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20 e poucos anos – Cap 57

Susan acordara fazia um tempo, porém continuou deitada olhando a chuva que batia na sua janela. Não parava de pensar na conversa de dois dias atrás e nas últimas palavras de Sam:

– “Eu sou uma menina!”. O que será que ele quis dizer? Será que ao invés de “sou”, ele quis dizer “tenho”? Faria mais sentido, porque não tem como ele “ser” uma menina. Estamos apaixonados. Isso não seria possível se ele fosse uma garota como eu, fora que…

Lembrou-se do beijo no quarto de Sam dias antes de sua viagem. Todo aquele desejo que ela sentiu não seria possível por uma garota, sem falar nos seios inexistentes e nos trabalhos que Sam fazia que eram totalmente de rapazes. Aquela com certeza era uma opção improvável. Susan estava louca para encontrar Sam novamente e tirar aquilo a limpo, porém seus pais haviam voltado de viagem na manhã seguinte ao encontro dos dois e ela estava tendo dificuldades em entregar o bilhete para Maria, pois esta havia sido “emprestada” novamente para os Smith devido ao problema que eles estavam tendo com a “empregada doente” e a própria Susan não poderia sair, logo não tinha como encontrar-se com Sam e nem avisá-lo que seus pais estavam na cidade, pois Maria era a única pessoa a quem Susan confiava seus bilhetes.

– Talvez ele já saiba, por isso não apareceu por aqui ainda.- pensou um pouco triste, apesar de aliviada.

Perto dali, Samanta recebia seu pagamento pelo carregamento que ajudara a colocar em um navio e agora se preparava para ir falar com Susan, foram três dias de silêncio e ela precisava saber o que Susan estava pensando depois de sua revelação.

Ela lavou o rosto e os braços, escondeu a barra rasgada da camisa dentro da calça e mesmo não estando apresentável como gostaria, se dirigiu até a casa dos Dover. Assim que chegou, pensou em bater no portão, pois sabia que os pais de Susan não estavam na cidade, mas tinha ainda a governanta que era muito ranzinza e podia contar algo para os Dover, por isso decidiu não bater. Ela ficou um tempo na calçada em frente à casa esperando uma aparição de Maria para mandar seu recado por ela, no entanto, sua espera foi mais recompensadora do que imaginava, pois saindo de lá vinha a própria Susan. Samanta levantou-se e a chamou antes que ela fosse longe. A jovem Dover olhou para Sam e ela chegou a sentir felicidade em ver o namorado, mas essa felicidade não chegou a transparecer, pois a preocupação de ser vista ali com ele, a sobrepôs.

– Desculpe vir aqui sem aviso. – falou Samanta ao perceber as feições pouco animadas de Susan – Não recebi notícias suas e como estava por perto, pensei em passar aqui…

– Melhor você ir embora, Sam! Falamos depois…

– Entendo. Não imaginei mesmo que você ainda fosse querer algo comigo, mas eu precisava tentar…

– Não é isso! Na verdade nós precisamos conversar, só que não podemos agora, porque…

– Ora, ora, se não é o mais corajoso dos rapazes! – disse uma voz que fez o corpo de Sam gelar. Era o senhor Roger, que vinha saindo do restaurante La Bella Donna, acompanhado de um soldado e de um aflito Senhor Lorenzo. – O que está acontecendo aqui Susan?

– N-nada, papai! Estava indo chamá-lo para o almoço quando Sam, que estava passando, me saudou.

O Senhor Roger olhou para Sam que olhava para o chão. E falou para a filha sem tirar os olhos de Samanta.

– Uma saudação costuma ser rápida. Pareceu-me que conversavam sobre algo. Que assuntos um garoto como este teria com você, Susan?

Samanta não disse nada e nem se mexeu do lugar, mas cada palavra do General provocava pequenas reações como uma olhada para o lado ou o esfregar das mãos, coisa que o Senhor Roger analisava milimetricamente.

– Deve ter sido impressão sua, papai. – falou Susan em um tom nervoso.

– Está dizendo que estou mentindo, Susan?

– N-não! Eu apenas quis dizer que é possível que o Senhor não tenha visto por tempo suficiente…

– Eu sei o que eu vi! – e virando-se para Samanta disse – E essa não é a primeira vez que vejo esse garoto pelas redondezas. Sempre olhando para nossa casa. Se não fosse por Lorenzo, já teria mandado prendê-lo, pois quem espreita assim uma casa costuma ser ladrão, mas agora sei o que ele procurava quando olhava para cá.

Ao perceber que as coisas estavam ficando feias para Susan, Samanta disse:

– Senhor Dover…

– GENERAL Dover, rapaz!

– G-general Dover, eu e Su somos apenas amigos…

– “SU”?! – voltando-se para Susan perguntou novamente – “SU”?! Você deu a este moleque intimidade para chamá-la de “Su”?!

Desta vez foi Susan quem nada disse. Então o Senhor Lorenzo interveio:

– Calma, meu caro! Sam é um rapaz gentil com as damas. Acaba que tem esse costume de chamá-las de forma simpática, mas esse é o jeito dele. Isso não quer dizer nada. – mentiu para tentar acalmar o Senhor Roger.

– Um rapaz com uma lábia tão doce é um perigo para moças tão jovens.

Vendo que a situação só piorava, Samanta pensou em ir embora, mas não queria deixar Susan sozinha naquela situação. Foi quando olhou que a mão da jovem ruiva fazia um sinal para que ela saísse. Então tomou o pouco de coragem que ainda lhe restava e falou:

– Sinto muito por minha falta de educação, General. Para não mais causar transtornos, me retiro. – e virou-se para ir embora, mas o soldado que estava com eles segurou seu braço e disse:

– O General ainda não terminou de falar com você, moleque.

– Roger, Sam só anda por aqui porque presta serviços para mim. Eu posso resolver isso.

– Papai, vamos conversar em casa, por favor.

Disseram Lorenzo e Susan ao mesmo.

– SILÊNCIO! – bradou o Senhor Dover sem tirar os olhos de Samanta e disse. – Pelo visto você já conseguiu seu objetivo, não é mesmo, garoto? – e olhando para Susan perguntou – O que mais ele fez para conquistar seu interesse além de “saudá-la”, Susan Dover?

Susan fora pega de surpresa e antes de falar qualquer coisa, mostrou feições de quem havia sido descoberta. Só então conseguiu falar:

– N-nada!

Mas era tarde demais, o Senhor Roger percebera que havia mais alguma coisa e pegando Sam pela camisa perguntou:

– O QUE VOCÊ FEZ COM MINHA FILHA, SEU CALHORDA?!

– E-EU NÃO FIZ NADA! NÃO FIZ NADA!

– ELE NÃO FEZ NADA PAPAI! ACALME-SE, POR FAVOR!

– CALMA, ROGER! NÃO MACHUQUE O GAROTO! ELE NÃO TEM COMO FAZER NADA À SUA FILHA! VAMOS CONVERSAR, HOMEM!

Mas o Senhor Roger não ouvia nada, apenas balançava Sam enquanto perguntava aos gritos o que ela havia feito, o que começou a chamar a atenção das pessoas na rua e fez a Senhora Dover sair de casa, assim como a Senhora Antonella e Carina.

Samanta estava aterrorizada, mas sabia que se não falasse algo correria um sério risco de apanhar ou pior: fazer Susan passar por alguma situação desagradável, então finalmente falou:

– Eu realmente tenho interesse por sua filha, General, mas nunca fizemos nada, Senhor! Eu juro!

Ao ouvir isso o Senhor Roger parou de sacudir Sam, porém sem soltá-la, coisa esta que fez apenas quando a senhora Debby aproximou-se dizendo aos sussurros:

– Está chamando a atenção de toda a vizinhança, querido. Acalma-se! Já falei para você não beber de barriga vazia. Olhe o seu estado! Sem controle! Solte esse rapaz, ande!

O Senhor Roger o fez, mas empurrando Sam para cima do soldado dando a ordem:

– Jogue esse moleque numa cela. Quando voltarmos para base ele irá junto. Um rapaz que tem tempo para flertar com jovens moças tem tempo para aprender a segurar uma arma. Vá!

O soldado segurou firme em Sam que se debatia e dizia:

– Não posso ir! Não posso ir! Senhor Lorenzo, ajude-me !

– Papai, por favor…

– Você não fala nada, Susan! Nossa conversa nós teremos lá dentro! – falou categoricamente o General.

– Roger, escute-me, por favor, vamos conversa no restaurante, preciso explicar-lhe….

– Não vou reconsiderar, Lorenzo, nem por nossa amizade.

– Você não entende! Vamos conversar lá dentro…

Nisso um som de tecido rasgando se fez ouvir e todos olharam para Sam e para o soldado que segurava metade da blusa dela na mão. Ela tentou correr, mas o soldado conseguiu segurá-la pelas ataduras que estavam ao redor do busto. Samanta se debateu e a atadura se soltou. Ela a segurou e nisso se debateu menos, fazendo o soldado ter êxito em contê-la.

– Mas o que é isto? – falou o Senhor Dover aproximando-se e puxando a atadura (agora frouxa) para baixo. Os seios de Sam foram expostos e rapidamente ela os cobriu, mas não em tempo de evitar que Roger e Susan Dover os vissem.sig_Gabi