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Arte é existência e resistência

Eu falo pouco aqui sobre o que eu acredito. Pode não parecer, mas eu falo pouco sobre isso. Acho que nunca disse aqui que não tenho religião, por exemplo. Porém, sobre todas as coisas que acredito que nunca falei aqui, tem uma coisa que eu já deveria ter falado. O quanto eu acredito no poder de mudar a história do mundo com o nosso trabalho.

cartaz da peça lgbt 40 anos esta noiteNa última segunda (04/02), fui convidada pelo Felipe Cabral, roteirista, ator e responsável pelo canal no Youtube chamado “Eu Leio LGBT”, para participar de um debate sobre Literatura LGBTI+ após a peça que ele está fazendo aqui no Rio. A peça é “40 anos esta noite” e é imperdível. Se você é ou estará no Rio não deixe de prestigiar este espetáculo. Para maiores informações, é só clicar aqui.

Mas enfim, apesar de ter amado a peça, vim falar sobre o debate que rolou depois. E para começo de conversa, preciso admitir que eu estava surtando. Afinal de contas, subiria ao palco ao lado do próprio Felipe, do Bruno Bimbi que é jornalista e autor do livro “O Fim do Armário”, do Salvador Corrêa, psicólogo e autor do “O Segundo Armário” e da Tati Rivoire, autora do livro infantil “A Sapa Tônia”, ou seja, só gente foda!

E o que aconteceu ali no teatro, perante ao público que ficou após o horário para conversar com a gente foi algo surreal. Falamos sobre a situação política do país, sobre nossos possíveis medos, sobre a situação do Jean – o Bruno trabalhou por muito tempo ao lado dele e nos deu um panorama sobre o que ele realmente tem vivido. Falamos sobre os nossos projetos e como chegamos até aqui. Mas o que mais me fez feliz em falar foi em como acreditamos no poder da arte, em suas variadas formas, para mudar o futuro.

Publicar livros com a temática LGBT, fazer peças com homens beijando homens e mulheres beijando mulheres, escrever para crianças sobre diversidade sexual, respeito e amor não são apenas formas de ensinar ao mundo que nós existimos, são também formas de resistir. É assim, com a nossa arte e com a nossa união que vamos continuar no mesmo lugar que estamos agora. Nenhum passo para trás, apenas para frente. Vamos empoderar a geração seguinte e ensinar a eles que está tudo bem ser gay, lésbica, trans e bissexual. Vamos mostrar para nossas crianças e adolescentes que existe mais do que romances da sessão da tarde e personagens da Malhação. Queremos que eles se reconheçam em livros, peças, filmes, séries e qualquer outra manifestação artística que possamos fazer.

A arte sempre foi núcleo de resistência em momentos difíceis e não seria diferente agora. Continuaremos juntos, unidos, mostrando que governo algum vai nos fazer voltar para o anonimato. Nós somos mais fortes do que eles pensam e a nossa força está na nossa resistência.

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