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Caminhos do Amor – Cap 22

A noite estava especialmente bonita. O céu estava repleto de estrelas e a lua cheia brilhante davam o tom final à perfeita paisagem celeste.

Na cabine, Amy fazia todos os procedimentos para ligar o iate e Isabel ficou olhando o céu, pedindo ajuda aos anjos para estar fazendo a coisa certa. As lembranças de seu passado vinham em sua mente, como um tormento ou quem sabe até um aviso de que quanto mais fundo ela fosse, mas não teria volta.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo som do motor do iate. Olhou para Amy que sorriu e convidou-a a segurar o volante.

– Quer pilotar?

– Não levo jeito para isso!

– Ah vem logo! É a coisa mais simples do mundo…

Amy esperou Isabel se aproximar e segurar o volante. Começou a dar as instruções que ela ouvia atentamente. Anamy ainda andava lentamente.

– Segunda coisa que precisa aprender sobre Anamy: Ela adora velocidade!

– Ah é?

– É! Pode acelerar Isa!

Isabel olhou para Amy com uma cara insegura e mordeu o lábio de lado.

– Tá bom, eu te ajudo! Com a mão esquerda você segura o volante assim! – Amy segurou a mão de Isabel e colocou-a no volante, posicionando-se atrás dela – E com a direita, você segura o acelerador e vai empurrando suavemente para frente, assim… – Segurando a outra mão de Isabel, Amy foi guiando a velocidade com que ela acelerava.

Anamy começou a andar cada vez mais rápido, cortando as ondas no escuro da noite.

– E como sabemos a direção certa?

– Olha esse painel aqui… tá vendo os radares e os pontos?

Amy começou a explicar a Isabel como ver o GPS com extrema empolgação. Ela logo percebeu que Amy realmente era misteriosa, pois ela nunca imaginaria que navegar seria uma paixão dela. Aos poucos, aquela mulher de cabelos negros e olhos indecifráveis ia se revelando. Como organizadora de casamento esse era o objetivo dela, conhecer a fundo a cliente para fazer seu casamento dos sonhos. Mas com Amy, já não era mais isso, embora ela lutasse para que fosse. Quanto mais conhecia Amy, mas se encantava por ela. Pelo seu jeito intrigante, pela forma que ela tinha de esconder-se e só revelar-se quando queria. Pelo perfume, pelo olhar, por tudo que havia nela. Enquanto ouvia, Isabel deixava seu pensamento viajar e se via confusa no conflito de emoções em que estava. Entre ética e paixão. Entre desejo e receio.

Amy continuou atrás de Isabel, explicando e apontando para o mar. O cheiro do perfume dela ainda embriagava suas narinas. Sutilmente, ela colocou sua mão esquerda na cintura de Isabel e aproximou mais seu corpo do dela. Sentiu que a loira estremeceu diante do toque, mas procurou manter-se firme guiando o iate atentamente. Depois de um tempo, Amy soltou a mão direita que guiava o acelerador e segurou a cintura de Isabel por completo.

– Agora é com você. Continua guiando. Vou ficar aqui, mas você está indo muito bem. Leva jeito pra coisa. Amy riu.

– Estou me sentindo no Titanic. Só falta eu abrir os braços e gritar “Sou a rainha do mundoooo”. Ambas gargalharam diante da piada de Isabel.

Alguns minutos se passaram e Amy novamente colocou suas mãos sobre as de Isabel para ajudá-la a parar o iate. Começou a dar as instruções e depois explicou como descer a ancora nos controles do painel.

– É preciso permissão para ficar aqui? Isabel perguntou curiosa.

– Bom, na verdade minha habilitação é de Capitão-Amador, o que me permite navegar em mar estrangeiro ou nacional sem limite de afastamento da costa.

– Ah tá, desculpa aí Capitã. Riram.

– Boba… mas independente da minha permissão, a gente deixa o sinalizador ligado, porque em qualquer emergência eu me comunico via rádio para pedir socorro.

– Espero que não chegue a tanto… Isabel sussurrou.

– Não vai, fica tranquila! Anamy nunca me deixou na mão!

Quando o iate finalmente parou e a âncora começou a descer, havia apenas a iluminação do iate, a lua e as estrelas ao redor. O silêncio era acolhedor. Amy ainda estava com as mãos sobre a de Isabel e depois apoiou-as novamente sobre a cintura dela. Nervosa com a proximidade, Isabel tentou terminar a aula.

– Agora já posso sair né?

– Ainda não…

– Falta o que? Disse olhando para o painel de controle curiosa.

Amy pegou as mãos dela e abriu seus braços. Isabel riu divertida.

– Ah para! Tá fazendo o quê?

Ainda em silêncio, Amy dobrou os braços dela, entrelaçando suas mãos nas da loira, exatamente como na cena do filme. Rindo, Isabel virou seu rosto e viu os olhos azuis de Amy ainda mais acesos com a luz do céu.

– Você disse que estava se sentindo em Titanic… Bom, ainda falta o beijo não?

– Amy, não faz isso…

– Você tem um efeito sobre mim tão devastador… não consigo evitar. Isso até me assusta, mais estou disposta a não ser tão cautelosa.

– E se estivermos tomando a decisão errada?

– Nesse caso, seguiremos em frente, como todo mundo faz.

– Não é tão simples pra mim… Já passei muita coisa Amy….

– Eu também. Não amorosamente, quer dizer, não neste nível amoroso. Foi um outro tipo de amor.

Isabel olhou para ela curiosa tentando entender ao que se referia. Ainda estavam abraçadas, como na cena do filme.

– Mas isso não é um assunto para agora… – Amy cortou, entendendo a curiosidade de Isabel – Para agora, só temos uma coisa a fazer antes de jantar…

Aproximando seu rosto de Isabel, os lábios de Amy tocaram o dela suavemente. O gosto macio dos lábios carnudos, aveludou sua boca e a suavidade logo deu espaço ao desejo. As bocas se entreabriram com cuidado e as línguas se tocaram, roçando uma na outra em perfeita harmonia. Os suspiros, entre um beijo e outro, deixavam transparecer todo aquele sentimento ainda desconhecido para elas, mas guardado e até reprimido por todos os traumas emocionais que ambas carregavam.

Mas ali, naquele momento, os corpos não pensavam. As línguas dançavam e Amy apertou Isabel contra seu corpo, numa sensação extremamente única para ela. Teve vontade de beijá-la a noite toda, teve vontade de ficar nos seus braços. E ela nem sabia que podia se sentir assim.

Apenas a lua e as estrelas eram as testemunhas deste momento. E enquanto durasse aquele beijo, elas seriam as rainhas desse mundo, que parecia ser só delas.

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