ver, eu quis beijá-la loucamente. Lembrei das palavras de Dani e sacudi a cabeça tentando organizar meus pensamentos. Eu amava Tomas. Senão amasse não estaria me casando com ele. Mas porque ele não fazia meu corpo todo explodir como ela fazia? Seria isso paixão realmente? Não podia ser. Eu nunca me apaixonei na vida. Isabel fazia com que eu perdesse a razão, a lucidez e isso nunca foi algo bom na minha concepção. Mover a vida por sentimentos era praticamente se jogar num poço de sofrimento. Eu sabia disso, ela também. Sua vida foi dura o suficiente para ensiná-la da pior maneira.

Talvez por isso ela tenha me pedido para ler o dossiê. Talvez ela tenha desistido dessa breve história louca que tivemos em Teresópolis e quisesse apenas deixa-la no passado. Eu deveria fazer o mesmo. Deveria esquecer aquilo tudo, mas só o fato de saber que estava no mesmo apartamento que ela, fazia meu corpo ficar tenso e meu coração acelerar. Tentei ler as informações do dossiê, mas não me concentrava em uma única palavra. Rosnei com raiva de mim. Fiz meu exercício mental, como fiz no escritório e tornei a ler novamente. Dessa vez as palavras faziam sentido e memorizei mentalmente o que devia ser mudado.

Olhei o questionário que preenchemos no dia da Pedra da Gávea e imediatamente as lembranças daquele dia voltaram a minha mente. Foi ali que percebi que Isabel era diferente. Talvez até antes disso, mas foi ali que eu realmente tornei concreto esse pensamento.

– Amy?

Isabel me chamou tirando-me das lembranças daquele dia. Virei meu rosto para olhá-la e fechei a pasta em reflexo. Ela estava absurdamente linda. Vestida uma saia branca que ia até os joelhos, com uma lasca enorme na perna direita que se estendia até o meio de sua coxa, deixando-a incrivelmente sexy. Uma blusa de alça de seda verde água por dentro da saia, realçava seus olhos acesos e levemente maquiados. Nos pés uma sandália preta, de salto alto. Os cabelos soltos estavam presos para o lado esquerdo e os cachos cor de mel abertos, caiam por seu ombro. Ela usava um brinco dourado, fino e cumprido na orelha direita e o batom também rosado deixava sua boca carnuda ainda maior.

Fiquei imóvel olhando-a de cima a baixo, com a pasta nas mãos e a boca acerta. Meu corpo ferveu e meu coração parecia sair do peito. Isabel percebeu meu olhar de quem poderia devorá-la a qualquer momento, mas que também admirava sua beleza singular. As maças do seu rosto ficaram rosadas e foram ficando cada vez mais vermelhas, até que pareciam dois tomates. Ela abaixou o rosto envergonhada como sempre fazia e eu sorri diante disso. Eu adorava vê-la assim.

Deixei a pasta de lado e levantei, ainda engolindo em seco. Me aproximei dela sendo atraída pelo seu cheiro de sabonete e perfume cítrico. Isabel elevou os olhos vendo eu caminhar na sua direção. Seus olhos arregalaram quando ela percebeu o que eu iria fazer.

– Amy?

Ela disse na tentativa de me trazer a razão, mas eu simplesmente não dei ouvidos. Eu a queria. Eu a queria como nunca quis ninguém. Eu não conseguia parar meu corpo nem controlar meu coração, embora minha cabeça gritasse para não a agarrar sem saber se era isso que ela queria.

– Amy? O que você está…

Isabel não teve tempo de terminar a frase. Minha mão agarrou sua nuca e puxou seu corpo contra o meu. Ela respirou pesado quando nossos corpos se colaram e minha mão segurou sua cintura de forma firme para que ela não escapasse. Seus braços ainda estavam caídos. Ela parecia congelada, sem reação. Encarei seus olhos verdes apenas uns segundos e colei minha boca na dela em seguida. Isabel ficou congelada e como senti que seus lábios não mexiam eu apenas a soltei, mas sem me afastar dela. A razão explodiu na minha cabeça. Ela não queria. Eu tinha agarrado ela e ela não queria. Meu deus, mas que merda que eu fiz!!

– Desculpa, Isabel! Desculpa eu… Meu Deus, quer merda! Me perdoa eu não queria te agarrar assim… Eu…

Isabel colocou dois dedos na minha boca e eu encarei seus olhos verdes e brilhantes.

– Isso não devia acontecer você sabe…. Ela disse com a voz baixa.

– Eu sei me desculpa eu…

– Mas eu realmente não estou me importando com isso agora…

Imediatamente meus olhos voltaram a encarar os seus. Eles estavam agora escuros e eu senti que ela queria. Ela queria tanto quanto eu. Segurei sua nuca novamente e colei minha boca junto a dela. Dessa vez seus braços envolveram meu pescoço e nossas línguas praticamente se devoraram. Eu agarrei Isabel pela cintura e a empurrei contra a porta do apartamento. Meu corpo latejava de desejo. Ela gemeu baixo na minha boca quando pressionei meu quadril contra o dela e afundei ainda mais minha língua explorando cada ponto de sua boca. Isabel agarrou meus cabelos e colocou uma das mãos no meu seio, apertando-o. Minhas mãos subiram pela lasca de sua saia e procuraram sua calcinha. Comecei a beijar seu pescoço enquanto ela suspirava. Eu estava prestes a leva-la para o quarto quando meu celular tocou e no susto nos afastamos ofegantes.

O nome de Carla apareceu no visor e eu mostrei para Isabel. Ela sorriu envergonhada. Quase nos esquecemos que tínhamos um jantar para ir. Atendi Carla dizendo que já estávamos a caminho.

– Eu vou retocar o batom e saímos… Isabel passou por mim encabulada e voltou logo em seguida.

Eu abri a porta do apartamento para que ela saísse me sentindo um cavalheiro. E gostei da sensação e ri por dentro.

– Vamos Senhorita Aguillar?

Eu beijei sua bochecha e ela sorriu.

– Vamos!

E assim partimos, ainda ofegantes, para o jantar com nossas amigas.

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Notas da autora: Oi meninas, gostaria de pedir que comentem para que eu sabia o que estão pensando e sentindo com essa história. As leitoras no tumblr que me pediram para liberar mais cedo o capítulo – e as quais eu prometi que faria – me perdoem fiquei sem internet e não deu. Modifiquei um pouco o que eu tinha em mente pelo dia das namoradas que é amanha. Espero que gostem.

Divirtam-se com suas Amy’s ou Isabei’s e as que não possuem ainda que encontrem logo logo um amor especial assim.

Beijos Amybel e obrigada pelo carinho de todas!

 

 

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