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Caminhos do amor – Cap 16

Enquanto Sônia discursava com sua altivez arrogante para todos os convidados do noivado sobre como Tomas era seu filho amado e o quão feliz ela estava por ele estar casando, Amy ao lado dele, tinha um sorriso mecânico no rosto. Ela sabia que tudo que Sônia dissera sobre ela era pura falsidade, mas não estava nem um pouco incomodada com isso.

Amy tentava desesperadamente concentrar-se naquele momento, mas todos os seus poros estavam eriçados com a presença de Isabel ao lado dela, seus corpos colados enquanto os fotógrafos tiravam fotos das duas junto a Tomas e Sônia. Sua mente retornou ao momento do jardim e ela não ouvia mais a voz arrogante da sogra, nem sentia a mão de Tomas segurando a sua. Era como se ela tivesse se transportado ao momento em que ambas estavam no jardim.

***

– Isa, não! Isso não está certo… Eu… Eu estou noivando hoje… A razão de Amy falou mais alto e ela parou o beijo de Isabel antes que ele acontecesse.

– Desculpe Amy… Eu não sei o que me deu! Nossa, que vergonha! Isabel estava totalmente constrangida.

– Não, calma! Não precisa ficar assim! Eu também… Eu também queria! Amy segurou o rosto de Isabel elevando-o com delicadeza, da mesma forma que Isabel havia feito momentos atrás.

Os olhos verdes penetraram os azuis de Amy, com um misto de vergonha e desejo. Amy sentiu todo seu corpo tremer e teve uma enorme vontade de beijar aquela mulher tão linda. Respirou fundo, tentando lembrar onde estava e que não era o certo a fazer. Ela nunca havia traído ninguém. Não seria justo com Tomas.

– O que está acontecendo entre a gente? Eu… Estou muito confusa Isabel! Droga, eu sou noiva! Hoje é o meu noivado com Tomas! E porque estou aqui desejando beijar você como se eu fosse alguém sem vinculo nenhum?

Amy ficou irritada de repente. Tudo em sua vida sempre contribuiu para que ela fosse apenas racional. O amor, para ela, não era a principal coisa da vida, nem uma condição para felicidade. Para Amy o amor era algo apenas aconselhável, algo que fazia parte da vida social. Ela nunca colocou Tomas em primeiro lugar, nem nunca mudou nada em sua vida por ele. Era frio até, mas ela aprendeu a somente entrar em relações que ela podia terminar, a qualquer hora, sem que isso fizesse qualquer diferença em sua vida. Isso, Sr. Romeu, seu falecido pai, a havia ensinado bem. Razão primeiro, emoção depois.

E agora ela estava ali, diante de uma mulher que tinha um irritante efeito sobre ela, que a fazia deixar sua frieza emocional de lado e quebrar todos os tabus que tanto lhe eram confortáveis. Pior que isso, ela estava com um enorme desejo de trair seu noivo e isso ia contra seus princípios. Ela era fria sim, mas não era desleal.

– Eu também não sei o que está acontecendo Amy! Eu não planejei nada disso!

– Isso não pode acontecer, não é certo! E não é porque você é mulher, isso pra mim não faz a menor diferença…

– Você o ama né? Isabel queria que Amy dissesse que sim, para que fosse mais fácil se livrar desse sentimento que a assolava, mas ao mesmo tempo queria ouvir que não, para que pudesse tomar Amy em seus braços.

– Amo… Eu amo, mas…

– Mas?

– Mas não sei… Você me faz sentir coisas que nunca senti! E eu não posso descobrir isso sem ser desleal com ele… E também não posso mudar toda minha vida por algo que nem sei o que é… Amy andava de um lado para o outro, nervosa, enquanto falava sem parar.

– Você tem razão… Toda razão! Isabel falou com o tom de voz baixo, para si mesma, e uma lágrima brotou em seus olhos. Ela estava também com raiva de si, por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto e estar tão envolvida.

O tom de voz de Isabel fez Amy parar de andar e olhar para ela. A expressão triste que viu em seu rosto fez seu coração acelerar. Por um momento, todos os questionamentos de Amy sumiram de sua mente. Existia apenas ela, a mulher loira de rosto angelical e lindos olhos castanhos esverdeados. Existia apenas a enorme vontade de beijá-la. Ela andou em direção a Isabel decidida a descobrir o gosto que sua boca carnuda tinha, mas foi impedida pela voz de Tomas que havia chegado ao jardim.

– Querida, finalmente te achei! Estão todos esperando no salão!

Amy deu um salto para trás diante da voz de Tomas e Isabel tratou de secar a lágrima que caia, virando para ele na mesma hora com um enorme sorriso.

– Culpa minha Tomas! Eu estava escondida atrás das árvores e Amy só me encontrou agora. Sorriu.

Tomas abraçou Amy e beijou sua bochecha. Isabel sorriu para cena, mas Amy viu nos olhos dela que era tudo disfarce.

– Vamos então meninas? Sua sogra está impaciente para iniciar o discurso.

***

Amy ainda estava inerte em suas lembranças e sentimentos, mas foi acordada pela voz irritante da sogra ao microfone.

– Amy querida? Em que planeta você está? Os convidados riram da cena, enquanto Amy despertava do transe meio atordoada. Olhou para Sônia vendo sua cara de deboche, enquanto Tomas ria. Viu as amigas olharem para ela com certa curiosidade. Mas o olhar que ela procurava era outro. Virou-se então para Isabel que apenas sorria discretamente, enquanto seus olhos demonstravam a mesma confusão que os dela.

– Desculpe o que dizia? Amy virou-se para a sogra como se nada tivesse acontecido, sorrindo.

– Mamãe disse que eu já podia beijar a noiva… Tomas interrompeu tomando Amy nos braços e inclinando seu corpo para beijá-la. Centenas de flashes registraram o momento, enquanto todos aplaudiam.

Ao final do beijo, Tomas era pura alegria. Abraçou a noiva por trás sob aplausos de todos. Amy continuou com seu sorriso mecânico, que se desfez quando não viu mais Isabel ao lado dela. Procurou-a entre os convidados, seu coração apertou e acelerou de repente. Disfarçadamente livrou-se do abraço de Tomas para aumentar seu campo de visão. Viu Isabel afastando-se da multidão, caminhando em direção à saída. Quis correr atrás dela, mas apenas ficou parada com uma enorme angústia.

“Desculpe sair assim, mas preciso pensar. Talvez seja melhor outra pessoa organizar seu casamento…

Amy estava com o celular nas mãos relendo a mensagem que havia recebido. Apesar da insistência de Tomas ela não ficou com ele aquela noite. Passou o restante da madrugada em claro tentando entender o que estava sentido, pensando em Isabel. Pela primeira vez ela admitiu para si mesma que sentia algo, mas sabia que havia muitas coisas a considerar e definitivamente não tinha ideia do que fazer.

Ana ainda dormia, e ela estava sentada no sofá com seu hobbie azul tomando café. Eram sete da manhã quando a campainha tocou. “Quem será a essa hora?” pensou. Quando abriu a porta, seu coração pulou do peito e todo seu corpo estremeceu. Seus olhos azuis arregalaram diante da surpresa.

– Isabel?!

– Oi Amy! Precisamos conversar…

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