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20 e Poucos Anos – CAP 98

 

            NOTA INICIAL (1): Faaalem aí, meninas!

A respeito do capítulo de hoje queria dizer que ele está pequeno. Desculpem. =/. Eu o escrevi essa tarde e agora de noite com algumas interrupções, daí ele não ser tão grande quanto eu gostaria ( nunca é T_T).

Não sei se já comentei, mas escrevo devagar e sou bem chata nas revisões. Preciso escrever com dois dias de antecedência, aí quando não dá, o resultado é esse. Apesar de tudo o capítulo não tá enrolation, nele tem pontos importantes para o andamento da história.

Enjoy!

 

 

Samanta e Susan andavam uma ao lado da outra, já próximas do local que procuravam.

Minutos antes, Susan contara a Sam a respeito de um Senhor que queria vender uma casa, a qual ficava na área comercial do bairro mais requintado de Londres, por isso elas estavam ali.

Passavam em frente a uma loja de roupas masculinas, a mesma que Sam entrara certa vez para fazer uma pesquisa de preços, e à porta estava o mesmo homem que a destratara.

– Bom dia! – disse ele cordial olhando apenas para Susan. Conhecia a moça de quando ia lá com seu pai comprar ternos.

Susan o respondeu rapidamente e Samanta nem o ouvira, estava excitada com o que havia ido fazer. Sabia que já estavam na rua em que ficava o estabelecimento e imaginar o “The Kings” ali a deixava eufórica antes mesmo de ver o local.

Chegaram a um lugar que estava com as portas fechadas. Susan se aproximou da porta de vidro e deu duas pequenas batidas. Um homem muito elegante se aproximou. Estava com um semblante triste e cansado, ele abriu a porta e saudou Susan com um leve sorriso.

– Esta é Samanta King, a interessada na compra do imóvel.

– É um prazer, Senhorita. – falou ele dando o mesmo sorriso triste e cordial para Sam. – Entrem, vou lhes mostrar os compartimentos.

“Não reparem na sujeira. Aqui funcionava um jornal, por isso o chão e as paredes tem essas manchas pretas. Vendi as máquinas há algumas semanas. – disse ele e seus olhos marejaram.”

“Este aqui é um quarto simples, usávamos para empilhar os jornais prontos. Vocês podem usar para guardar produtos é uma área bastante seca.”

“Estes dois aqui são quartos mais amplos. Estas camas irão sair daí, não se preocupem. Só ainda não sei o que vou fazer com elas” – disse ele e uma lágrima escorreu – “Oh, desculpem!” – falou enxugando a lágrima rapidamente.

– Não precisa se desculpar, Senhor. Está tudo bem? – perguntou Susan se aproximando.

– Um amigo anda…adoentado e eu estou muito preocupado.

– É completamente compreensível.- disse Sam.

– …ele anda depressivo desde que começou a passar por algumas…mudanças. – disse o homem perdido em lembranças – meu grande…amigo. – seu olhar vagou pelo quarto como se ele fosse o único capaz de ver alguma coisa além das camas ali.

Não demorou muito e ele despertou do seu leve devaneio:

-Sinto muito por isso. – deu um sorriso triste e logo mudou de assunto, mostrando em seguida um banheiro e uma pequena lavanderia ao fundo, depois, voltaram para o salão principal e lá os três conversaram sobre o preço e a documentação.

– O local é bom, bem localizado e amplo, o preço pelo qual está sendo vendido é até considerado baixo se formos analisar todas as vantagens.

Sam estava com medo de adquirir uma bomba relógio. Aprendera a ser desconfiada nos negócios, por isso disse:

– Gostaria de lhe fazer uma pergunta. – o homem assentiu e Samanta perguntou – Por que vender um local tão bom quanto este por um preço tão baixo?

O homem olhou pensativo pela janela e falou:

– Este é um país ingrato, Senhorita King. Um homem ajuda o seu país, mas em troca é destruído por ele. Não posso mais viver num lugar como este, que destrói seus cidadãos sem que estes tenham causado dano a um compatriota. suas palavras foram firmes, mas cheias de dor – Eu se fosse as Senhoritas faria o mesmo. – finalizou ele, levantando-se e entregando alguns documentos à Sam – Se for de seu interesse, Senhorita, basta entregar-me estes papéis assinados que agilizarei tudo, pois pretendo partir o quanto antes.

Sam pegou os documentos e sorriu para o homem, mas sentiu que o sorriso não se formou em seu rosto.

 

***

– Aceito, mas como empréstimo! – disse Sam depois de uma longa conversa com Susan a respeito do dinheiro para a compra da loja, pois o vendedor só aceitava o pagamento à vista e Samanta não tinha aquele dinheiro acumulado.

– Então está feito. – disse Susan com um sorriso feliz de triunfo.

Samanta sorriu para ela e sentou-se ao seu lado no sofá de seu pequeno quarto:

– Obrigada. –disse passando o braço pelo ombro da jovem ruiva e dando-lhe um beijo na bochecha.

Susan virou o rosto de frente para Sam e beijou-lhe os lábios com carinho. Quando se separaram Samanta falou:

– Sabe, eu pensei um pouco a respeito do que aquele Senhor falou mais cedo. Acho que o homem adoentado…

– …é mais que seu amigo. – completou Susan e encostou-se no ombro de Samanta. – A Inglaterra tem leis duras.

– Sim. – falou Sam apertando um pouco o abraço em Susan – E para um militar seguir as leis é essencial…

– Shhh…- fez Susan colocando um dedo sobre os lábios de Samanta. – Não pense nisso…não pense em nada. – e tocando o rosto de Sam a beijou com ternura.

Batidas soaram na porta:

– O almoço está pronto, Sam. Todos disseram que irão esperar por você. – falou Kevin e depois disso ouviu-se apenas o som dos sapatos dele se afastando apressado pelo corredor.

 

***

            – …Parabéns pra você! Nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!!!

– Vivas a Samanta! – Gritou o Senhor Brian.

– Vivaa!! – Gritaram todos os outros presentes, que eram uma boa quantidade de pessoas da pensão e alguns ciganos.

Estava ali também, Ramon – o qual havia sido expulso do grupo cigano por ter firmado compromisso com alguém de fora da cultura cigana – e Maria, sua noiva.

Havia bastante comida que fora uma colaboração de muitas pessoas. Além da comida, havia também um bolo com 20 pequenas velas para Sam apagar.

Samanta riu bastante e recebeu até mesmo alguns presentes. Eram coisas simples, mas para ela significavam bastante. Já havia ganhado em seu aniversário, lembranças dos King, de Susan, da Senhora Rachel e do Senhor Brian. Até dos Santello já havia recebido presentes há alguns anos, mas de outras pessoas com as quais não costumava conversar diariamente, nunca. Ela ficou surpresa e não se deu conta que aquilo era resultado da gratidão, pois muitas pessoas ali haviam sido ajudadas por ela de alguma forma.

Não demorou muito e as pessoas se dispersaram, voltando para seus afazeres. Algumas mulheres ficaram para ajudar a arrumar a cozinha e depois que terminaram, o Senhor King apareceu e chamou:

– Brian, Rachel, Samanta! Eu e Madalena gostaríamos de conversar com vocês três. Você também está convidada, querida – disse ele se dirigindo a Susan – Os aguardaremos lá em cima.

Minutos depois, estavam todos acomodados na sala de estar dos King, os quais se encontravam em pé e de mãos dadas olhando para eles.

– Chamamos vocês aqui porque gostaríamos de aproveitar a data festiva para dar-lhes um presente. – disse o Senhor King.

Os três se entreolharam sorridentes, mas nada falaram. Continuaram atentos e a Senhora Madalena continuou:

– Durante todos esses anos, vocês foram pessoas maravilhosas para nós.

“Quando não tínhamos mais casa, Rachel e Brian nos deram abrigo. Quando não tínhamos mais forças, Samanta nos trouxe amigos. Apenas Deus sabe o quanto nossa gratidão por vocês é grande.”

– E durante esses anos sempre pensávamos no que poderíamos fazer para agradecer vocês – disse o Senhor James – mas nunca conseguimos juntar dinheiro suficiente para ajudá-los do jeito certo.

O Senhor Brian quis contrariar. A reforma e várias outras pequenas coisas haviam acontecido porque os dois haviam ajudado, mas a Senhora Rachel não permitiu que ele interrompesse. Nisso, o Senhor James pegou um envelope em cima da mesa atrás deles e entregou nas mãos do Senhor Brian.

– Tivemos uma ideia ontem enquanto resolvíamos algumas coisas. E conseguimos isso. – disse ele enquanto observava o Senhor Brian abrir o envelope.

O homem que estava sentado avaliou três papéis um a um e seus olhos marejaram, porém no quarto papel, ele não aguentou e se pôs a chorar sobre os joelhos. A Senhora Rachel ficou assustada e curiosa para saber o motivo que fizera o marido soltar lágrimas tão facilmente. Ela pegou os papeis e teve a mesma reação dele com os três primeiros. Ao analisar o último, pôs a mão sobre a boca e também iniciou um choro, abraçando em seguida o esposo que estava ao seu lado.

Então, foi a vez de Sam ver os papéis.

 

REQUISIÇÃO DE DOCUMENTO

Londres, xx/xx/1945

Nome: Brian James King

Endereço: 7th street, nº10

Documento:

(  ) Identidade ( X ) Certidão de Nascimento (  ) CPF (  ) Outro________________

Motivo:

(  ) Roubo  (  ) Perda  (  ) Renovação ( X ) outro: Guerra

Filiação: James Robinson King

Madalena Lewis King

Assinatura dos pais: James Robinson King

                                  Madalena Lewis King

Assinatura do requerente: __________________________________

Observação: Entregar este requerimento assinado em até 10 dias.

 

            E assim como tinha para ele, tinha para a Senhora Rachel e para…Samanta…

 

REQUISIÇÃO DE DOCUMENTO

Londres, xx/xx/1945.

Nome: Samanta Watson King

Endereço: 7th street, nº10

Documento:

(  ) Identidade ( X ) Certidão de Nascimento (  ) CPF (  ) Outro________________

Motivo:

(  ) Roubo  (  ) Perda  (  ) Renovação ( X ) outro: Guerra

Filiação: Brian James King

Rachel Watson King

Assinatura dos pais: ________________________________

                                     _________________________________

Assinatura do requerente: __________________________________

Observação: Entregar este requerimento assinado em até 10 dias.

 

Samanta chorou.

Os King haviam presenteado os três com algo que nenhum deles tinha ou podia usar: um sobrenome.

 

NOTA FINAL: Pesquisando um pouco mais sobre a Inglaterra de 1940 descobri que naquela época a homossexualidade era crime lá, o que só mudou em 1967. Até antes disso, os homossexuais eram presos ou então tinham que se submeter a algum tipo de tratamento e foi aí que encontrei Alan Turing, um matemático inglês que inventou uma máquina que ajudava a desvendar a criptografia alemã na época da segunda guerra e que era homossexual. Este último ponto o tornou um “criminoso” e para não passa o resto dos dias na prisão, aceitou se submeter a uma castração química.

Em 1954 se suicidou.

Eu iria fazer uma leve citação a respeito dele no capítulo de hoje. Porém conheço pouco sobre a ordem cronológica dos fatos e preferi apenas usar sua história com a ajuda de um anônimo.

Quem era o homem que estava vendendo a loja? O que ele era para o amigo adoentado? Pra onde ele vai? E por que exatamente ele está indo embora?

Essas perguntas vou deixar com a imaginação de vocês. Para mim basta a pequena aparição dele no capítulo de hoje e a oportunidade de poder falar um pouquinho sobre o passado da nossa sofrida luta.

Agora que vocês têm essa informação, aconselho que leiam o trechinho em que ele aparece de novo.

Abraços!

MAIS UMA NOTA FINAL: Eu não sabia, até o capítulo de hoje, que a homossexualidade era crime na Inglaterra nessa época, por isso alguns momentos passados em que a sexualidade da Samanta fica explícita enquanto ela está na Inglaterra serão trabalhados em uma segunda edição. Por enquanto, perdoem a escritora.

Abraços!