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20 e poucos anos – Cap 78

CAP 78
Samanta caminhava pensativa pela rua do bairro nobre de Londres. Ela ainda pensava a respeito do que havia descoberto.
Após visitar a loja de roupas masculinas, ela fora ainda a uma exclusiva de vestidos e depois foi até um ateliê mais simples para perguntar a respeito dos valores de suas peças.
Descobrira que até costureiros independentes vendiam mais caro que o ateliê dos King que ainda tinha dois funcionários além dos próprios.
Perguntou-se se Sophie tinha conhecimento disso ou, se assim como ela, não era muito conhecedora dos preços ingleses, apesar de que era sócia de Claude em Paris, logo deveria entender um pouco a respeito, era o que pensava Samanta.
Guardou esses pensamentos para mais tarde, pois estava se aproximando do local que estava indo visitar.
Ela entrou e ficou feliz por encontrar a pessoa com a qual queria falar e de quebra ninguém indesejado. A pessoa estava atrás de um balcão vendo televisão, então Sam chamou sua atenção com um tapa no balcão e disse:
– Uma taça de champanhe do mais caro, por favor!
O homem levantou a cabeça e abriu um sorriso enquanto se levantava da cadeira.
– Mas olha só quem está aqui! Como vai Sam?
– Estou caminhando, Senhor Lorenzo. E as coisas por aqui?
– Continuam as mesmas. Tem pouca gente a noite e nenhuma de dia. Quando que o La Bella Donna ficava vazio assim? Ou melhor, “Italian Gourmet”, que nome horrível.
– É, o costume dessa gente chique é diferente. Acho que seria melhor abrir apenas mais tarde. O Senhor não concorda?
– Ah! Não faz diferença. Não tenho nada para fazer. Não sou mais responsável por carregamentos, nem contas. Nada! Dizem que é para que eu descanse, mas se tem alguém que precisa descansar é Antonella, não eu.
– Como ela está?
– Está bem. Vive cansada, mas está vivendo um “sonho”, é o que ela diz. Está na cozinha adiantando algumas coisas para a noite, pois hoje quer jantar na mesa com a neta.
– Às vezes esqueço que o Senhor já é avô da pequena…
– Beatrice. Beatrice Smith! – disse ele orgulhoso. – Você nunca veio visitá-la. Sempre passa aqui apressada, mas ao menos ainda passa aqui. Os Stuart vieram umas duas vezes, mas não podiam pagar nada. É tudo muito caro, acho que é por isso que vive vazio.
“Óbvio que para eles, fregueses e amigos, eu vendi no mesmo valor de antigamente, mas mesmo assim não apareceram mais. Não se sentiram nada bem, foi o que me disseram depois.”
“Certo! Chega de reclamações, qual o champanhe que você deseja?” – disse ele que antes perguntava onde ela arranjava dinheiro para comprar as bebidas caras que por vezes comprava. Porém depois de muitos rodeios por parte dela, ele desistiu de perguntar.
– Na verdade, eu não vim comprar champanhe, Senhor Lorenzo.
– Então…?
– Acredito que aqui tenha um telefone, ou estou errada?
– Tem sim.
– Gostaria de pedir para fazer uma ligação para Paris, a qual eu pagarei com toda certeza.
– Pode usar, Sam, e pague quando puder. Os Smith me devem até os olhos da cara, não estão em posição de cobrar um telefonema.
– Obrigada, Senhor Lorenzo!
– É ali naquela porta. Pode ir, se eles aparecerem diga que fui eu quem mandou.
Samanta agradeceu e caminhou mais que depressa até o amplo escritório onde estava o telefone. Sentou-se em uma poltrona e tirando o papel do bolso fez a ligação. Já havia calculado os preços com o valor das passagens de ida e volta de uma pessoa.
O telefone chamou e em seguida uma mulher atendeu. Segundos depois o Senhor Lafaiete atendeu a chamada em francês e os dois começaram a se comunicar usando os dois idiomas.
Samanta explicou a ele que se a quantidade de pedidos fosse maior, o valor de cada peça seria menor e isso empolgou o Senhor Lafaiete que por telefone garantiu pelo menos cinco ternos sem contar outras peças.
Sam queria pular na cadeira, mas manteve a compostura e o tom de voz. Anotou o endereço, se despediram e ela desligou.
Não conseguia parar de sorrir. Pela primeira vez eles venderiam roupas naquele valor e aquilo era um avanço enorme para ela. Jogou a cabeça para trás encostando-a na poltrona e sorriu. Nisso a porta do escritório rangeu e ela se levantou de uma só vez preparando seu melhor tom arrogante, porém fora desarmada antes mesmo de começar, pois ali na porta, usando uma saia e uma blusa florida decotada, estava Carina.