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Brincadeiras do destino – Capítulo final

Mais uma das nossas histórias favoritas chega ao fim. Espero que gostem. Sentirei falta de Andreia e Carol.

A noite de festa foi até o sol nascer. D. Celia e os pais de Carol não aguentaram até muito tarde e foram dormir. A divisão dos quartos permaneceria como o esperado: D. Celia dividiria a cama com Drika, Dani e Pedro dormiriam na sala de televisão, no sofá, os pais de Carol dormiriam na outra suíte e as noivas continuariam na suíte principal.

As primeiras cores surgiram no céu e presentearam os que restavam. Andreia e Carol cantavam ao som do violão de Pedro. Drika e Dani dançavam e animavam os poucos amigos que restaram ainda na areia.

– Vamos dar um mergulho? – Carol convidou Andreia assim que o mar começou a colorir
– Está gelado! Tá maluca?
– Não está não, vem comigo, vem? É nossa última manhã antes de casarmos, merecemos uma felicidade dessas….

E sem nem discutir, as duas levantaram, tiraram o chinelo que estavam e correram em direção as ondas pegando todos os outros de surpresa. Drika, Dani e Pedro não esperaram muito para se unirem ao casal e em pouco tempo eram cinco pessoas boiando e deixando que o sol, recém-nascido, esquentasse seus corpos.

Carol e Andreia ficaram pouco e logo depois saíram. Disseram que iam tentar dormir um pouco antes de acordarem para toda a preparação do casamento. Dani seguiu para fazer o mesmo e deixou Drika e Pedro ainda conversando. Parecia que o rapaz tinha muito em comum com a cunhada de Carol e as palavras saíam sem parar. Era como se estivessem colocando em dia o assunto de anos separados. Era algo estranho e novo.

– Amor, acho que precisamos levantar – Andreia falou ainda com os olhos fechados tentando acordar sua menina
– Que horas são? – Carol balbuciou enquanto se arrastava para o colo da namorada
– Acho que umas onze e eu to com fome
– Sabia que você estava com fome!

As duas riram, trocaram alguns beijos e começaram a se preparar para descer. A cerimônia só iria acontecer no fim da tarde, no por do sol. Naquela época do ano o calor já era grande e se fosse antes disso, os convidados suariam mais do que o necessário. Além do mais, elas gostavam muito da combinação de noite e praia.

Andreia foi a primeira a descer e já na metade da escada pôde ouvir a voz de sua mãe e sua irmã e também dos sogros. Parecia uma grande reunião familiar na mesa do café da manhã de sábado.

– Bom dia, familia!
– Bom dia, dorminhoca. Cadê minha irmã? – Dani perguntou primeiro
– Já está descendo. Ela dormiu mais do que eu…

Andreia deu um beijo em sua mãe e sua irmã enquanto reparava que Pedro estava sentado ao lado dela discutindo alguma coisa sobre medicina, que obviamente, ela não entendeu. Iria perguntar sobre aquela historia ali depois. Sentou ao lado de D. Celia e deixou uma cadeira vazia na sua frente, ao lado dos sogros para Carol sentar. Se serviu de café preto e pegou um daqueles pães doces que faz você salivar só de olhar. Sua mãe o tirou de sua mão, cortou e passou a manteiga do jeito que ela sempre fazia quando estavam em casa. Andreia apenas encostou a cabeça no ombro de sua mãe e continuou conversando com a sogra sobre o final da decoração. Pelo que soube, a equipe já estava trabalhando desde cedo.

– D. Andreia, tem uma pessoa aqui procurando por você – D. Maria veio da cozinha dar o recado
– Por mim? É a organizadora?
– Não senhora, ela disse que será rápido
– Peça para ela vir até aqui por favor, Maria

Andreia não sabia direito o que poderia ser a esta altura, por um momento pensou ser seu pai, mas quando ouviu o salto alto batendo no piso de madeira desistiu da ideia. Se levantou e por pouco não desmaiou quando viu Suzana em sua sala. Em cima de um salto bem alto, com seu terninho de executiva impecável e os óculos escuros no rosto, a morena pareceu sofrer um pequeno choque ao ver toda a família reunida. Tantos rostos conhecidos e ao mesmo tempo tão distantes.

– O que você quer aqui, sua maluca? – era Carol que já estava nos últimos degraus da escada em uma velocidade surpreende até onde a sua ex se encontrava
– Então as duas pombinhas vão mesmo se casar? – O sarcasmo na voz de Suzana fez com que Andreia tivesse que segurar Carol para não partirem para agressão física
– Você nunca me defendeu assim, Cá… – Suzana falou enquanto Carol desistia de ir bater nela
– Deve ser porque eu nunca te amei como amo a Andreia – Carol respondeu enquanto se recompunha

Neste momento, os pais de Carol já estavam de pé, assim como Pedro, Drika e Dani. Apenas D. Celia permanecia sentada. A verdade é que ela estava com medo de passar mal da pressão e preferiu respirar fundo dali. De qualquer forma, estava disposta a jogar alguma coisa naquela mulher sem respeito algum.

– Suzana, vai embora. É melhor – Dani falou se colocando do outro lado de Andreia
– Não precisam se preocupar. O exército do amor pode baixar as armas que eu só vim aqui rapidamente
– Fala logo e vai embora – Andreia falou enquanto abraçava ainda mais apertado Carol
– Vim pessoalmente dizer que não sou mais sua cliente, Andreia. Quando descobri que aqueles desenhos eram seus, bom, eu quebrei o contrato

O plano de Andreia que tinha dado certo era fazer com que seu chefe levasse outra pessoa para apresentar como responsável pelo projeto. Eles combinaram com um arquiteto de confiança da empresa e assim foi feito. Por algum motivo, que agora não interessava mais, Suzana acabou descobrindo o plano.

– Recado dado. Vai embora – por mais que Andreia tenha gelado por dentro, se fez de forte
– Bom, espero que chova e que o casamento de vocês seja uma merda – Suzana falou com a voz mais lenta e fria possível
– Eu te odeio! – Carol se desvencilhou dos braços de Andreia e partiu pra cima de Suzana. Por sorte, Pedro estava do outro lado e foi capaz de segurar a prima a pouquíssimos centímetros de Suzana.

Sem falar mais nada, a morena virou de costas e foi batendo seu salto até sair da casa. Drika foi correndo até o lado de fora garantir que ela iria embora sem prejudicar em nada a decoração que já estava quase pronta no jardim da frente. Perto da mesa, Carol era consolada por seus pais. Andreia estava muito nervosa e pegou o celular para falar com seu chefe. Pedro e Dani trataram logo de arrumar uma água com açúcar para D. Celia que já devia estar com a pressão alta de nervoso. Eram uma verdadeira família.

– Desculpa, meu amor – Carol sussurrou para Andreia assim que sentaram a mesa de novo
– Ei, não é sua culpa. Ela que é maluca.
– Mas se não fosse nosso passado… – Carol foi interrompida por seu pai
– Minha filha, se não fosse seu passado, nós não estaríamos aqui hoje
– Nós somos feitos de tudo aquilo que já vivemos. Meu pai já dizia isso e é a pura verdade – D. Célia completou o pensamento
– Maninhas, vamos relaxar e aproveitar que hoje é o dia mais feliz da vida de vocês? Vocês merecem mais do que qualquer outra pessoa – Pedro falou da outra ponta da mesa e pela primeira vez Carol se sentiu realmente aliviada
– Eu amo vocês – Carol falou olhando para todo mundo na mesa
– E eu estou adorando esse café da manhã em família – Andreia falou pegando seu pão que não tinha conseguido comer

Após o café foram até o lado de fora verificar a decoração e conversar com a organizadora sobra o planejamento do dia. Ainda tinham mais duas horas para relaxar. Depois disso, teriam que se separar e começar os preparativos para o fim da tarde. Estavam nervosas demais. Cada uma ia se arrumar no quarto de seus pais enquanto Dani e Drika preparariam o quarto do casal para a noite de núpcias. Pedro estaria com seu tio ajudando na recepção dos convidados. Era uma família unida e pronta para ser ainda mais feliz.

Na hora certa, Andreia e Carol se despediram com beijos e promessas de se reencontrarem no altar. Drika e Dani não deixaram que elas perdessem muito tempo em romantismos e frases de efeito. As levaram para os quartos que deveriam ir e voltaram para organizar a suíte para a noite delas. Tinham comprado um lençol vermelho, velas e sais de banho para a banheira delas. Espalharam algumas fotos das duas na cama e colocaram uma pequena carta que dizia o quanto elas as amavam e o quanto estavam felizes por aquela união, a carta era assinada por todos que estavam naquela casa.

Carol entrou no quarto de sua mãe e foi recebida por uma taça de champagne e uma mãe emocionada.

– D. Jacira, nada de chorar antes da cerimônia. Por favor… – Carol falou enquanto abraçava a mãe
– Não estou chorando, apenas um pouco ansiosa
– Quantas taças dessa já bebeu?
– Esta é a primeira. No dia do meu casamento bebi mais de uma garrafa antes de entrar na igreja
– Estava com dúvidas?
– De forma alguma, seu pai é o homem da minha vida. Você esta com dúvidas?
– Não, mãe. Acho que encontrei alguém para ficar a vida toda

Mãe e filha estavam mais conectadas que nunca. Tinham desistido de contratar cabeleireiro e maquiador. D. Jacira iria ajudar a filha e pronto. Carol tomou banho, bebeu mais uma taça de champagne, falou com a mãe da faculdade que iria começar em breve e em como Andreia a fazia feliz. Na hora de colocarem os vestidos, Dani se juntou a elas. Já pronta, a irmã ajudou a mãe a fechar o zíper e as duas fecharam o vestido de Carol e colocaram seu véu. Era uma obra da natureza aquele menina tão linda naquele vestido branco com rendas. Tomara que caia, ele parecia a obra mais bem feita do mundo dos vestidos. Na verdade, eram os olhos brilhantes de Carol que o deixavam ainda mais lindo.

D. Celia tinha levado algumas fotos antigas para elas olharem juntas. Drika ajudou a arrumar o quarto do casal e depois seguiu para o quarto da mãe para se arrumar por lá também.

– Irmã, você tá feliz? – Drika perguntou enquanto elas dividiam a cama com os álbuns de D. Celia
– Muito. Nunca me senti assim…nem com a Diana o sentimento não era tão intenso e tão perfeito assim…
– Filha, lembra desse dia? – D. Célia apontou para um retrato em sua mão – você foi com seu pai assistir ao jogo no Maracanã e seu time perdeu. Nunca a vi chorar tanto…
– Não sabia que a senhora tinha essa foto, mãe… – Andreia não conseguiu deixar passar despercebido a simples menção ao seu pai
– Eu não tinha. Estava guardada com seu pai até hoje. Ele pediu para eu trazer…
– Ele mandou uma foto ao invés de vir?
– Ele é turrão assim mesmo, irmã. Mas acho que isso pode ser um sinal de bandeira branca…quem sabe? – Drika tentou ajudar
– Vamos ver, não é mesmo? O casamento ele já perdeu, de repente ele não perde o nascimento dos netos… – Andreia falou tentando afastar os pensamentos tristes
– Netos? Eu gosto de netos. Quando teremos netos? – D. Celia falou com uma voz animada já bem diferente
– Calma, mãe. Uma coisa de cada vez, tá?

As três se arrumaram juntas. Andreia tomou um longo banho enquanto D. Celia e Drika esticavam seu vestido. De seda marfim e com algumas pérolas na manga, o vestido era exatamente como Andréia: clássico, simples e lindo. Drika e Andreia tomaram champagne enquanto D. Celia apenas dava alguns goles na taça das filhas. Ela dizia que se bebesse uma inteira não conseguiria aguentar até a hora da cerimônia.

Convidados sentados, sol se pondo e nervosismo a mil. Andreia e Carol estavam prontas. Andreia e D. Celia esperavam o momento de descer. Entrariam juntas no altar. Carol estava com seu pai, emocionado e nervoso, esperando no outro quarto. D. Jacira entraria com Dani no altar. As noivas tinham escolhido apenas a família para entrar antes delas.

brincadeiras_final

A música clássica já tomava conta da casa toda. Andreia segurava as lágrimas enquanto Carol acalmava seu pai. D. Celia estava feliz e não parava de sorrir e de dizer que sua filha estava linda.

Lá embaixo, D. Jacira entrou com a filha Dani enquanto Drika entrou com Pedro, já que seu pai não estava. Os amigos estavam todos sorrindo e a juíza de paz já aguardava as noivas em seu pequeno altar.

– Hora de vocês, podem ir – um dos responsáveis pela organização chamou Carol e seu Jorge.

De braços dados e apertados com o pai, Carol chegou ao fim da escada mais nervosa do que estivera em qualquer outro momento. Caminharam pela sala e passaram pela porta, agora aberta, em direção ao tapete vermelho em sua frente. Com passos lentos e sob o olhar de tantos amigos e familiares, ela sorria e agarrava seu bouquet na mão de tanto nervosismo. Olhou para frente e viu sua mãe com lágrimas nos olhos, sua irmã batendo palmilhas de alegria e um te amo que Pedro sussurrou para ela. Todos que importavam estavam ali.

– Podem ir. – o mesmo responsável agora bateu na porta de D. Celia e Andreia

Um pouco mais devagar, as duas desceram as mesmas escadas e da sala, Andreia pôde ver sua menina ao fim do corredor vermelho do lado de fora. Não conseguiu segurar as lágrimas que insistiam em cair. Apertou um pouco mais o braço da mãe, beijou sua cabeça grisalha e juntas seguiram pelo mesmo caminho. Drika no altar estava emocionada e chorava igual a ela. Seu chefe e amigos a olhavam e sorriam como uma confirmação de que todos ali torciam para a felicidade dela acima de tudo.

Pensou em seu pai e por um segundo, as lágrimas não foram só de emoção, mas então já tinha chegado no altar, ao lado de Carol e foi pega de surpresa quando seu Jorge encontrou com elas para ajudar D. Celia a ir para seu lugar. Os dois juntos, abraçaram as filhas e repetiram o quanto as amavam.

Todos em seu lugar e a cerimônia começou. Seriam felizes para sempre.