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Brincadeiras do destino – Cap 65

A noite tinha sido linda. O céu estrelado, o barulho das ondas e o cheiro de maresia que entrava e invadia o pulmão de Andreia e Carol. Dormiram abraçadas e nuas depois de jantarem. Ainda conversaram sobre os últimos detalhes do casamento e a vontade que Andreia tinha de ver o pai chegando com sua mãe para o casório. Como ela costumava dizer, a esperança é a ultima que morre. Mesmo que neste caso, a dela já tivesse morrido.brincadeiras 65

– Bom dia, minha futura esposa! – Carol acordou Andreia com beijos e sorrisos
– Bom dia, minha noiva
– Noiva só por mais um dia! A partir de amanhã, seremos esposa e esposa
– E eu não vejo a hora desse momento chegar

Seguiram para um banho rápido. Apesar de a estação não ser a mais quente, o sol era quente lá fora. O ar condicionado da suíte principal dava conta de refrescar os corpos, mas um banho gelado ao lado da amada logo de manhã era irrecusável.

Vestiram seus biquinis e roupas confortáveis. Checaram os celulares durante meia hora, era esse o combinado entre elas, e depois seguiram para a cozinha no andar de baixo. Já tinham sentido um cheiro de café subir e imaginaram que a empregada que trabalhava na casa já tivesse chegado.

– Olá. Você é a dona Maria? – Andreia perguntou assim que viu aquela senhora no fogão da cozinha
– Bom dia. Você é a dona Andreia, acertei?
– Por favor, me chame só de Andreia. E esta é a Carol, minha noiva
– Prazer, Carol. Vocês formam um lindo casal. E estão com um sorriso mais lindo ainda
– Deve ser essa tal felicidade, dona Maria – Carol respondeu enquanto entrelaçava seus dedos no de Andreia
– Preparei um café para vocês. Está lá na mesa
– Obrigada, dona Maria

Quando chegaram na mesa da sala, tinha uma parte coberta pela toalha com tudo que há de melhor. Café, suco, leite, pão, pão doce e até mortadela, preferência de Carol.

– Acho que foi um bom investimento contratar uma organizadora de casamentos – Andreia falou enquanto se sentavam na mesa

A porta principal da casa se abriu enquanto elas ainda estavam na mesa. Começaram as entregas para o casamento. Eram flores, panos, luzes, mesas e cadeiras. A menina que contrataram para planejar e organizar tudo já estava a mil mandando e desmandando nos empregados enquanto Andreia e Carol apenas observavam tudo. Era até engraçado de ver as coisas tomando vida de uma hora para outra. O casal começou a se empolgar e o frio na barriga era mais forte que nunca.

– Amor, tenho uma ideia – Carol falou enquanto olhavam o gramado se transformar em uma pista de dança
– Diga, minha criança
– Vamos dar um mergulho no mar?

A casa era tão perto da praia que não demoraram nem cinco minutos e elas já estavam só de biquini com os pés sendo molhados pelas ondas que chegavam até elas. A água um pouco gelada atrasou o mergulho, mas depois de chutarem água uma na outra, pararam de resistir e correram furando ondas e deixando o frio se igualar em todo o corpo. Não durou muito e o sol já as tinha esquentado de novo.

Abraçadas dentro do mar, trocavam beijos e sorrisos enquanto Iemanjá cuidava das duas. As duas tinham aquela sensação estranha quando achamos que não é possível amar mais e aí, mais se ama. Era tudo muito novo ainda.

– Ca, o que é aquilo lá na praia? – Andreia apontou para algumas pessoas que acenavam da areia para as duas
– Pelo escândalo, acho que é minha irmã nos chamando – Carol riu, pegou na mão de Andreia e começaram a nadar de volta para a areia

Dani estava com os pais no gramado de casa esperando as duas noivas chegarem. Andreia se enrolou bem rápido na canga que trouxera para cumprimentar os futuros sogros. Carol abraçou a irmã ainda molhada de propósito. Ninguém se importava com isso, ainda mais com o calor que estava fazendo.

– Irmã, você está ainda mais linda! – Dani estava até emocionada de ver sua irmãzinha pronta para casar
– Calma, irmã! Sem ficar emocionada desde já, ok?
– Relaxa, vou guardar tudo para amanhã, para o grande momento. Antes disso, tenho uma surpresinha pra você!
– Surpresa é?

Dani chamou os pais, Carol e Andreia e as levou pelo gramado para dentro de casa. Disse que tinha alguém ali esperando por elas.

– Pedritooooooo!!!! – Carol correu e pulou no colo do primo.

Pedro era primo de primeiro grau de Dani e Carol, mas tinha morado com elas até os 18 anos de idade, era praticamente um irmão mais velho das duas. Há dois anos, tinha se mudado para fora do país e agora o contato entre eles era só por email, mensagem ou meios digitais. Ele sabia de tudo sobre Andreia e até tinha recebido um convite para o casamento, mas disse que não teria como vir ao Brasil nessa época. Já estava tudo armado com Dani.

– Vem aqui conhecer a minha noiva – Carol puxou o primo-irmão até Andreia
– Pedro, já ouvi muito sobre você! – Andreia abraçou Pedro e se apresentou a ele
– Já sei de tudo sobre você também e obrigada por fazer a minha irmãzinha tomar jeito

Parecia uma grande família reunida. A alegria era palpável e tudo parecia ir ainda melhor do que antes.

– Cadê sua mãe, Andreia? – sua futura sogra perguntou assim que se reuniram na sala após se acomodarem
– Ela deve chegar mais tarde com a minha irmã. A Drika precisou trabalhar pela manhã – Andreia sentou enquanto servia vinho para os sogros

Dani e Pedro estavam tomando cerveja e vestidos de acordo com o local: chinelos, bermudas e camisetas leves. Estavam todos no clima de praia, sol e mar.

Lá fora o sol ameaçava se despedir quando ouviram um carro buzinar três vezes no portão da garagem. Era quase como um sinal secreto entre Andreia e Drika e ela foi correndo abrir o portão. Recebeu sua mãe e irmã com o melhor abraço que tinha guardado. Procurou atrás delas e por um momento deixou escapar o fim de sua esperança de que seu pai viesse. D. Celia percebeu e sem falar nada apenas fez um carinho no rosto da filha e disse que ela estava ainda mais linda.

As três passaram pelo gramado, já todo arrumado, e ficaram alguns minutos olhando os panos brancos, a tenda onde ficaria o altar e as cadeiras, já todas enfeitadas. Em cada uma delas, tinha escrito na parte detrás dissemos sim ao amor. O clima de casamento era gosto de se sentir.

Já na sala, D Celia foi apresentada a Pedro e Drika também. A irmã de Andreia e o primo-irmão de Carol pareceram se entender mais rápido do que o esperado. E mal sabiam que sentariam lado a lado na mesa da família.

– D. Celia, a senhora vai descansar? – Dani perguntou depois que as duas descarregaram as malas no quarto que ficariam
– Descansar é pros velhos, minha filha. Qual a programação de voces? – A mãe de Andreia arrancou gargalhadas de todos e se serviu de um pouco de vinho junto com a filha
– Andreia, Carol, tenho uma surpresa minha para vocês lá fora. Vamos?

Dani vendou as noivas e levou a família toda para o gramado, bem próximo a praia. Lá estava armado um lual lindíssimo. Tinham tochas, flores, mesas de frutas, garrafas de vinho, tocos de madeira para sentarem e alguns amigos que chegaram mais cedo só para curtir a última noite delas.

Após todos se cumprimentarem e se sentarem, Pedro pegou seu violão, que era o forte dele e começou a tocar os primeiros acordes de Eduardo e Mônica, do Legião Urbana. Era quase como a historia delas, que mesmo com todo o universo estando um pouco contra, arrumaram uma forma de se amarem e permanecerem juntas. Só então, Dani desvendou as duas e mostrou a pequena festa que tinha organizado.

– Como vocês não tiveram despedida de solteiras, achei que fosse importante termos uma noite dessas.

As duas abraçaram Dani e foram até a praia encontrar com alguns amigos que estavam por lá as esperando. Estava tudo perfeito demais. Era quase como se não houvesse erro algum e era exatamente isso. Não havia erro algum. Até agora, ao menos, não havia erro nenhum.