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20 e Poucos Anos – Cap 71

CAP 71

Samanta estava envergonhada enquanto tirava peça por peça de suas roupas. Sabia que a francesa tinha fechado os olhos, mas mesmo assim sentia-se observada.
Apesar de achar isso, não ousou virar, pois, de tanta vergonha, seria possível que pedisse desculpas caso constatasse ser verdade.
Ela pensou em deixar suas roupas de baixo, mas percebendo que haviam molhado um pouco por conta do tempo que ficara parada esperando Edward ir embora, percebeu que seria melhor tirar ao menos a parte de cima. Ia manter a calcinha, mas as palavras de Sophie deixaram-na insegura e ela pensou:
– Se vou esperar todas secarem de qualquer jeito, aguardo esta também, basta colocar embaixo das outras roupas e “o detalhe” de mais cedo não será percebido.
Rapidamente o fez e pegou o roupão, pois estava frio, mas antes mesmo de terminar de colocá-lo, seu corpo se aqueceu:
– Eu não aguento mais…- Sophie François falou ao seu ouvido e todo seu corpo estremeceu quando os lábios quentes e molhadas dela tocaram sua pele. –
Eu preciso ter você, Samanta. – e o roupão foi ao chão – Se você não quiser – e sentiu novamente os lábios quentes de Sophie em seu pescoço – terá que me impedir agora – e os braços dela envolveram sua cintura nua enquanto beijava-lhe o pescoço, deixando-os tão molhados quanto suas coxas.
Sam ainda tentou argumentar, não uma, mas duas vezes, porém foi jogada contra o guarda-roupa.
– Não gosto de forçar ninguém a nada, Samanta – falou Sophie com seu corpo colado no dela – por isso se você realmente não quiser o mesmo que eu, tudo que precisará fazer é negar – beijou o queixo dela – meu beijo. – e sem esperar respostas, Sophie avançou em sua direção e Samanta não se moveu.
Os lábios de Sophie tocaram os dela e ela deixou. Ela quis.
O beijo era quente, com gosto de vinho e desejo e vinha acompanhado das mãos espalmadas da francesa, que passeavam por suas curvas com cobiça até que ela afastou-se do rosto de Samanta apenas o suficiente para falar:
– Agora, você só sairá daqui quando for completamente minha.
E voltou a beijar-lhe a boca enquanto desabotoava a própria blusa, o que fez rápido para poder voltar a colar seu corpo no de Samanta antes que ela tentasse sair de onde estava.
Sentir os seios de Sophie contra os seus fez Sam gemer. Seu corpo há tanto tempo desejava aquilo: um corpo macio, quente, feminino tocando-lhe a nudez com desejo.
De repente lembrou-se de Carina e logo em seguida de Susan. Os dois corpos que desejara, as duas moças pelas quais se apaixonara e pelas quais sofrera. Sim, “sofrera”. Permitiu-se usar o passado, pois naquele momento tomara uma decisão e, segurando Sophie pela cintura, andou com ela até a cama.
Sabendo para onde estava indo, a francesa colocou as mãos para trás e abriu a fina cortina que rodeava a cama para em seguida ser jogada sobre ela e ter suas calças arrancadas juntamente com a roupa de baixo.
Samanta olhou o corpo esguio e branco que ofegava à sua frente: os cabelos negros volumosos espalhados acima da cabeça, os olhos negros que destilavam desejo, a boca rosada semiaberta que convidava a língua de Samanta para dentro, os seios pequenos que instigavam a inglesa a colocá-los por inteiro em sua boca, a barriga lisa e, para sua surpresa, a região entre as pernas livre de pelos.
Sophie percebeu a surpresa dela e falou:
– Deixei assim especialmente para você.
“Não sei se você prefere com pelos, mas acho que apreciará mais deste modo.” – e estendo uma das mãos para a morena, abriu as pernas e disse – Venha!
Sam segurou a mão de Sophie, que a puxou para um beijo enquanto as duas iam se posicionando mais para o meio da cama, com Samanta entre as pernas da francesa. Assim que se posicionaram, Sophie disse:
– Faça o que tiver vontade, mon chéri – e deitando-se, colocou as mãos acima da cabeça.
Sam não pensou duas vezes e foi direto para os seios da francesa que gemeu e sorriu, pois estava ficando cada vez mais claro que ela estava certa em sua teoria de que aquela garota era dominadora.
Samanta chupou os seios de Sophie como havia desejado e depois partiu para o pescoço dela. Sophie sabia que ficaria marcada, mas não fez objeção.
Do pescoço, Sam partiu para os lábios da francesa e elas se beijaram enquanto suas mãos passeavam pelo corpo uma da outra. Depois de algum tempo, Sophie empurrou Sam para o lado e indo para cima dela falou:
– Agora é a minha vez de fazer o que quiser.
Sam, que se assustara com o empurrão, logo se viu embriagada de desejo quando Sophie começou a esfregar sua região de prazer na barriga dela enquanto lhe massageava os seios. Samanta mordeu o lábio inferior e Sophie perguntou:
– Você gosta? – Sam confirmou com a cabeça e em seguida Sophie a beijou na boca, um beijo molhado e demorado. Depois afastando-se um pouco do rosto da morena, perguntou – E do beijo você gosta? – Sam confirmou mais uma vez com a cabeça e nisso Sophie disse – Então vou dar a você um beijo diferente – e ficando sobre os joelhos e as mãos, a francesa engatinhou até posicionar sua fonte de gozo sobre a boca de Samanta.
Sam olhava cheia de tesão para os lábios íntimos de Sophie e assim que eles encostara em sua boca, ela se viu derramando mais líquido entre suas próprias pernas.
Sophie gemeu quando sentiu o toque dos lábios de Samanta e começou a se mover lentamente e sem força contra eles.
– Isso, mon amour, está magnifique. Agora quero sentir sua língua…que
merveilleux! Ne pas arrêter mon amour! Continuer! Continuer! De cette façon! De cette façon! Make me cum dans la bouche de, bébé. (*…maravilhoso! Não pare meu amor! Continue! Continue! Desse jeito! Desse jeito! Faça-me gozar na sua boca, meu bem) – Sophie arqueou o corpo para trás e gemeu alto quando chegou a um orgasmo dado pela língua de Samanta. Depois, sem aviso, ela virou-se de modo a ficar com a cabeça para o mesmo lado das pernas de Sam, mas ainda sem sair da direção da boca da morena. Então se debruçou sobre o corpo dela e beijou-lhe a região de prazer. Samanta gemeu alto e Sophie deu uma pequena pausa para falar:
– Continue, mon amour! Não pare o que estava fazendo!
E Sam voltou a beijar-lhe os lábios que transbordavam gozo enquanto sentia a língua e os lábios de Sophie em sua fonte de prazer. Quando deu por si já estava se movendo contra o rosto da francesa que não parava o que estava fazendo em momento algum, já Samanta vez por outra se perdia e voltava quando Sophie, com um tom quase choroso, pedia para que continuasse.
Samanta chegou ao clímax diversas vezes, até que, depois do último orgasmo, Sophie parou o que fazia e apoiada sobre os braços e os joelhos, começou a se mover contra a boca de Samanta.
– Agora endureça a língua, mon amour, Isso! – Gemeu alto. Um gemido agudo, gostoso de ouvir.
Samanta saiu de debaixo da francesa por entre as pernas dela e ficou sentada apreciando os glúteos daquela mulher cheia de deleitosas supresas. Sophie não se moveu, apenas empinou o bumbum e disse para Sam:
– Passe a mão em mim e procure por meu orifício, Samanta. –Sam o fez e Sophie falou rapidamente – não…esse não, mon amour – e olhou para trás sorrindo – mais para baixo.
Sam tateou os lábios íntimos, molhados e quentes de Sophie, passou por eles fazendo-a gemer, até que achou o orifício que a francesa falara.
– Bem aí! Coloque dois dedos seus, meu amor, s’il vous plaît, s’il vous plaît (por favor, por favor*).
Sem delongas, Samanta enfiou dois dedos fazendo Sophie suspirar e dizer:
– Tire e coloque…assim…agora com força, mon coeur! (*meu coração)
Samanta não precisou ouvir o pedido mais de uma vez. Ela imprimiu velocidade e enfiou os dois dedos com um pouco mais de força, fazendo Sophie soltar um gritinho. Vendo que estava no caminho certo, a morena segurou a cintura da francesa e começou a retirar e colocar os dedos com pressão dentro de Sophie, que chegou a mais um orgasmo e disse após:
– Acho que você poderia usar algo para fazer-me gemer muito mais.
E levantando-se, foi até seu closet e trouxe de lá uma caixa que continha um objeto preso a várias faixas pretas que Samanta nunca havia visto antes.
– Ponha isso!
Samanta pegou da mão de Sophie, mas precisou da ajuda dela para colocar o que depois constatou ser um acessório semelhante a um pênis. No inicio se sentiu ridícula, mas quando Sophie se posicionou sobre os joelhos e com a cabeça sobre a cama, rapidamente sua frequência mudou para luxúria e, se posicionando atrás de Sophie novamente, ela empurrou o objeto atado em sua cintura lentamente, com um movimento do quadril e aos poucos começou a se mover, primeiro devagar, depois rapidamente e com força, ao mesmo tempo em que gemia e se excitava com os gemidos de Sophie.
Acabaram apenas quando os glúteos de Sam ameaçaram uma cãibra. Ela terminou sua última estocada e caiu para um lado da cama, exausta, enquanto Sophie caia para o outro. As duas de bruços, ofegantes e suadas.
Não demorou muito e a francesa virou-se sem levantar e desatou a cinta de Samanta. Esta nem se moveu, apenas sentiu a cinta saindo e depois o baque dela caindo no chão. Segundos depois, sentiu uma movimentação na cama e virou-se para Sophie, que havia pegado a coberta que caíra no chão e começava a colocar sobre as duas. Então, se acomodou no ombro de Samanta e pôs uma das mãos em sua barriga morena.
Não falaram nada, apenas ficaram abraçadas até que adormeceram.

***

3 ANOS DEPOIS (março de 1945)
Samanta acordava com um raio de sol em seu rosto e um vento frio que entrava pela fresta da janela mal fechada.
Ela se esticou e depois respirou fundo. Iria viajar dali a algumas horas, precisava se mover ou então pegaria no sono de novo, pois dormira pouco na madrugada, mas com certeza tinha valido a pena.
Ela retirou devagar a cabeça que dormia em seu ombro e, pegando a mão que estava sobre a sua barriga, colocou-a sobre a cama.
Vestiu a calcinha e a calça, pôs o sutiã, colocou a camisa e puxou devagar o lençol que cobria o corpo moreno da mulher com a qual havia dormido na noite anterior. Só então, começou a abotoar a camisa enquanto admirava o corpo da mulher.
Um vento fez balançar as cortinas e a mulher se encolheu e despertou. Ela virou-se de frente para Sam, olhou-a já vestida e espreguiçando-se falou:
– Já vai tão cedo?
– Sim. Não deveria nem ter dormido aqui.
– Até onde eu sei você não é casada. – disse a mulher puxando a coberta de volta.
– É, mas hoje viajo e fiquei de passar a manhã com Sophie para acertarmos os detalhes.
– Fale a verdade, Samanta, você está com medo porque sabe que ela vai tomar conhecimento que você não dormiu na pensão ontem à noite. Gonçalo é o maior fofoqueiro daquela rua e já sabemos que é o informante dela com relação a você.
– Isso também. – falou isso e se abaixou para pegar uma banda de seus sapatos.
– Esse relacionamento de vocês é bastante estranho. Ela é casada, tem vários casos às costas do marido, o que inclui você, mas quer exclusividade da sua parte. Não entendo.
– Na verdade ela não me exige exclusividade com outras pessoas. Só com relação a você.
– Com relação a mim? O que eu fiz para ela?
– Bom, acho que ela tem ciúmes porque é ela quem sempre escolhe as damas com as quais dormimos, no entanto, fui eu quem pediu a ela que chamasse você para nossas “festinhas” no dia em que vi seu bumbum empinado levando as xícaras de chá de volta para a cozinha da Senhora Blumm. – sorriu.
– Ah! Cale a boca! – falou jogando um travesseiro em Sam.
– E também ela gosta de você, Lourdes. Do contrário não teria aceitado e não faria o que faz não é mesmo, muchacha?
– Sophie François não gosta de ninguém, Samanta. É bom você tomar cuidado.
– Eu sei disso. Por isso nos damos bem. – falou achando o outro par de sapatos no canto do quarto.
– E você diz isso na minha cara? Desse jeito?
– Você prefere que eu diga como? Assim? – e aproximou-se da latina dando-lhe um beijo quente.
– Já que você não tem medo dela, que tal voltar pra cá? – disse Lourdes baixando a coberta e expondo seus seios.
– Tenho muita vontade, mas minha relação com ela não é só sexo. Temos negócios a tratar também, por isso fica para quando eu voltar.
– Certo, mas eu quero te ver assim de novo.
“As festinhas são boas, mas acho que entendo porque ela gosta da sua atenção só pra ela na maioria das vezes.”
Samanta sorriu e começou a calçar os sapatos.
– Aliás – continuou Lourdes – não sei como ela ainda não engravidou depois de tantas “festinhas”. O mesmo digo de você.
– Isso, minha querida, se deve ao fato de que eu não participo de festas que tenham homens. Já ela, tem seus métodos.
“Eu não tenho o mínimo interesse e Sophie sabe, porque só me chamou uma vez para “festinhas” que tinham homens e era para que eu colocasse no cara.” – sorriu – “Sophie tem fetiches no mínimo curiosos.”
– Se tem. Mas porque não foi, já que seria você a fazer?
– Não senti vontade. A mim apetecem as moças! De qualquer modo, não é sempre que ela quer alguém a mais, então até propostas com moças vêm diminuindo.
– Sim. Já percebi. Cada vez menos vocês têm me chamado.
– É, cada vez menos estamos fazendo a três. Mas tenho compensado com você, não tenho, linda?
– Tem sim. – falou melosa Lourdes e deu um beijo quente em Samanta, que logo em seguida pegou seu terno que estava no chão, ao lado da cama, levantou-se e disse:
– Bom, agora tenho que ir. – sacudiu o terno e o estava vestindo quando batidas fracas soaram na porta e uma voz de criança falou:
Mamá, dónde está el desayuno? (*Mamãe, onde está o café da manhã?)
– Tempo perfeito! – disse Lourdes e começando a colocar suas roupas respondeu – Espera en el dormitorio de tu abuela que pronto voy a llamar a usted, mi querido. (*Espere no quarto da sua avó que logo vou chamar você, meu querido)
E voltando-se para Samanta disse:
– Contate-me assim que voltar.
– Entrarei em contato quando puder.
– Que seja! – disse Lourdes dando de ombros. – Só apareça, mas agora suma. Quando Pepe levanta é questão de tempo para mamãe levantar também e ela não pode ver você aqui mais uma vez. Tchau! – e abrindo a porta empurrou Sam para fora, que só teve tempo de pegar o chapéu na penteadeira antes de se ver no corredor da pequena casa da mãe de Lourdes.
Samanta andou devagar para não fazer barulho e abrindo a porta, saiu para a ventilada, ensolarada e primaveril manhã Londrina.