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20 e poucos anos – Cap 2

Antes de adentrarmos mais na história de nossas personagens, uma pequena introdução:

O ano era 1939. O local era Londres. Ela era órfã. Não tinham ideia de quem poderiam ser seus pais. Fora deixada na calada da noite e ninguém havia visto quem a abandonou.

O orfanato era de freiras e, portanto, muito rígido. Quando fez 13 anos, fugiu. Viveu como mendiga pelas ruas, mas era livre e isso a fazia feliz. Ajudava os vendedores carregando as mercadorias que restavam ao fim do dia e em troca, ganhava alguns alimentos que iriam acabar no lixo. Assim, sobrevivia às condições hostis do relento.

Para não correr mais perigos do que já corria por viver nas ruas, vestia-se de garoto. Sempre fora uma criança magrela, logo, era difícil suspeitar que debaixo do colete grande e da boina surrada havia uma menina. Seus seios eram pequenos, por isso uma faixa em torno do busto e roupas folgadas os escondiam bem, evitar esbarrar de frente com as pessoas fazia o resto.

Depois que ficou conhecida pelo bairro, tornou-se o xodó dos moradores que davam comida, roupas usadas e um teto para dormir à noite. Este último era cedido por Lorenzo, dono de um restaurante italiano. Ele permitia que ela dormisse na dispensa do estabelecimento. E foi lá que ela conheceu Carina, filha de Lorenzo.

Carina era 8 anos mais velha que nossa personagem. Seu corpo era esbelto e delicado, totalmente feminino. Tinha os cabelos compridos, ondulados e dourados, olhos azuis cristalinos e a pele alva com bochechas coradas. Seu pai e sua mãe a tinham como um tesouro e por isso ela apenas ajudava na contabilidade do restaurante. Buscavam um casamento ideal para a filha, pois “uma pérola como ela não merecia viver aquela vida”.

Carina sabia que era bela e tirava proveito disso. Ganhava presentes e mais presentes com apenas um sorriso. Grande parte dos fregueses ia lá somente para vê-la. Sabendo disso, ela sempre se arrumava, dava algumas voltas no salão e depois sumia, deixando homens e mulheres na expectativa de seu retorno; homens para admirar sua beleza e mulheres (até onde se sabia) para analisar suas vestimentas.

Apesar disso, não era uma garota namoradeira. Ela não queria pegar má fama, pois assim como os pais, acreditava que um casamento a tiraria do subúrbio e por isso cuidava de sua imagem em todos os aspectos.

sig_Gabi