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20 e poucos anos – Cap 33

Samanta atravessou a rua e quando chegou perto de Susan, falou:

– Olá, bela dama! – Susan virou-se assustada – A senhorita daria a este pobre plebeu, a honra desta dança?

Quando viu de quem era a voz atrás de si, um sorriso iluminou o rosto de Susan. Então ela perguntou:
– Dançar sem música, “pobre plebeu”?
– Claro que não, bela dama… – respondeu Sam.
– Então que música seria essa?
– A música tocada pelos pássaros ao verem tão bela dama caminhar pelas ruas.
– Você é mesmo um bobo, Samuel. – falou Susan sorrindo e corando instantaneamente.
– O bobo da corte, ao seu dispor. – disse Sam e fez uma pequena reverência.

As duas sorriram e então Susan falou:
– Mas afinal, o que você faz por aqui? Estamos longe do restaurante e do mercado.
– Isso é porque, a partir de hoje, eu irei morar naquela pensão bem ali. Está vendo? – apontou.

Susan olhou e assentiu. Logo várias dúvidas surgiram em sua cabeça. Ela virou-se para perguntar mais alguma coisa, porém parou de súbito, pois ao longe avistou seu pai aproximando-se de sua mãe e falando algo.

Não demorou nada para Susan entender do que se tratava, pois sua mãe apontou na direção das tendas e seu pai olhou na direção em que ela e Sam estavam.
Entredentes, Susan apressou-se a falar:
– Sam, é melhor você ir, meu pai está vindo para cá.

Samanta não era uma pessoa medrosa. Mas se havia alguém que a intimidava, esse alguém era o pai de Susan, o Senhor Roger. Ele tinha feições firmes. Quando falava com Sam mostrava seu total desprezo apenas com o olhar, o qual era incisivo e superior.

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Sam olhou para trás e viu o Senhor Roger, vestindo sua farda de militar, aproximando- se a passos largos.

Então ela olhou para Susan, que não precisou de mais nada para entender a despedida. Mas mesmo assim Samanta ainda falou:
– Nos vemos. – e correu rua acima.

Quando Samanta chegou ao La Bella Donna a primeira pessoa que avistou foi o Senhor Lorenzo. Ficou feliz, pois dona Antonella era difícil de conversar e Carina…bom, Carina não era alguém que ela gostaria de ver naquele momento.

Ela explicou ao Senhor Lorenzo a oportunidade que lhe aparecera naquela manhã e que por conta disso, não poderia mais trabalhar no restaurante, mas a verdade é que até poderia tentar aparecer, mas preferiu não voltar mais ali. Quanto menos chance tivesse de ver Carina, melhor.

Ela se despediu e o Senhor Lorenzo lamentou-se pela ida dela, descupol-se por não poder oferecer mais do que oferecera e no final desejou-lhe felicidades na nova jornada, ainda lhe deixando a possibilidade de retorno, caso as coisas não funcionassem bem na pensão.

Samanta ficou feliz por ele ter sido compreensivo. Ela pegou os poucos pertences que tinha, colocou em um saco de papel e dando um abraço no Senhor Lorenzo, disse:
– Obrigada por cuidar de mim nesses dois anos, Senhor Lorenzo. Um dia espero devolver-lhe este favor.

O Senhor Lorenzo riu com aquela frase improvável, mas nada falou. Gostava do jeito sonhador da pequena Sam e não iria zombar dela por isso.

Eles despediram-se e ela foi em direção à porta. Quando estava saindo esbarrou em Edward, que vinha entrando.

– Olhe por onde and….Você outra vez, moleque?
“Começo a acreditar que você tem algum problema de visão.” – falou Edward batendo nas próprias roupas.

Sam ainda estava atordoada com o “esbarrão” e por isso demorou a perceber, que ao lado de Edward, estava Carina.

Quando Samanta a percebeu e viu os braços de Edward e Carina unidos, seu peito apertou e a dor que ela já havia controlado, latejou forte.

Ela não falou nada. Não queria. Nem conseguiria. Então, espremeu-se entre Edward e o batente da porta e saiu na tarde, em direção à sua nova vida.

sig_Gabi