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Aprendi a ter orgulho do mundo que era meu E lembro de prometer que iria ajudar outras a acharem este orgulho

Eu era uma garota como outra qualquer. Amava aquele pop americano que invadia nossas rádios e fazia tudo que todo mundo fazia porque achava que era assim que devia ser. Era apaixonada por futebol, mas não podia jogar porque “uma menina não deve andar de bermudas e blusas largas”. Aos poucos, fui obrigada a me encaixar no que todos diziam ser o certo. A vida deveria ser assim, certo?

Como toda menina/mulher correta, eu tinha meu enorme grupo de amigas. Grande, mas não tão fiel assim. Éramos carinhosas umas com as outras…gostava de abraçar, beijar, fazer carinho e mandar cartas me declarando para elas. Mas todo mundo fazia isso, não era assim que devia continuar? Apenas continuei…

Aos dezesseis, dezessete anos fui obrigada a me afastar do mundo que conhecia. Troquei de colégio e com isso, troquei de mundo realmente. Afinal de contas, o que é o colégio para uma criança, senão seu mundo inteiro? Aquele tão grande grupo de amigas pareceu, em instantes, se dissipar e percebi que se tornariam apenas boas lembranças de uma vida que começava.

Fui obrigada a redescobrir novos mundos e com isso, começava a me redescobrir também. As meninas/mulheres que me cercavam me diziam que eu precisava começar a pensar em meninos. Era essa a linha natural das coisas, certo? Mais ou menos. Ao mesmo tempo que eu me deixava levar por todos os caminhos que pareciam óbvios, nada daquilo parecia tão óbvio para mim. Algo não se encaixava, algo não estava certo e algo não iria entrar nos lugares.

Os anos passaram-se e demorei um pouco para perceber que meu encaixe era diferente do que tanto me ensinavam. Precisei descobrir e redescobrir novos mundos e novas pessoas dentro de mim para que finalmente me olhasse no espelho e me visse mais próxima do que realmente era. Lembro que este caminho não foi fácil. Lembro que precisei pesquisar em tudo que era canto sobre aquele sentimento novo que eu sentia. Lembro que procurei colo onde não sabia o que haveria de encontrar.

Lembro que, desde então, comecei a ter orgulho de quem era. Comecei a lutar pra que outras meninas que vagassem por mundos diferentes do que os quais elas pertenciam precisariam de ajuda também e lembro, principalmente, que prometi a mim mesma ajudá-las a terem orgulho de quem são.

1 Comentário

  1. Gabriela Garcia

    *-*….me identifico com grande parte das suas palavras. Até comentei outro dia com algumas amigas que quando eu era pré-adolescente (13 anos) pensei em ser freira, porque eu realmente não conseguia ver outro caminho pra mim. Quando uma amiga minha se assumiu les e me contou – eu tinha já meus 20 anos – foi que esse mundo começou a se abrir. Ela era legal, era sincera. Não podia ser uma pessoa má, como pregavam na minha infância. Então eu vi que existiam outros caminhos além do religioso, mas decidi que o meu seria o religioso. Aos 21 anos, vi que eu havia me enganado redondamente. XD….nunca havia pensado em fazer a diferença para outras pessoas que estão se descobrindo agora, até que um dia, comecei a escrever minha história de amor em forma de fantasia medieval, mas a personagem principal, que era inspirada em mim, era um rapaz, até que decidi modificar e deixar a história como ela deveria ser desde o início, duas personagens principais…e acho que cada um pode começar mais ou menos assim, com pequenas coisas, mesmo que devagar. Parabenizo vc por já ter chegado bem mais longe ^^.

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