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20 e poucos anos – Cap 51

Samanta ria de uma piada engraçada que a senhora King havia acabado de contar até que a senhora Rachel apareceu à porta e em seguida, Susan.

O que ela sentiu seguiu a sequencia: surpresa, felicidade e tristeza. Surpresa porque não recebera resposta ao seu bilhete e logo não esperava ver Susan naquele mesmo dia. Felicidade porque estava com saudade, coisa que só percebera ao rever a namorada. E tristeza pelo possível desfecho daquela tarde.

– Su. – falou ela em tom triste e as duas não disseram mais nada.

Diante daquele silêncio constrangedor a senhora King voltou-se para uma decepcionada Susan e disse:

– Entre, meu bem! Sente-se! Vou até a cozinha buscar os biscoitos.

– E eu vou continuar com meus afazeres. Tchau, queridos! – disse a senhora Rachel que também percebera a tensão daquele momento e sabia que o melhor seria deixá-los sem plateia.

Assim que a senhora King sumiu pela cozinha, Susan que havia sentado em uma ponta do sofá, distante de Sam, falou olhando para as dobras do vestido:

– Recebi seu bilhete. – e deu uma olhadela para Sam que ainda tinha uma leve expressão de tristeza, retornando para as dobras do vestido, continuou – E só de ver suas feições imagino a respeito de que você gostaria de falar. – sorriu sem vontade.

– Desculpe, Su! – falou finalmente Samanta – Eu apenas estou surpreso, não esperava você hoje…

– Sinto muito! Fui inconveniente! Eu deveria ter avisado. – disse a jovem ruiva corando.

– Não, não! Você nunca é um inconveniente! Acontece que não foi eu quem a recebeu e também…não estou com vestimentas adequadas. – disse Sam envergonhada.

– Não se preocupe com isso! Não importa que roupas está usando, você continua muito bonito! – falou Susan subitamente e assim que terminou a frase, corou mais ainda (o que parecia impossível) e fixou seu olhar novamente no vestido.

– Você também continua muito bonita! – disse Sam olhando para os pés – Os ares diferentes lhe fizeram bem. – e completou, apesar de saber que possivelmente terminariam naquele dia – Senti sua falta, Su!

– Sentiu?! – perguntou Susan finalmente olhando diretamente para Sam.

– Sim! – respondeu Samanta fazendo o mesmo.

As duas sorriram timidamente e nisso ouviram sons de panela vindos da cozinha e então a Senhora King começou a falar antes de aparecer na sala:

– Fiz esses biscoitos hoje cedo. Espero que gostem! – e abriu um sorriso ao ver que os dois estavam com feições mais suaves.

Ela serviu chá aos dois e também para si. Em seguida, sentou-se em uma poltrona de frente para eles e olhando para Susan calmamente, falou:

– Meu nome é Madalena King e você deve ser a namorada do Samuel, ou estou errada, querida?

Susan arregalou os olhos como se tivessem descoberto um crime seu e corou tanto que quase ficou roxa, então respondeu um sim baixo.

Samanta também olhou assustada para a senhora King, teve vontade de sair correndo e trancar-se em seu quarto no andar de baixo.

Ele tem falado muito de você nos últimos dias. Muito bem, claro! – disse a velha mulher tomando um gole do chá.

– É mesmo? – perguntou uma desconfiada Susan e olhou rapidamente para Sam que agora mirava as próprias mãos entrelaçadas no colo.

– Cheguei minha Rainha e nobre príncipe deste castelo! – falou o Senhor King adentrando no quartinho e só então deparando-se com Susan no sofá.

– …e princesa?! – disse ele com um sorriso simpático. Em seguida pegou a mão da jovem e deu um leve e educado beijo – Boa tarde, moça! Creio que seja você a nobre jovem que roubou o coração do nosso Samuel. – e direcionando-se para Sam, completou – Agora entendo sua empolgação ao falar dela, rapaz. – deu uma piscadela e voltou para Susan – Seja bem vinda, senhorita….?

– Susan Dover, senhor!

– Sabíamos de você, mas não sabíamos seu nome ainda. Eu chamo-me James King! É um prazer conhece-la, senhorita Dover!

– Igualmente, Senhor King! – disse Susan levantando-se e fazendo uma leve reverência.

– Uma dama! É raro os jovens de hoje darem atenção a estas minuciosidades. Fico feliz por você caro Sam, namora uma moça muitíssimo bem educada. É sortudo assim como eu. – e direcionou-se para beijar a mão da esposa.

Susan sorriu com uma feição radiante. Sua felicidade tinha a ver também com os elogios, mas estava principalmente relacionada ao fato de que Sam falara a seu respeito e não poderia ter sido uma invenção daquela simpática Senhora, pois o esposo, que chegara depois, confirmara também já ter ouvido falar dela.

Seu coração pulava de alegria e ela teve vontade de dar um largo sorriso para o namorado, mas este ainda olhava para as mãos.

Samanta estava paralisada e envergonhada por terem deixado claro que ela falara sobre Susan, mas aos poucos foi se acalmando porque afinal não haviam dito o conteúdo da conversa, pelo contrário, haviam floreado um pouco a história e logo ela viu que tinham feito bem, pois, ao sentir os olhos da namorada sobre si, levantou a cabeça e se deparou com um lindo sorriso, o qual deu a Sam a sensação de estar-se apaixonado de novo por Susan.

A senhora King havia servido o esposo e agora falava:

– Assim que terminarmos o chá teremos que voltar ao trabalho, James. Afinal, agora perdemos nosso ajudante, mas fico feliz que tenha sido para uma moça tão educada e bonita. É um prazer finalmente conhece-la, meu bem.

Susan respondeu:

– Igualmente, Senhora King! E não se preocupe! Vim sem avisar e acabei atrapalhando vocês. Ficarei mais tranquila com minha consciência se me permitirem ajudar.

Os King se entreolharam, e então a senhora Madalena respondeu:

– Ontem eu rezei a Deus que nos ajudasse com essa encomenda, pois precisamos entregar amanhã e estamos muito atrasados. Acredito, meu bem, que você é a nossa resposta. Aceitaremos sua ajuda de bom grado.

O senhor King assentiu.

Susan sorriu satisfeita e o mesmo fez Samanta, pois afinal ficariam juntas por mais um tempo antes da conversa que iriam ter.

A hora avançou e logo Maria apareceu acompanhada de Ramom e os dois juntaram-se ao grupo para finalizar a encomenda.

Foram terminar noite adentro.

Depois de muitos agradecimentos dos contentes King, os quatro se despediram e rumaram para as escadas. Maria ia à frente cochichando com Susan e assim que chegaram ao pátio, aquela chamou Ramom e foi sentar-se com ele em uma mureta perto da entrada da pensão, deixando Susan e Sam para trás. As duas sentaram em outra mureta próxima às escadas que ficava atrás de alguns arbustos crescidos, o que impedia a visão de quem passava na rua.

Ambas olhavam para o chão e Susan falou:

– Muito divertidos, os King. Lembram um pouco meus falecidos avós maternos.

– Sério? Imaginei mesmo que avós eram assim.

– Bom, nem todos. Os meus avós paternos são bem difíceis de se lhe dar.

– Entendo. – disse Sam e as duas voltaram a ficar em silêncio até que Susan tomou coragem e disse.

– Estou realmente curiosa, Sam! O que você queria falar comigo? Fiquei tão preocupada com a mensagem, que por um momento achei que você iria dizer que não gostava mais de mim e que não queria mais me ver. – disse Su com um sorriso que morreu no momento em que ela viu a expressão de Samanta. – Era isso?! – perguntou levantando-se da mureta.

– Não! – falou Sam rapidamente e levantando-se também. – Bom, não assim…é que…Susan, eu gosto de você, mas quando olho mais à frente eu não consigo ver como nós dois conseguiremos continuar juntos. Olhe para mim! O que eu tenho? Nada! Seu pai nunca vai aceitar. Sua mãe então nem se fal…- Sam calou-se, pois agora sua boca relembrava como era ter os macios lábios de Susan nos seus e esta, aos poucos, aproximou seu corpo do de Samanta e logo após, enlaçou o pescoço dela em um abraço e ao seu ouvido sussurrou:

– Quando caminhamos olhamos para o chão que iremos pisar. Olhar mais à frente que isso é um erro, Sam. Podemos acabar tropeçando.

Samanta ouviu aquelas palavras e as aceitou sem resistência. Lentamente, ela enlaçou a cintura de Susan e por um tempo que ninguém contou ficaram ali, abraçadas.

sig_Gabi