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20 e Poucos Anos – CAP 102

N.A: Olá, meninas! Gostaria de começar pedindo desculpas novamente. O capítulo está curto mais uma vez e creio que infelizmente isso será mais frequente do que eu gostaria a partir de agora e, na pior das hipóteses, nem terá capítulo em algumas semanas =/.

Isso porque minha mãe encontra-se adoentada e terá que fazer um tratamento longo. Eu sou a única filha disponível no momento e serei a única a acompanhá-la onde ela precisar ir, o que por si só não é o principal problema. O fator determinante para diminuição e possível parada (temporária) da história é que depois dessa notícia tenho me sentido para baixo o que não bate nem um pouco com o momento que as personagens principais da história estão vivendo agora. Sempre que escrevo eu entro na história e sinto cada sensação, mas do jeito que estou no momento não conseguiria descrever com fidelidade os sentimentos das minhas meninas, por isso, peço minhas mais sinceras desculpas e a mais profunda compreensão de vocês. Se tudo correr diferente para melhor, quinta-feira que vem estarei aqui mesmo que com apenas alguns parágrafos. Gostaria ainda de pedir a vocês orações para minha mãe, serão muito bem vindas. Grande abraço a todas!

 

SUSAN

Susan Dover entrou no quarto praticamente forçada por Samanta e ali sua raiva deu lugar à preocupação, a qual aumentava a cada passo que dava de um lado a outro do quarto.

Sua mente fervilhava com as lembranças daquela noite e ao se dar conta do que acabara de fazer, espalmou as mãos na testa. Imaginar as consequências de sua atitude fez sua têmpora latejar. Madeleine sabia dela e de Sam e a empregada conhecia os pais de Susan…Jean também.

Mal pensou no rapaz francês e as lembranças do que acontecera a ele atingiram sua mente com toda força e com elas o medo de ter prejudicado o ateliê. Olhou pela janela e foi até a penteadeira. Olhou-se no espelho e pensou:

Calma, Susan Dover! Você precisa se acalmar!

Mas ela não conseguiu ouvir o próprio conselho, pois imagens de Jean e Madeleine sentados em uma sala qualquer contando tudo que sabiam a seus pais invadiam sua cabeça.

Ela saiu da frente da penteadeira e olhou para o chão.

– Calma, Susan! Não há certezas de que irão contar!  – mas ela tinha uma boa ideia da raiva que Jean deveria estar sentindo de Samanta agora e que Madeleine não deveria estar diferente para com ela, pois se antes daquela noite a empregada já tinha motivos suficientes para odiar Susan, depois dos tapas recebera, deveria ter muito mais.

Ela olhou para o chão e lhe pareceu que ele girava sob seus pés. Foi então que              levantou a cabeça e se deparou com Samanta a olhando da cama.

A moça segurava o pulso machucado e olhava para ela com ternura, lhe dando em seguida um leve sorriso.

“Como ela conseguia estar tão calma?”

Imediatamente as preocupações de Susan se dissolveram como se tivessem sido transformadas do mais sólido metal para o mais rarefeito gás. Um sorriso brotou em sua face e ela se aproximou da morena que ficou onde estava olhando-a de baixo. Ao olhar a mão inchada e roxa de Sam, Susan sentiu muitas coisas: gratidão, carinho, dor…a ruiva aproximou a cabeça de Samanta do seu corpo e começou a deslizar os dedos pelos cabelos lisos da morena. Aos poucos novas sensações foram surgindo: paixão, desejo, tesão…há tanto tempo ela era apaixonada por aquela mulher e depois de tantas coisas ruins, aquela noite trouxera uma coisa boa:

“Susan, – disse Samanta envolvendo a ruiva pelos ombros, a qual aos poucos parava de chorar – eu sei o que eu propus, entretanto, não importa quantas vezes eu proponha, isso não vai mudar o que eu sinto. Você não sai da minha cabeça e do meu coração.”

Aquela lembrança aqueceu a alma e o corpo de Susan. Ela se afastou para olhar o castanho escuro dos olhos de Samanta e percebeu imediatamente que deveria ter evitado olhá-la naquele momento. Sem qualquer tipo de aviso, a ruiva sentou-se no colo de Samanta começando a beijá-la intensamente. As mãos deslizavam pela nuca e pescoço da morena enquanto ela sentia a mão desta passando por usa cintura e costas.

O beijo estava doce e apimentado. Era como se ao mesmo tempo que acalmasse ele fizesse o coração de Susan explodir.

A mão da ruiva deslizou pelos ombros de Samanta e ela aproximou o corpo do da morena que envolveu a cintura dela com a mão, boa puxando-a mais para si. Ficaram assim por algum tempo até que aos poucos foram se virando para a cama e deitaram-se.

– A porta… – disse Susan num sussurro, no momento em que sua boca vermelha (do atrito do beijo) ficou livre para que seu pescoço recebesse a boca de Sam.

– Já tranquei. – disse Samanta rapidamente.

Apesar da vontade que as duas tinham de ir além, sabiam que aquele não era o melhor momento. Madeleine ainda estava na casa e a mão de Samanta doía bastante, por isso não demoraram a parar com intuito de cuidar adequadamente da morena e evitar que a empregada fofoqueira tivesse mais assunto para comentar com Jean.

Não muito tempo depois dormiram e naquela noite, ambas sentiram que conseguiriam facilmente se acostumar àquilo.

 

Alguns meses depois

O Natal passou e depois dele o ano novo. Samanta e Susan infelizmente haviam passado aquelas festividades separadas, mas assim que o novo ano entrou, elas se encontraram em Paris e, em um balanço sob a luz do luar, Samanta pediu Susan em namoro. A morena recebeu a resposta positiva imediatamente.

Foram para casa e lá tiveram um lindo jantar romântico preparado pelo melhor restaurante Francês que Sam pôde comprar. As duas tiveram ainda momentos mais íntimos, porém não foram mais longe do que já haviam feito, pois Samanta queria fazer as coisas ao máximo possível dentro dos costumes. Já Susan estava a cada dia mais audaciosa. Sua vontade de Samanta só aumentava, mas ela ainda não conseguira reunir coragem para continuar quando a morena parava os seus beijos.

Quanto ao ateliê, curiosamente, o movimento havia aumentado. Susan e Sam sabiam o que a camada social de Paris falava a respeito delas, porém, mesmo incomodando, aquilo parecia não ser motivo suficiente para eles deixarem de comprar roupas do famoso ateliê The Kings & Queens. Era como se o escândalo na festa dos Lafaiete tivesse aumentado o número de pessoas que tomavam conhecimento do mesmo.

Samanta agora ficava mais tempo em Paris do que na Inglaterra, porém ela e Susan ainda se encontravam às escondidas, pois finalmente chegara ao conhecimento da Senhora Debby quem era a responsável pelo marketing das roupas masculinas e aquilo não a agradara nem um pouco.

– Você não se lembra o que essa garota falou há anos atrás, Susan? Ela é perturbada. Como você pode trabalhar ao lado dela? Se seu pai souber disso…- e sempre era interrompida por Susan que inventava algum outro assunto para não ter que falar sobre aquilo com a mãe. Além disso, evitava ao máximo permitir que seuss pais fossem visita-la. Ela que sempre ia à Inglaterra agora, pois via com certa frequência Jean e Madeleine passeando em restaurantes bons da cidade e aquilo era perigoso demais.

Fora esse problema que rondava a mente das duas moças, as coisas iam bem. O ateliê já ganhava bem o suficiente para pagar bons salários a todos e com a ajuda dos três King que ali trabalhavam a reforma na pensão fora terminada e agora dispunha de quartos mais amplos sobre os quais o Senhor Brian e a Senhora Rachel cobravam mais caro.

As coisas iam bem e Susan e Samanta já falavam sobre um ateliê em Paris, mas por enquanto a ideia não saíra de suas mentes. Guardavam para sim enquanto amadureciam a ideia e o relacionamento.

 

Samanta caminhava tranquilamente pela calçada do bairro nobre de Londres. Ela segurava sua maleta e assobiava uma música de Artie Shawn que ouvia no toca discos de Susan sempre que ia até sua casa em Paris. Como não podiam dançar fora, o faziam na sala de estar da moça e aquela era a música preferida das duas.

 

 

Samanta estava alegre e leve, por isso aquela canção traduzia bem seu estado de espírito, havia acabado de fechar um grande pedido para alguns artistas de televisão e sabia que isso lhe renderia não só em dinheiro, mas em fama também.

Ela caminhava quase dançando ao som do próprio assobio quando passou em frente a um restaurante e avistou um rosto familiar. Olhou para cima e leu “Italian Gourmet”. Não percebera onde estava até então.

Desde que se mudara para o bairro vizinho, Samanta evitava passar por ali o máximo que podia, pois aquela não apenas era a rua do restaurante dos Smith, mas também da casa de Sophie, por isso, para evitar possíveis conflitos ou desconfortos, ela sempre passava pela rua de trás, porém naquele dia estava tão distraída que acabara esquecendo, o que de certo modo foi bom, pois ao avistar o rosto do Senhor Lorenzo imediatamente percebeu que ele não estava bem e adentrou o local para falar com ele.