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20 e Poucos Anos – CAP 95

Era tarde da noite e as duas amigas haviam conversado mais tempo do que o esperado. Disseram que a falta de sono fora culpa do café, mas sabiam bem que a verdade é que gostavam da presença uma da outra e queriam aproveitar aquele raro momento privado o máximo possível.

Apesar de estarem indo se recolher, não tinham sono ainda, porém Sam não podia perder o navio daquela manhã, precisava levar o dinheiro que pagaria todos que trabalharam aquelas duas semanas, pois não sabia as necessidades deles.

Samanta estava lavando o rosto no amplo banheiro que ficava no quarto de hóspedes da casa de Susan. Ela já havia colocado um pijama cedido pela ruiva e agora apenas dava os últimos retoques antes de ir para a cama. Foi quando ouviu a porta do quarto abrir e saiu do banheiro.

– Trouxe uma coberta extra. A noite está bem ventilada e este quarto é particularmente frio. – disse Susan colocando um edredom sobre a cama em que Samanta dormiria e em seguida fechando mais o roupão de seda que usava sobre a camisola ao redor do corpo.

– Obrigada, não precisava se incomodar.

– Não é nenhum incômodo. Sempre gostei de cuidar de você. – falou Susan com um leve sorriso que se desfez quando ela olhou o semblante surpreso de Samanta.

Um silêncio nervoso se fez entre elas e rapidamente seus olhares se descruzaram para pontos distintos do quarto.

– Vou deixá-la descansar. – disse Susan por fim virando-se e se dirigindo à porta.

– Susan!

A ruiva parou aflita, temia o que estava por vim. Ela não se virou, apenas disse:

– Sim.

– Obrigada. – falou Samanta que já caminhava para abraçar a garota por trás.

Ela envolveu os ombros de Susan com um dos braços e a cintura com o outro, depositou a testa na divisa entre o pescoço e o ombro da mais jovem e ficou ali, calada.

Aos poucos foi se lembrando do dia anterior e de horas atrás quando sentira vontade de sumir para sempre. Naquele momento passado, ela lembrara das pessoas boas que entraram em seu caminho, mas era como se estivessem muito longe para alcançá-la. Porém, aos poucos fora se sentindo acolhida novamente quando viu os objetos que lhe foram confiados a ela pelos King; depois quando falou com o Senhor King ao telefone e por fim ao conversar com Susan como antigamente.

Ela fora rejeitada no início de sua vida, mas uma nova e grande família a acolhera e ela passou a ser amada exatamente por ser quem era, já que nunca tivera nada para despertar o interesse material de alguém. E ali em seus braços, estava um belíssimo exemplo de uma dessas pessoas.

Sua alma aqueceu e ela finalmente conseguiu espantar os últimos fantasmas da manhã anterior. Era amada. Tinha certeza disso. Faltava agora apenas uma coisa: amar-se. E para isso, dar valor a si própria era essencial. Não poderia mais ser a terceira pessoa de um relacionamento. Não poderia mais passar a noite em camas que a expulsariam toda manhã ou nem esperariam amanhecer para isso. Não poderia mais corresponder a qualquer olhar de interesse feminino como quem mendiga atenção e nem poderia mais dispor de seu tempo e esforço para ter o corpo de qualquer mulher apenas para alimentar o próprio ego. Como alimento, agora, ela usaria o amor das pessoas ao seu redor e o fato de que essas pessoas mereciam alguém de valor por perto, alguém que não se entregasse a qualquer hora para qualquer um. Iria agora dar mais de si para as pessoas certas e começaria naquele momento.

Ela moveu sua cabeça de modo a direcionar sua boca próxima ao ouvido de Susan e falou:

– Seria abusar de sua hospitalidade pedir para que dormisse comigo esta noite?

Susan suspirou pesadamente. Todo seu corpo arrepiou-se ao ouvir a voz sussurrada de Samanta ao seu ouvido. A respiração da ruiva começou a descompassar e ela não tentou controlar nada que sentia, mas também não disse palavra alguma.

Samanta percebeu a reação de Susan, mas frente à ausência de resposta, imaginou que a jovem, por mais que quisesse, não iria aceitar ficar com ela e Sam respeitaria isso.

Ela afrouxou o abraço e começava a se afastar quando Susan se virou e colou seus lábios nos dela com urgência. Imediatamente a cintura da ruiva foi envolvida pelos braços de Samanta que se sentiu eufórica, pois mais uma vez Susan tomara a iniciativa de beijá-la.

Enquanto começavam um beijo calmo, as duas caminharam lentamente e sem se desgrudar até a cama, onde continuaram o beijo com Susan deitada e Samanta ao seu lado passando-lhe a mão na cintura e por vezes no rosto.

As mãos de Susan não ousaram muito, apenas puxavam mais a cabeça de Sam para sim ou desgrenhavam os cabelos da morena.

Devagar, Samanta começou a desatar o roupão de seda que Susan usava para deslizar sua mão pela cintura da ruiva ainda coberta pela camisola de algodão, mesmo não sendo em sua pele Susan suspirou com o toque, mantendo sempre os lábios colados aos de Sam.

Os dedos da jovem Dover passaram dos cabelos negros e lisos de Samanta para o pescoço, seguindo até os braços, os quais ela apertou delicadamente. Susan desceu uma mão até a cintura de Samanta e dali deslizou até os glúteos, mas rapidamente a tirou. Samanta percebeu e pegando a mão de Susan, colocou-a de volta onde estava, em seguida depositou sua mão no rosto de Susan acariciando-a, tudo isso sem parar o beijo.

Não demorou muito e afastaram-se sem fôlego. Se olharam por apenas alguns segundos e em seguida, Samanta foi até o pescoço de Susan e lhe beijou toda a extensão deste indo até o ombro da moça que teve a camisola afastada até o meio do braço para dar espaço para a boca de Samanta. A morena fez a mesma coisa do outro lado, expondo pela primeira vez os seios alvos de Susan.

Sam os observou inebriada de um desejo calmo, olhou deles para os olhos de Susan que a mirava de volta do mesmo jeito.

Samanta então sentou-se e tirou o blusão de seu pijama. Ela o jogou para o lado e observou Susan mais uma vez. A moça estava linda em sua camisola cor-de-rosa caída nos ombros e rodeada pela seda de seu roupão.

Susan olhava para os seios morenos de Samanta com sede, o quanto queria senti-los não saberia dizer. Como que lendo seus pensamentos, a morena se aproximou e deitou-se por cima de Susan, encostando lentamente seus seios nos dela. Susan gemeu com aquele contato e Sam imediatamente voltou a beijar o pescoço da garota que não parava de gemer de prazer com o contato de seus seios nos de Sam.

A pele de Susan tinha cheiro de talco, mas o único gosto que Sam sentia era o da pele da moça.

Uma coxa de Samanta se posicionou entre as pernas da jovem ruiva e levemente começou a pressionar a região de prazer desta, que gemeu mais alto do que esperava:

– Oh, céus! – disse levando uma das mãos à boca. – Será que Madeleine…

Mas Samanta segurou a mão da moça acima da cabeça dela, prendendo-a na cama. Beijou então os lábios de Susan e voltou a fazer os movimentos com sua perna da mesma forma calma.

Um gemido agudo da ruiva ecoou dentro da boca de Sam que rapidamente soltou a mão que estava prendendo e segurou firme os dois lados da cintura de Susan  a qual agora cravava suas unhas nas costas da morena enquanto seu corpo iniciava uma explosão de prazer.

Susan nunca havia experimentado nada como aquilo. Nem mesmo quando Sam a tocara na tenda há anos atrás. Ter Samanta daquele jeito havia sido diferente. Sentir o calor de sua pele, o gosto de sua boca e a pressão de sua perna, tudo ao mesmo tempo, fora mais intenso.

A morena relaxou e ia deitar ao lado da jovem Dover, quando esta pediu:

– Fique aqui!

Samanta deu um leve sorriso e em seguida deitou sua cabeça entre os seios rosados de Susan.

Abraçadas, as duas dormiram sem perceber.

 

***

 

O vento fresco batia no rosto de Samanta enquanto o trem serpeava pelos trilhos já próximo da estação em que ela iria descer.

Sam não conseguia tirar da cabeça a noite passada e a manhã que tivera com Susan.

– Mandei Madeleine ir até o mercado, o que nos dá o café da manhã a sós, antes de você ir. – disse Susan sentada ao lado da cama quando fora acordar Samanta no quarto. Depois daquilo, não demorou muito e ela já não estava mais sentada, mas sim deitada na cama com Sam a lhe beijar os lábios docemente.

Temos que ir. Você não pode perder o navio, esqueceu? Va se aprontar! O café já está na mesa. – falou a jovem ruiva com um sorriso tão lindo que fez Samanta sorrir até com sua simples lembrança.

Estive pensando…- falou Susan em outro momento. Já estava devidamente vestida e já havia acabado seu café. Agora esperava Sam terminar o seu enquanto conversava- …ontem você falou a respeito de estar acostumada a ser usada, fiquei curiosa. Além de Sophie, quem mais usou você assim? Fui eu, Sam?

– Claro que não! – disse Samanta rapidamente. Susan ficou calada aguardando a resposta da morena, a qual não pretendia falar mais nada.

Foi Carina? – perguntou a ruiva com os olhos verdes sobre a mulher a sua frente.

Samanta que ia pegar um pedaço de bolo parou no mesmo instante. Ela não queria falar sobre Carina naquele momento, mas ela sabia que Susan tinha boa noção sobre o assunto, pois já lhe questionara a respeito da italiana antes. Tanto por isso, quanto por ter se decidido em ter algo mais profundo com Susan, Samanta resolveu explicar o que se passou entre ela e Carina durante mais de duas semanas e as motivações da italiana para ficar com Sam e depois deixá-la. Esclareceu também seus sentimentos em relação à Carina Santello e em relação a atual Carina Smith.

Já não tenho interesse em Carina há muitos anos. Acredite em mim quando digo isso.

– Eu acredito, não se preocupe…tenho apenas uma dúvida…você e ela fizeram…de tudo ?

– Bom, fizemos muitas coisas, mas ela queria permanecer…queria permanecer virgem para o casamento, logo não fizemos de tudo como foi com….

– Com Sophie François.

– Sim. – respondeu Sam sem jeito.- Não digo que o que tivemos não foi especial. Foi muito, mas ela sufocou até destruir tudo. Sofri por um bom tempo, até que…

– Eu apareci.

– Sim.

Depois de explicar sua historia com Carina, Samanta ainda escutou as lembranças de Susan a cerca do dia do noivado, mas apenas isso. Guardou para si o que viu e a conversa que teve tempos depois.

Sam achou que a conversa deixaria a jovem ruiva distante, mas antes de sair para o porto, Susan lhe deu um selinho de despedida renovando as esperanças da morena e deixando-a como uma boba todo o caminho de volta para casa.

 

Assim que chegou à Inglaterra foi direto para o ateliê, pois sabia que todos estariam lá.

– Com licença, aqui é do ateliê The Kings? – disse ela assim que apareceu à porta.

Todos viraram-se e com sorrisos receberam-na.

– Não é, minha querida, mas esse é um bom nome para um ateliê. – disse a Senhora King que estava ao lado de Emily em uma das máquinas e já começava a se aproximar para saudar Samanta.

– Pois saiba, Senhora, que este não só é um bom nome para um ateliê como é o nome deste aqui. – disse Samanta com um sorriso que deixou a todos intrigados. Então, ela explicou parte do que havia acontecido para todos que ficaram muito felizes, fez o pagamento a cada um (o que os deixou mais felizes ainda) e entregou os chocolates de lembrança. Depois disso foi para a pensão com os King contar todos os detalhes do que acontecera a eles e a Brian e Rachel.