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20 e poucos anos – Cap 36

Quando Samanta virou, deparou-se com Susan parada na entrada da pensão.

– Oi, Su! – falou ela surpresa e aproximando-se.
– Olá, Sam! – disse Susan sem jeito, pois estava pensando no que falaria quando avistara Sam e, antes que ele se distanciasse, o chamou sem saber direito o que iria dizer.
– O que está fazendo aqui? – perguntou Samanta.
– Vim trazer algumas coisas para você. – falou Susan levantando uma cesta que Sam ainda não tinha percebido.

Samanta ficou surpresa e sem ação.
– Er…obrigado! – disse pegando a cesta meio sem jeito. – Como você conseguiu permissão para vir aqui ?– perguntou olhando para o portão procurando sinal da mãe ou do pai de Susan.
– Maria (a empregada da casa dos Dover) está namorando um cigano, que vende naquelas vendas. Viemos aqui ontem porque ela falou muito bem dos tecidos. Hoje descobri o porquê. – sorriu – Como ela queria ver o namorado e eu queria visitar você, entramos num acordo. – falou isso e corou.
– Entendi. E seu pai não achou estranho?
– Ele não está na cidade. Viajou hoje pela manhã, para uma reunião sobre a guerra. E minha mãe acha que estou na aula de piano, na casa da Senhora Blumm. Por isso, aqui estou. – falou Susan puxando para os lados a barra de seu vestido com as duas mãos e fazendo uma pequena reverência, como quem se apresenta para alguém importante.

Samanta sorriu, mas ouvir falar sobre a guerra a fez lembrar de seus amigos. Ela ficou pensativa e nisso Susan cruzou os braços e disse com a cara emburrada:
– Samuel, aprenda uma coisa, quando uma pessoa se muda e alguém lhe trás presentes é porque quer conhecer sua casa.
– Oh! Claro! Perdoe-me, Su. Sou novo nisso.- falou Samanta envergonhada.

Contudo, Susan não havia ficado emburrada de fato. Na verdade, ela adorava o jeito enrolado de Sam.
Elas foram até o quartinho e quando lá chegaram, Susan ficou sem jeito.

Como no dia anterior Sam mostrara uma pensão, logo, Su imaginou um local com ao menos uma sala. No entanto, aquele lugar era apenas um quarto, sem sofás ou cadeiras. Os únicos lugares para sentar eram alguns caixotes de madeira e…uma cama.
– Entre! Pode sentar-se aqui. – falou Sam apontando justamente para a cama e colocando a cesta lá também.

Susan hesitou um pouco, mas entrou. E sentando-se disse:
– Desculpe Sam! Quando você falou que estava morando aqui, eu imaginei que fosse um lugar maior. Não pensei que fosse somente um quarto.
– Bom…é só um quarto, mas é confortável e limpo. “Comparado ao local em que eu dormia antes…”
– Não! Não foi isso que eu quis dizer! – interrompeu Susan.- É que… se eu soubesse que era o local onde você dorme…eu não teria feito questão de entrar…- falou isso e corou instantaneamente.

Samanta demorou um pouco para entender a respeito de que Susan estava falando. Quando compreendeu, apressou-se em dizer:
– Oh! Entendo! Se quiser posso deixar a porta aberta. – e levantou-se para fazê-lo. Porém, antes de chegar à maçaneta, Susan segurou sua mão e disse:
– Não precisa! Já estou aqui de qualquer forma. E além disso, gostaria de conversar com você sobre algo que é melhor falar com portas fechadas.

Sam voltou e sentou-se ao lado de Su.

Com tantas coisas acontecendo, havia esquecido a noite do noivado de Carina.
Susan continou:
– Não tivemos oportunidade de conversar, desde a noite no casarão…
– Su, sobre aquela noite…
– Escute, Sam! – interrompeu Susan – Eu posso ser tola às vezes, mas tenho meus momentos de esperteza…

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Nesse momento, o coração de Samanta parou. “Será que Susan havia percebido algo sobre suas emoções com relação a Carina, naquela noite?
– …Eu sei que vocês garotos se encantam e desencantam pelas moças muito rápido, mas sei também, que éramos amigos antes…do beijo, – corou – por isso, não quero perder essa amizade depois dele.
“Não vou esperar que você me peça em namoro ou algo assim. Gosto da sua companhia e das nossas conversas. Por isso, não precisa me evitar. Certo?”
– Jamais faria isso com você, Su! Eu apenas…realmente…eu quis beijar você, mas…
– Isso é suficiente! – falou Susan rapidamente.

Elas se olharam e Sam sentiu um misto de sentimentos. O primeiro foi alívio, pois não sabia como explicar o beijo que dera em Susan. E o segundo foi carinho. Muito carinho por aquela menina com pensamentos tão maduros, que estava à sua frente.

Samanta sorriu e Susan correspondeu. Então, esta última perguntou:
– Amigos? – e estendeu a mão.
– Amigos! – disse Samanta e segurou a mão de Su.

O Toque da pele quente de Sam em sua mão, fez Susan arrepiar-se. Ela olhou para ele e sua mente voou.

Sam era o tipo de rapaz, que tinha características que agradavam muito Susan. Ele tinha poucos pelos no braço, seu rosto era sem o bigode ralo que os garotos da idade dele deixavam crescer. E suas feições não eram quadradas e grosseiras. Sem falar naquela cor achocolatada e exótica que, de acordo com a própria Susan, a fazia ter pensamentos inadequados para sua idade.

Susan não queria contradizer o discurso que acabara de fazer, por isso segurou o impulso de se aproximar mais de Sam, no entanto, quando deu por si, já estava dentro do abraço dele.
– Obrigado por ser minha amiga, Su!

Não eram bem aquelas palavras que ela gostaria de ouvir, no entanto, ela não teve tempo para achar alguma coisa ruim, pois naquele momento o corpo de Sam estava próximo do dela como nunca estivera, nem mesmo durante o beijo, por isso, ela apenas ficou ali, parada.

Enquanto isso, do lado de fora, A Senhora Rachel apontava a direção do quartinho para uma moça loira, que procurava pelo “moleque Sam”.

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