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Amor em movimento

Era inverno, todas as pessoas estavam reclamando do frio, completamente agasalhadas da cabeça aos pés. E eu estava ali te esperando, debaixo da garoa, com uma saia e uma meia calça para tentar me esquentar. Aqueles pingos caiam na minha cabeça e ao mesmo tempo em que me arrependia de não ter levado um guarda chuva, me sentia ansiosa e agoniada para te encontrar logo. Quando começamos a conversar a alguns meses atrás não imaginei que nos encontraríamos tão cedo, morar em cidades diferentes era uma empecilho, mas conseguíamos manter a conversa todas as noites, através de inúmeras mensagens que em mim desencadeavam uma coisinha gostosa no estômago. Você me fazia me sentir especial, talvez tenha sido o tempo que fiquei sozinha, ou talvez tenha sido apenas você. E eu acreditava que era você. Você tinha esse poder de fazer as pessoas se sentirem especiais e únicas.

Depois de alguns minutos de atraso, você chegou, desceu do táxi e veio calmamente na minha direção. Você havia me dito que sempre costumava se atrasar e eu falei: “sempre sou pontual, não vai querer me deixar esperando né?”. Você disse “nunca” e sorrimos. Todo aquele início era gostoso e bom. Conseguia me lembrar perfeitamente quando você deu o primeiro passo e me chamou para sair. Eu estaria na sua cidade na data e você não queria esperar, você era direta e não gostava de falsas esperanças e joguinhos. Você tornava as coisas fáceis e eu prontamente disse sim, claro que podemos sair. Vamos a um encontro, eu não me recorda de nenhum que eu já tivesse ido. Aquele seria o primeiro.

Você se aproximou de mim e disse “vamos?”. Eu estava tão absorta em pensamentos que não percebi que estava no local errado, eu estava em outra hamburgueria. Era para nos encontrar naquela do outro lado da rua, que parecia mais íntima. E eu te olhava e respondia automaticamente, que nervoso era aquele no meu corpo? Você era mais alta do que eu me recordava, tinha um jeito preocupado de ser e seus olhos brilhavam. Aquela botina nos seus pés era sua marca e aquela blusa estilo verão me fez rir. Quem saía em pleno inverno com os braços descobertos? Você disse que tinha esperança que te esquentassem e me deu um olhar malicioso. Eu gostei.

Fomos em direção à lanchonete conversando, você não aparentava estar nervosa. Perguntou-me o que eu iria comer, e só pedi um suco. Isso te incomodou um pouco, mas eu não estava com fome. Você pediu uma bebida Heineken e disse que depois comeria, você não gostava de comer sozinha. Nos direcionamos ao fundo do lugar, todas as mesas estavam vazias, era tarde da noite, e sentamos no canto, uma ao lado da outra. A conversa não se tornou maçante em momento nenhum, era fácil falar com você, principalmente depois de algumas garrafas que você tinha tomado e agora estava mais leve, enquanto eu continuava com a mesma garrafa de suco e você reclamava.

Em alguns momentos você interrompia a conversa para falar da novela que estava passando na TV no canto da sala, e eu apenas te observava e tentava entender algumas coisas, eu não era uma garota que costumava assistir novelas. Eu gostava de olhar você se mexer, o movimento da sua boca, que mais parecia um coração, e suas mãos que tocavam a mesa de modo inquieto, tudo parecia perfeito para mim. Chegaram algumas pessoas e me distraíram de você, mas você não pareceu se incomodar. Continuou me olhando como se só eu existisse para você. Em um momento, você se virou para me beijar, e no reflexo, me afastei, do susto que tomei. Você entendeu aquilo como rejeição e começou a ficar estranha, você tinha entendido errado, não era isso. Eu queria te beijar, e como queria. Todas as fibras do meu corpo ansiavam pela sua boca, meu corpo queria colar no seu, mas me assustei com as pessoas ao redor. Não queria ser julgada e me senti mal por isso. Eu não deveria me sentir assim, eu deveria te beijar, mas estava tão nervosa, e aquilo era o certo. Aquilo deveria ser perfeito.

Depois de uns momentos de hesitação e milhares de pedidos de desculpas meus, você começou a soltar piadas sobre a situação. E eu tomei coragem e me aproximei. Aproximei-me mais de você, me aproximei da sua boca. E te beijei. E tudo no meu corpo pulsava, ansiava por mais. Tudo pareceu se encaixar naquele momento, sua boca na minha, suas mãos nas minhas e nada mais importava. Eu não deveria ter medo, porque enquanto estivesse com você ficaria bem.

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